Hezbollah recusa negociações com Israel e descarta desarmamento
- www.jornalclandestino.org

- há 4 horas
- 3 min de leitura
O secretário-geral do Hezbollah, Sheikh Naim Qasem, rejeitou qualquer negociação direta entre Líbano e Israel e descartou o desarmamento do movimento. Ele afirmou em comunicado divulgado nesta segunda-feira: “Rejeitamos categoricamente as negociações diretas, e aqueles que detêm o poder devem saber que suas ações não beneficiarão nem o Líbano nem a eles próprios; o que o inimigo israelense-americano quer deles está além do seu controle e não lhes será concedido”. O dirigente apresentou cinco condições para uma solução do conflito, incluindo cessação total da agressão, retirada israelense dos territórios ocupados, libertação de prisioneiros, retorno dos deslocados e reconstrução do país.

Qasem reiterou que o Hezbollah não entregará suas armas, afirmando: “Não renunciaremos às nossas armas nem à nossa defesa, e o campo de batalha demonstrou a prontidão da resistência para a luta”. Ele também vinculou o cessar-fogo ao apoio do Irã e ao processo de mediação internacional, enquanto o Líbano registra milhares de vítimas em meio à continuidade dos ataques israelenses durante a trégua mediada pelos Estados Unidos.
Qasem afirmou que setores políticos libaneses que defendem negociações diretas com Israel estariam, segundo suas palavras, contribuindo para aprofundar a instabilidade interna do país. Ele declarou que o que chamou de “inimigo israelense-americano” busca impor condições fora do controle do Estado libanês, reforçando que tais exigências não serão aceitas pela resistência.
O líder do Hezbollah estruturou ainda uma proposta política baseada em cinco pontos centrais para qualquer resolução do conflito: cessação completa das operações militares por terra, mar e ar; retirada das forças israelenses dos territórios ocupados; libertação de prisioneiros; retorno dos deslocados às suas cidades de origem; e início de um processo de reconstrução nacional no Líbano, profundamente atingido pela escalada militar.
No campo militar, Qasem reafirmou a manutenção do arsenal do Hezbollah como elemento central de defesa, argumentando que a existência da organização está diretamente ligada à proteção da população libanesa frente às ofensivas israelenses. O dirigente associou a resistência armada ao que descreveu como planos de expansão territorial ligados ao conceito de “Grande Israel”, rejeitando qualquer cenário de desarmamento unilateral.
O discurso também destacou o papel do Irã no contexto diplomático recente, afirmando que o cessar-fogo em vigor desde 17 de abril, inicialmente de dez dias e posteriormente prorrogado até meados de maio, só foi possível devido à mediação iraniana em articulação com processos regionais envolvendo o Paquistão e outras negociações indiretas. A mediação ocorre em paralelo à atuação diplomática dos Estados Unidos, que participam formalmente das tratativas.
Apesar do acordo de cessar-fogo, ataques israelenses continuaram a atingir o território libanês sob a justificativa declarada de neutralizar o Hezbollah. No entanto, os dados do Ministério da Saúde do Líbano indicam que, desde 2 de março, pelo menos 2.509 pessoas foram mortas e 7.755 ficaram feridas, incluindo 277 mulheres, 177 crianças e 100 profissionais de saúde, evidenciando o impacto direto sobre a população civil.
Os bombardeios mais recentes, incluindo os registrados no que foi descrito como o dia mais sangrento da trégua, resultaram em 14 mortos e 37 feridos, segundo o Centro de Operações de Emergência libanês. As operações israelenses atingiram áreas residenciais, estruturas civis e regiões ao norte do rio Litani, acompanhadas de ordens de evacuação forçada de múltiplas localidades.
Diante da continuidade das ofensivas, o Hezbollah declarou que manterá ações retaliatórias como resposta às violações do cessar-fogo, classificando tais medidas como legítimas dentro do contexto do conflito em curso. O movimento também rejeita qualquer tentativa de normalização política com Israel, afirmando que negociações diretas “legitimam os ataques do inimigo”.
Em sua conclusão política, Qasem afirmou que a resistência não permitirá qualquer avanço territorial israelense sobre o Líbano, incluindo áreas do sul próximas à fronteira com os territórios palestinos ocupados, declarando que “o inimigo israelense não permanecerá um único centímetro de nossa terra ocupada”.



































