Macron, presidente da França, defende o papel da Europa na África enquanto busca reaproximação
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- 11 de mai.
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O presidente francês, Emmanuel Macron, utilizou uma cúpula econômica realizada em Nairóbi, no Quênia, para defender a presença europeia no continente africano e atacar a atuação chinesa sobre minerais estratégicos. Durante entrevista à Jeune Afrique e ao The Africa Report, Macron afirmou que a África não pode atribuir seus problemas apenas ao colonialismo e cobrou responsabilidade dos governos africanos pelas crises de governança. As declarações ocorreram em meio ao desgaste da presença militar francesa no Sahel e à perda de influência de Paris em antigas colônias africanas após sucessivos golpes de Estado entre 2020 e 2023.

Na entrevista concedida aos veículos Jeune Afrique e The Africa Report, Macron declarou ter “condenado veementemente o colonialismo” desde que assumiu a presidência francesa em 2017, mas afirmou que os desafios políticos e econômicos enfrentados pelos países africanos não podem ser explicados apenas pela dominação colonial europeia. “Não podemos eximir de toda a responsabilidade as sete décadas que se seguiram à independência”, disse o presidente francês, defendendo a necessidade de “governação mais forte” no continente.
Ao tentar reposicionar a França e a União Europeia diante do avanço econômico chinês na África, Macron afirmou que a Europa não representa “o predador deste século”. O presidente francês associou a atuação europeia ao “multilateralismo”, ao “Estado de Direito” e ao “livre comércio”, em uma tentativa de diferenciar a presença europeia da expansão econômica promovida por Pequim nas últimas décadas.
Em contraste, Macron acusou a China de operar segundo uma “lógica predatória” sobre os minerais críticos africanos, afirmando que Pequim processa internamente matérias-primas extraídas do continente e constrói relações de dependência econômica. A disputa por lítio, cobalto, níquel e terras raras tornou-se um dos principais eixos da competição geopolítica entre potências europeias, China e Estados Unidos sobre a África, sobretudo diante da reorganização global das cadeias industriais ligadas à transição energética e à indústria militar.
Macron também tentou apresentar a Europa como parceira de uma nova arquitetura financeira internacional voltada ao continente africano. Segundo ele, o objetivo europeu seria construir “uma estratégia de autonomia” comum entre África e Europa, baseada em reformas das instituições financeiras internacionais e na ampliação de garantias públicas para destravar investimentos privados. A defesa dessas garantias responde a reivindicações antigas de governos africanos sobre financiamento externo, dívida soberana e acesso a crédito internacional.
A cúpula em Nairóbi integrou uma ofensiva diplomática mais ampla do governo francês para reconstruir relações com países africanos após anos de tensão entre Paris e antigas colônias francesas da África Ocidental. Nos últimos anos, manifestações populares, mudanças de governo e disputas militares colocaram em xeque a presença francesa na região do Sahel, onde Paris manteve operações militares durante mais de uma década sob o argumento de combate a grupos jihadistas.
A França retirou tropas do Mali, Burkina Faso e Níger após militares assumirem o poder nesses países entre 2020 e 2023. Os governos resultantes dos golpes passaram a denunciar acordos militares com Paris, exigir a retirada de tropas francesas e ampliar relações políticas e militares com outros parceiros internacionais, incluindo Rússia e China.
Macron afirmou que a França respeitou as decisões das juntas militares africanas. “Quando nossa presença deixou de ser desejada após os golpes de Estado, nós partimos. Aquilo não foi uma humilhação, mas sim uma resposta lógica”, declarou. O presidente francês insistiu que os destacamentos militares franceses ocorreram a pedido de governos locais e tinham como objetivo operações contra grupos armados na região do Sahel.
Apesar da retirada militar francesa e da deterioração da influência de Paris em parte da África Ocidental, Macron afirmou acreditar em uma reconfiguração política futura na região. “Uma nova era está prestes a começar. O Sahel um dia recuperará a normalidade na governança”, disse o presidente francês, defendendo o retorno de governos “democraticamente eleitos” que, segundo ele, “se preocupam genuinamente com seu povo”.



































