Líbano: Ataques a hospitais deixam pacientes sem cuidados críticos
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Ataques registrados no sul do Líbano atingiram instalações médicas e deixaram dezenas de feridos, ampliando a crise humanitária em meio à escalada militar iniciada em março. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou em 2 de junho que está verificando relatos sobre um ataque ao Hospital Jabal Amel, na cidade de Tiro. Dados reunidos pela agência indicam que, nos últimos três meses, quase 190 ataques contra unidades de saúde resultaram na morte de 128 trabalhadores do setor e deixaram outros 332 feridos.

Informações preliminares fornecidas por autoridades libanesas apontam que pelo menos 86 pessoas ficaram feridas no Hospital Jabal Amel, entre elas profissionais de saúde. Segundo a OMS, a unidade sofreu danos no Departamento de Emergência e na Unidade de Terapia Intensiva.
O representante da OMS no Líbano, Abdinasir Abubakar, afirmou que os ataques “causaram danos significativos ao Departamento de Emergência e à Unidade de Terapia Intensiva”. Em declaração feita a partir de Beirute, acrescentou que “esses ataques matam e mutilam e privam as pessoas dos serviços de saúde de que precisam”.
O Hospital Jabal Amel figura entre as poucas estruturas hospitalares ainda em funcionamento na região sul do país. A deterioração da rede hospitalar ocorre em um contexto de bombardeios e operações militares que atingem áreas urbanas e infraestrutura civil.
Segundo a OMS, quase 190 ataques contra instalações de saúde foram verificados entre março e junho. O levantamento da agência registra 128 profissionais de saúde mortos e 332 feridos. Apenas na semana anterior ao relatório, foram contabilizados 11 novos ataques.
No distrito de Tiro, dois dos três hospitais existentes, Jabal Amel e Hiram, sofreram danos. A terceira unidade permanece operando sob pressão provocada pelo aumento da demanda médica e pela redução da capacidade hospitalar disponível.
A situação sanitária também afeta os abrigos que recebem pessoas deslocadas pelos confrontos. De acordo com a OMS, cerca de 130 mil pessoas encontram-se abrigadas após deixarem áreas afetadas pelos combates entre Israel e o Hezbollah.
A agência informou que acompanha a evolução de doenças infecciosas nos abrigos e nas comunidades que recebem deslocados. Os registros mostram aumento dos casos de diarreia aguda. Abdinasir Abubakar alertou que o risco de cólera poderá crescer com a chegada do verão e com a pressão exercida sobre os sistemas de saneamento e abastecimento de água.
A deterioração da situação de segurança levou o Conselho de Segurança da ONU a discutir o tema em reunião realizada em 1º de junho. A convocação ocorreu após novos ataques israelenses e alertas relacionados aos subúrbios do sul de Beirute, onde vivem centenas de milhares de civis.
O atual cessar-fogo entre Líbano e Israel entrou em vigor em 17 de abril após mediação estadunidense. O acordo não foi plenamente implementado. A trégua passou por duas renovações, sendo a mais recente formalizada em 16 de maio por um período de 45 dias.
Desde o início da escalada militar registrada em 2 de março, mais de 3 mil pessoas morreram no território libanês e quase 10,4 mil ficaram feridas. Segundo os dados apresentados pela ONU, a maioria das vítimas é composta por civis.
A destruição de infraestrutura residencial e de serviços públicos ampliou o deslocamento interno em diversas regiões do país. Em mensagem divulgada nas redes sociais, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) afirmou que residências de numerosas famílias libanesas foram transformadas em escombros durante os ataques.
A agência declarou que equipes permanecem mobilizadas para fornecer assistência emergencial às populações afetadas. O Acnur informou que as necessidades humanitárias continuam aumentando em um cenário marcado por deslocamentos, perdas materiais e insegurança.
Mesmo diante dos ataques e deslocamentos populacionais, parte das atividades educacionais continua funcionando. A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (Unrwa) informou que 38 escolas mantêm aulas presenciais em território libanês. Outras unidades seguem oferecendo ensino remoto para estudantes afetados pela situação de segurança.



































