Líbano: Sistema de saúde sobrecarregado após ataques israelenses
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A Organização Mundial da Saúde denunciou em 9 de abril de 2026 o colapso do sistema de saúde do Líbano após uma onda de ataques israelenses. A ofensiva ocorreu poucas horas depois do anúncio de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, ampliando a instabilidade regional. Segundo a agência, mais de 200 pessoas morreram e mais de 1.000 ficaram feridas em ataques concentrados em áreas densamente povoadas. O representante da OMS no país, Abdinasir Abubakar, classificou o episódio como um dos dias mais mortais da atual escalada. Hospitais foram levados ao limite, com escassez crítica de insumos e equipes médicas.

De acordo com o escritório da Organização Mundial da Saúde no Líbano, a intensidade e a velocidade dos bombardeios israelenses comprometeram rapidamente um sistema de saúde já fragilizado por semanas de ataques. Abdinasir Abubakar afirmou à ONU News, diretamente de Beirute, que a quarta-feira, 9 de abril, representou “um dos dias mais mortais na atual escalada de violência” no país.
O representante descreveu que, em questão de minutos, múltiplos ataques atingiram regiões densamente povoadas, incluindo a capital. “Em apenas 10 minutos, na tarde de ontem, explosões atingiram vários locais, incluindo áreas civis densamente povoadas na capital, Beirute”, declarou. Segundo ele, a população foi atingida sem qualquer aviso prévio enquanto seguia suas atividades cotidianas, evidenciando o impacto direto sobre civis.
A avaliação preliminar apresentada pela OMS aponta mais de 200 mortos e mais de 1.000 feridos, incluindo mulheres e crianças. Abubakar destacou que socorristas e profissionais de saúde também estão entre as vítimas, enquanto equipes de resgate continuam a buscar sobreviventes sob os escombros de edifícios destruídos.
Relatando o que testemunhou pessoalmente, o representante afirmou que os ataques foram “horrível, muito triste, alarmante”. Ele descreveu que, de seu escritório em Beirute, conseguiu observar sucessivas explosões e desabamentos estruturais. “Eu conseguia ver, da minha janela, dez ataques diferentes à minha frente, e prédios desabando”, disse.
A pressão sobre os hospitais atingiu níveis extremos imediatamente após os bombardeios. Serviços de emergência e unidades de trauma foram sobrecarregados pelo volume de feridos, enquanto estoques de suprimentos essenciais começaram a se esgotar rapidamente. Segundo Abubakar, hospitais em todo o país ativaram protocolos para vítimas em massa e fizeram um apelo urgente por reposição de materiais.
A dimensão da destruição também se reflete no estado das vítimas. “Os hospitais continuam a receber relatos de corpos não identificados e partes de corpos que foram recuperadas”, afirmou o representante, indicando a gravidade das explosões e o grau de fragmentação dos corpos.
O colapso sanitário é agravado por ataques contínuos contra o próprio sistema de saúde. Nos últimos 40 dias de escalada militar, mais de 50 profissionais de saúde foram mortos e mais de 150 ficaram feridos. Abubakar acrescentou que muitos desses trabalhadores foram deslocados após ataques diretos a instalações médicas, reduzindo ainda mais a capacidade de atendimento.
Segundo ele, a destruição de equipes médicas tem impacto direto sobre a população. “Quando você mata profissionais de saúde e socorristas... o resultado final é que você não tem socorristas nem ambulâncias”, alertou, destacando a ruptura das redes de emergência em áreas críticas.
A OMS informou que trabalha em coordenação com o Ministério da Saúde libanês para fornecer apoio emergencial, incluindo envio de suprimentos, assistência técnica e financiamento. No entanto, a organização reconhece que os recursos disponíveis estão próximos do esgotamento.
“Já consumimos a maior parte dos estoques disponíveis nos últimos 40 dias, mas, ainda mais, o que aconteceu nas últimas 24 horas foi alarmante”, afirmou Abubakar, indicando que a nova onda de ataques acelerou drasticamente o consumo de materiais médicos.
Os esforços de reposição enfrentam obstáculos logísticos significativos, incluindo limitações no transporte de ajuda internacional para o país. “Precisamos mesmo encontrar alternativas diferentes para transportar os suprimentos”, disse o representante.
Mesmo sob pressão extrema, unidades de saúde seguem operando. “Estamos fazendo o possível para servir a população e salvar vidas. Mas essa assistência humanitária também dependerá dos recursos disponíveis que os parceiros humanitários estão recebendo”, declarou.
Diante da escalada das necessidades, a OMS lançou um apelo urgente por financiamento internacional para sustentar as operações no terreno. “Precisamos urgentemente de recursos e fundos para continuarmos a ajudar as pessoas que precisam”, afirmou Abubakar, alertando que a falta de financiamento pode comprometer cirurgias essenciais e tratamentos de emergência.



































