Sete mil anos de história emergem de escavação arqueológica na França
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Uma escavação arqueológica realizada no nordeste da França identificou vestígios de ocupação humana que cobrem aproximadamente sete mil anos de história. A pesquisa foi conduzida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas Preventivas da França (Inrap) em uma área de 3,5 hectares na comuna de Ancemont, no vale do Meuse. Os achados documentam a utilização contínua da região desde o Neolítico até a Primeira Guerra Mundial.

Os trabalhos foram realizados entre junho e outubro de 2025 durante estudos prévios à ampliação de uma pedreira a céu aberto. Segundo o Inrap, a investigação permitiu identificar uma sucessão de ocupações humanas distribuídas por diferentes períodos históricos, revelando como populações distintas reutilizaram o mesmo espaço ao longo de milênios.
Ao todo, os arqueólogos registraram 826 anomalias arqueológicas. Após análises preliminares, cerca de 680 vestígios foram confirmados como estruturas ou evidências de atividade humana. O trabalho de laboratório e novas datações por radiocarbono permanecem em andamento para definir com maior precisão a cronologia de algumas fases da ocupação.
A área pesquisada localiza-se na encosta ocidental do vale do Meuse, marcada por um desnível aproximado de 40 metros e inclinação média de 10%. De acordo com o Inrap, as características geomorfológicas influenciaram tanto a preservação quanto a distribuição dos vestígios arqueológicos. Apesar dessas limitações, os resultados indicam que diferentes grupos humanos adaptaram suas atividades às condições do terreno.
Os vestígios mais antigos encontrados remontam ao período Neolítico, entre 6.000 e 2.300 a.C. Entre os materiais recuperados estão ferramentas produzidas em sílex e uma ponta de flecha, indicando atividades associadas à caça e ao aproveitamento dos recursos naturais disponíveis na região.
Outra fase identificada corresponde ao período compreendido entre o final da Idade do Bronze Antiga e o Bronze Médio, aproximadamente entre 1.750 e 1.500 a.C. Nessa etapa, os arqueólogos localizaram estruturas profundas interpretadas como armadilhas de caça.
Uma dessas estruturas continha os restos de um bovídeo jovem. A datação por carbono-14 situou a morte do animal entre 1.740 e 1.539 a.C., fornecendo uma referência cronológica para a ocupação humana naquele período.
A fase mais intensa da ocupação pré-histórica ocorreu durante o Bronze Final, entre 1.200 e 800 a.C. Os arqueólogos identificaram silos, fossas, poços, pequenos fornos, sumidouros e buracos destinados à sustentação de construções. O conjunto de estruturas indica a existência de um assentamento permanente.
Os materiais recuperados incluem recipientes cerâmicos completos, pesos utilizados em teares, fusaiolas destinadas à produção têxtil e um alfinete fabricado em liga de cobre. Esses elementos apontam para atividades domésticas, armazenamento de alimentos, produção artesanal e manejo de recursos hídricos.
Entre os achados dessa fase está o sepultamento de uma criança dentro da área ocupada pela comunidade. A presença de uma prática funerária no interior do assentamento fornece informações sobre a organização social e os costumes dos habitantes daquele período.
Os pesquisadores também identificaram evidências de ocupação durante a transição entre o Hallstatt Final e o início da cultura La Tène, entre 650 e 400 a.C. Os vestígios encontrados são menos numerosos do que aqueles registrados para o Bronze Final. Segundo o Inrap, alterações ambientais e mudanças na utilização do território podem ter influenciado essa transformação.
A partir de aproximadamente 70 a.C. e até 14 d.C., o local passou por uma reorganização associada ao período galo-romano. As escavações revelaram edifícios sustentados por postes de grande porte, estruturas de fundação, adegas e uma via de circulação que articulava diferentes setores do assentamento.
Os arqueólogos identificaram sucessivas camadas de uso nessa via, além de marcas de circulação acumuladas ao longo do tempo. A descoberta sugere que o caminho desempenhava papel central na organização espacial da comunidade estabelecida na região.
A ocupação mais recente documentada durante a escavação remonta ao início da Primeira Guerra Mundial. Foram identificadas duas linhas de trincheiras integradas ao sistema defensivo construído para proteger o vale do Meuse e impedir o avanço das forças alemãs.
Segundo o Inrap, não há evidências de que essas trincheiras tenham sido utilizadas em combate. Ainda assim, sua presença demonstra que o local manteve importância estratégica mesmo após milhares de anos de ocupação humana.
Os pesquisadores destacam que a principal contribuição da descoberta está na documentação de um mesmo espaço utilizado por diferentes sociedades ao longo de sete milênios. As estruturas identificadas mostram como sucessivas comunidades adaptaram, transformaram e reutilizaram a paisagem do vale do Meuse desde a pré-história até o século XX.
A pesquisa foi conduzida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas Preventivas da França, órgão responsável por investigações arqueológicas vinculadas a obras de infraestrutura e projetos de desenvolvimento territorial. O trabalho integra um conjunto de estudos voltados à preservação do patrimônio histórico diante da expansão de atividades econômicas sobre áreas com potencial arqueológico.












































