97% das pessoas não conseguem diferenciar músicas feitas por IA das compostas por humanos. Você conseguiria?
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Em uma pesquisa global inédita, 97% das pessoas não conseguiram distinguir músicas totalmente geradas por inteligência artificial (IA) das produzidas por seres humanos, revelou estudo encomendado pela plataforma de streaming Deezer e realizado pela Ipsos. A pesquisa ouviu 9 000 participantes em oito países — Brasil, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Holanda, Alemanha e Japão — entre 6 e 10 de outubro de 2025, em um teste cego com três faixas. Mais da metade dos entrevistados relatou desconforto por não reconhecer se uma faixa era artificial ou humana, e 71 % disseram ter se surpreendido com os resultados. O relatório, publicado pela Deezer, também mostrou que muitos acreditam que a ascensão da IA pode levar a música de baixa qualidade e prejudicar a criatividade na indústria musical.

O estudo, divulgado pela própria Deezer em sua plataforma institucional, exigiu que os participantes identificassem, em cada rodada, qual das três músicas era 100 % feita por IA — um padrão metodológico que resultou em 97 % de erros de identificação. Segundo o relatório, 52 % dos entrevistados sentiram-se incomodados por não saber diferenciar músicas artificiais de humanas e 66 % afirmaram que, mesmo assim, ouviriam uma faixa produzida por IA por curiosidade. A pesquisa também registrou que 51 % acreditam que a inteligência artificial pode contribuir para a produção de músicas “genéricas e de baixa qualidade” nas plataformas de streaming ao longo dos próximos dez anos.
No Brasil, os resultados seguiram a tendência global: 97 % dos entrevistados não conseguiram identificar a origem das faixas, conforme a Deezer e a Ipsos. O país se destacou por apresentar 76 % de curiosidade em relação à IA na música e 42 % dos participantes afirmaram usar ferramentas de IA no cotidiano. Ao mesmo tempo, 60 % concordaram que a tecnologia pode causar uma perda de criatividade na produção musical, e 69 % acreditam que pagamentos por músicas inteiramente geradas por IA devem ser menores do que para músicas humanas, indicando preocupação com a remuneração justa de compositores e artistas.
Especialistas econômicos e críticos culturais veem essa incapacidade massiva de distinguir faixas como sintoma de uma crise estrutural na indústria musical global, em que algoritmos e modelos de IA — alimentados por corporações de tecnologia — invadem um campo antes dominado por criatividade e expressão humanas. Por trás de resultados aparentemente “neutros”, a questão revela o fortalecimento de mecanismos tecnológicos de produção em massa que ameaçam a autonomia artística e o valor social da arte humana.
Paralelamente, plataformas de streaming enfrentam pressão crescente para adotar ferramentas de detecção e etiquetagem de conteúdo gerado por IA, não apenas para informar os ouvintes, mas para proteger sistemas de royalties e direitos autorais, enquanto artistas e organizações de música reivindicam transparência e justiça diante do avanço tecnológico.









































