Minha Casa, Minha Vida é retomado por Lula e impulsiona queda do déficit habitacional
- www.jornalclandestino.org

- há 4 horas
- 3 min de leitura
O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) se consolidou como uma das principais vitrines do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com forte expansão no crédito habitacional entre 2023 e 2025. Os financiamentos cresceram 45% no período, com destaque para o Norte e o Nordeste, onde o avanço chegou a 84% e 63%, respectivamente. Os dados, divulgados com base em informações da Caixa Econômica Federal e repercutidos pelo jornal O Globo, revelam uma reconfiguração regional do acesso à moradia no país. O governo ampliou o teto de renda e os valores dos imóveis financiados, incorporando setores da classe média ao programa. Ao mesmo tempo, os números apontam redução do déficit habitacional ao menor nível histórico da série.

A expansão do MCMV ocorre em um contexto de reorganização das políticas públicas de habitação após anos de desmonte e baixa prioridade do setor, frequentemente subordinado a interesses financeiros e à lógica de austeridade imposta por agendas neoliberais alinhadas a pressões do capital internacional. O avanço do programa tem impacto direto em regiões historicamente marginalizadas pela estrutura econômica brasileira, como Norte e Nordeste, onde a ausência de infraestrutura habitacional sempre refletiu desigualdades herdadas do colonialismo interno e da concentração de renda.
Segundo dados da Caixa Econômica Federal, o Nordeste saltou de 91,2 mil para 149,2 mil contratos habitacionais entre 2023 e 2025. No Norte, o crescimento foi de 11,9 mil para 22 mil contratos no mesmo período. Essas regiões registraram os maiores índices de expansão proporcional, superando a média nacional e revelando uma mudança de eixo na política habitacional. O desempenho ocorre justamente em áreas onde o déficit de moradia historicamente se combina com baixos salários, informalidade e ausência de políticas estruturais de desenvolvimento.
O ministro das Cidades, Vladimir Lima, afirmou que o alto custo do aluguel segue como um dos principais obstáculos ao acesso à moradia no país. “Um dos componentes do déficit habitacional, o ônus excessivo com aluguel, quando as famílias (que ganham até 3 salários mínimos) pagam mais que 30% de sua renda, impedia que elas tivessem o valor de entrada para o financiamento do imóvel”, declarou. A fala explicita a contradição estrutural de um sistema urbano em que o direito à moradia é subordinado à lógica de mercado.
As mudanças no programa incluíram a elevação do teto de renda para até R$ 13 mil e o aumento do valor dos imóveis financiados para até R$ 600 mil, com juros abaixo das taxas de mercado. Antes, o limite era de R$ 8 mil, restringindo o acesso a faixas mais baixas da população. O governo também ampliou o orçamento do MCMV para R$ 200 bilhões em 2026, com meta de 3 milhões de unidades habitacionais até o fim do mandato, sustentado pelo aumento do aporte do Fundo Social de R$ 25 bilhões para R$ 45 bilhões.
O impacto estrutural dessa expansão já aparece nos indicadores nacionais. Dados da Fundação João Pinheiro mostram que o déficit habitacional caiu para 7,4% em 2024, o menor nível da série histórica, embora ainda represente cerca de 5,8 milhões de moradias em falta no país. No Norte, o índice recuou de 13,2% para 11,1%, enquanto no Nordeste caiu de 8,9% para 7,1%, igualando-se ao Sudeste.
A vice-presidente de Habitação da Caixa, Inês Magalhães, destacou que a integração entre estados e municípios por meio do MCMV Cidades foi decisiva para a ampliação da execução do programa. “Historicamente, a gente tinha uma execução menor no Norte e Nordeste. Isso melhorou bastante, a carteira subiu com as mudanças de 2023 e o MCMV Cidades. A construção civil tem uma característica muito interessante porque gera vagas, e o emprego aumenta a contribuição (do FGTS). Então é um ciclo virtuoso”, afirmou.
No setor da construção civil, o avanço do programa também é visto como motor de expansão do emprego formal. Clausens Duarte, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), afirmou que o número de trabalhadores no setor se aproximou de 3 milhões em 2025. “Se há aumento de unidades contratadas, a construção vai exigir mais mão de obra. Então, sem sombra de dúvida, representa um avanço para a economia local e regional”, declarou.
No primeiro trimestre de 2026, o MCMV registrou crescimento de 8,5% nas contratações em nível nacional, com alta de 44% no Norte e 27% no Nordeste, mantendo a concentração da expansão nas regiões historicamente mais afetadas pela precariedade habitacional e pela ausência de investimentos estruturais consistentes em infraestrutura urbana.



































