MST ocupa o Sambódromo e expõe ferida agrária do país
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A Acadêmicos do Tatuapé levará ao Sambódromo do Anhembi, na madrugada de 14 de fevereiro de 2026, um desfile dedicado à luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Com o samba-enredo “Plantar para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra”, a escola transforma o carnaval paulistano em tribuna contra a concentração fundiária. A proposta resulta de uma construção coletiva entre a agremiação e o MST, segundo informou a Página do MST em 5 de fevereiro de 2026. O desfile ocorre em meio ao avanço do agronegócio exportador e à permanência de um modelo agrário herdado do colonialismo. A apresentação está prevista para cerca de 2h15, no Anhembi, em São Paulo.

O enredo, segundo a escola, busca disputar narrativas historicamente controladas por elites rurais e dar centralidade à agricultura familiar, à agroecologia e à soberania alimentar. A iniciativa foi articulada ao longo de 2025 e lançada oficialmente em 9 de agosto do ano passado, durante feijoada na quadra da Acadêmicos do Tatuapé, na Rua Melo Peixoto, 1513, no bairro do Tatuapé. Os ensaios começaram em 16 de agosto e mobilizam a comunidade da escola desde então.
Eduardo Santos, presidente da Acadêmicos do Tatuapé, afirmou que a escolha do tema reflete a identidade política da agremiação. “Foi uma construção coletiva. O MST nos procurou para dialogar sobre temas como soberania alimentar e agroecologia, e percebemos uma sintonia imediata com a identidade da escola, que historicamente aborda causas sociais”, declarou em entrevista à Página do MST. Segundo ele, o objetivo é ampliar o alcance do debate: “É uma grande oportunidade de levar esse tema para milhões de pessoas”.
A diretora de carnaval, Patrícia Lafalce, destacou que o desfile confronta a caricatura frequentemente associada ao movimento. “Queremos mostrar que o MST vai muito além da ocupação de terras. O Movimento é um grande produtor de alimentos saudáveis e organiza comunidades inteiras com base na solidariedade e no cuidado com a terra”, afirmou. De acordo com ela, a narrativa apresentará a produção camponesa como contraponto direto ao modelo agrícola dependente de monoculturas e agrotóxicos.
O carnavalesco Wagner Santos detalhou a concepção estética e política do desfile. “O desfile vai fazer uma viagem simbólica pela história da terra e da luta”, disse, explicando que a narrativa parte da criação do mundo, avança para a crítica à concentração fundiária e chega à agroecologia como alternativa civilizatória. “Queremos retratar o MST como guardião da natureza e da vida. A mensagem é clara: a terra deve ser cuidada, partilhada e cultivada de forma coletiva”, afirmou.
Para Santos, o carnaval não é entretenimento neutro, mas espaço de disputa política. “Esperamos que o público compreenda que comida boa e saudável nasce da terra cuidada com amor e trabalho coletivo, não da ganância do latifúndio”, declarou. Ao transformar a avenida em arena de denúncia social, a Acadêmicos do Tatuapé insere o desfile de 2026 na tradição do samba como voz popular contra estruturas históricas de desigualdade no Brasil.









































