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Mali: António Guterres cobra ação internacional para conter avanço do extremismo no Sahel

O Mali voltou a registrar uma onda de confrontos após ataques coordenados de grupos armados em diferentes regiões do país. As ofensivas ocorreram no sábado, atingindo a capital Bamako, a cidade de Gao e áreas estratégicas do norte como Kidal. As ações envolveram insurgentes separatistas tuaregues e grupos jihadistas ligados à Al Qaeda e ao Estado Islâmico. O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou estar “profundamente preocupado” com a escalada da violência. Em meio ao caos, o governo militar de Assimi Goïta afirmou ter lançado uma contraofensiva com centenas de insurgentes mortos, enquanto relatos indicam a morte do ministro da Defesa, Sadio Camara.


os ataques incluíram tiroteios e explosões em Bamako, além de ofensivas contra uma grande base militar nos arredores da capital
os ataques incluíram tiroteios e explosões em Bamako, além de ofensivas contra uma grande base militar nos arredores da capital

No domingo seguinte aos ataques, ainda havia registros de tiroteios em pontos do país, evidenciando a persistência de uma crise que se arrasta há mais de 14 anos no Mali e se insere na longa trajetória de instabilidade produzida no Sahel, região marcada por intervenções externas, colapsos estatais e disputas por influência geopolítica. A violência simultânea em múltiplas frentes expôs a fragilidade do aparato estatal e a incapacidade de contenção de grupos armados que disputam território e rotas estratégicas em um país sem litoral e profundamente dependente de dinâmicas regionais.


Segundo informações divulgadas, os ataques de sábado incluíram tiroteios e explosões em Bamako, além de ofensivas contra uma grande base militar nos arredores da capital, com registros também em Gao e em áreas centrais do país. No norte, a cidade de Kidal permaneceu sob intenso confronto, reforçando a divisão territorial entre forças governamentais e insurgentes. Os grupos tuaregues, historicamente vinculados a projetos separatistas no norte do Mali, concentraram suas ações na tentativa de controle territorial, enquanto as organizações jihadistas ampliaram ataques em múltiplas frentes.

O governo militar liderado por Assimi Goïta, no poder desde os golpes de Estado de 2020 e 2021, afirmou que suas forças realizaram uma contraofensiva bem-sucedida no sábado, com a morte de centenas de combatentes insurgentes. Goïta, que consolidou sua permanência no comando das forças armadas após prometer restaurar a segurança nacional, governa em um contexto de reconfiguração das alianças externas do Mali, que expulsou forças francesas e a missão de treinamento da União Europeia em 2022, além de ter exigido a saída da missão da ONU MINUSMA em 2023.


A saída da MINUSMA, mandatada pelo Conselho de Segurança da ONU, agravou o vácuo de segurança em diversas regiões, enquanto o governo militar passou a reforçar sua cooperação com mercenários russos em operações de estabilização, em meio à disputa de influências internacionais no Sahel, onde antigas estruturas coloniais ainda moldam dependências econômicas e militares.


Relatos divulgados pela rede Al Jazeera indicam que o ministro da Defesa, General Sadio Camara, teria sido morto durante os ataques coordenados de sábado, embora o governo não tenha confirmado oficialmente a informação até o momento da divulgação das declarações.


O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em comunicado que está “profundamente preocupado” com a escalada dos ataques em todo o país e condenou as ações violentas, destacando a necessidade de proteção da população civil e da infraestrutura essencial. “O secretário-geral condena veementemente esses atos de violência, expressa solidariedade ao povo do Mali e destaca a necessidade de proteger os civis e a infraestrutura civil”, afirmou o comunicado das Nações Unidas.

As operações humanitárias da ONU continuam no país africano, coordenadas por um plano que busca atender cerca de 3,8 milhões de pessoas, dentro de um universo superior a cinco milhões em situação de necessidade urgente de assistência.


A principal representante da ONU no Mali, Hanaa Hamdy-Singer, declarou em publicação nas redes sociais que “nossos pensamentos estão com todos os civis afetados, especialmente aqueles que já enfrentaram dificuldades significativas e agora se deparam com novos desafios”.


Ela acrescentou que as Nações Unidas “permanecem firmes em seu compromisso de apoiar os civis necessitados e continuarão a monitorar de perto os acontecimentos”.


Nos últimos anos, grupos armados como o JNIM, afiliado à Al Qaeda, ampliaram sua presença no Sahel, atacando civis, centros econômicos e rotas comerciais, aprofundando uma crise de segurança que se articula com deslocamentos massivos e colapso de serviços públicos na região.

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