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Irã celebra 47 anos da Revolução Islâmica em demonstração massiva contra o imperialismo

Cerca de 500 mil iranianos foram às ruas de Teerã nesta quarta-feira (11) para marcar o 47º aniversário da queda da monarquia Pahlavi e a instauração da República Islâmica, em manifestações convocadas oficialmente que mesclaram símbolos de resistência militar e rejeição à presença estadunidense na região. Imagens de mísseis balísticos de médio alcance e fragmentos de drones israelenses abatidos durante o confronto de 12 dias em junho de 2025 foram exibidos em carreatas e exposições montadas na Praça Azadi, enquanto o presidente Masoud Pezeshkian discursava a uma multidão que acenava bandeiras do Irã e da Palestina.



Irã celebra 47 anos da Revolução Islâmica ©Majid Asgaripour I WANA I Reuters
Irã celebra 47 anos da Revolução Islâmica ©Majid Asgaripour I WANA I Reuters

A manifestação na capital iraniana teve como ponto central a Torre Azadi, onde famílias carregavam retratos do Líder Supremo Ali Khamenei e do aiatolá Ruhollah Khomeini intercalados com bandeiras palestinas e cartazes que liam, em persa e inglês, "Genocídio estadunidense em Gaza" e "Gaza não está só". Réplicas de caixões envoltos nas bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, identificados com nomes e patentes de comandantes do Pentágono, foram pisoteadas por crianças e jovens enquanto parte da multidão entoava os slogans tradicionais de "Morte à América" e "Morte a Israel". A agência oficial de notícias IRNA reportou que 12 cidades iranianas sediaram eventos simultâneos, incluindo Qom, Isfahan e Mashhad, com a presença de altos comandantes da Guarda Revolucionária exibindo sistemas de mísseis Sejjil e drones Shahed-136 recuperados após a troca de ataques com Tel Aviv no ano anterior.



O presidente Pezeshkian, em discurso televisionado, declarou que "a força do povo iraniano causa preocupação em nosso inimigo" e afirmou que "estamos unidos em solidariedade diante de todas as conspirações das potências imperiais". Em referência indireta à pressão exercida pela Casa Branca, o mandatário disse que o governo está disposto a negociar o programa nuclear, mas não sob "linguagem de ultimato ou chantagem". Seyed Abbas Araghchi, ministro iraniano das Relações Exteriores, reuniu-se separadamente com diplomatas do Catar e da Turquia nos arredores do evento, segundo informou a agência Tasnim, para discutir os termos de uma possível mediação nas negociações indiretas com Washington, paralisadas desde novembro.


Ali Akbar Dareini, pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos vinculado à Presidência, declarou à Al Jazeera que "o discurso de Pezeshkian sinalizou que o Irã está aberto a um acordo justo e equilibrado com os Estados Unidos", mas ponderou que a presença militar estadunidense no Golfo inviabiliza qualquer avanço diplomático imediato. A administração Trump deslocou o porta-aviões USS Dwight D. Eisenhower e sua frota de escolta para águas próximas ao Estreito de Ormuz, com o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmando na terça-feira que a medida visa "dissuadir ataques a embarcações comerciais", sem apresentar evidências de qualquer plano ofensivo iraniano.


A celebração do 11 de fevereiro, que recorda a vitória do movimento popular contra o xá Mohammad Reza Pahlavi em 1979, foi assim duplamente instrumentalizada: pelo establishment teerani como demonstração de coesão diante do cerco imperialista, e pela população como rara oportunidade de expressão coletiva em um contexto de controle político severo.

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