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Musk alerta para a IA que mata - enquanto ele mesmo lucra com a IA que mata

A disputa judicial entre Elon Musk e Sam Altman expôs divergências sobre segurança da Inteligência Artificial enquanto empresas do setor expandem contratos militares. Documentos e declarações indicam uso direto de sistemas de IA em operações de guerra conduzidas por Washington. O debate público sobre riscos futuros ocorre paralelamente à aplicação atual dessas tecnologias em ações letais.


O empresário estadunidense Mark Zuckerberg e o bilionário da tecnologia Elon Musk ficam frente a frente como parte da instalação de arte interativa “Regular Animals” (animais comuns), do artista estadunidense Beeple. | Foto: John MACDOUGALL / AFP via Getty Images
O empresário estadunidense Mark Zuckerberg e o bilionário da tecnologia Elon Musk ficam frente a frente como parte da instalação de arte interativa “Regular Animals” (animais comuns), do artista estadunidense Beeple. | Foto: John MACDOUGALL / AFP via Getty Images

Em audiência realizada em 30 de abril de 2026 no Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Oakland, Elon Musk afirmou que o desenvolvimento de Inteligência Artificial pode resultar em “matar todos nós” e mencionou o cenário do filme “O Exterminador do Futuro”. A ação judicial questiona a transformação da OpenAI, fundada em 2015 como organização sem fins lucrativos, em empresa voltada ao lucro sob liderança de Sam Altman. Musk sustenta que a mudança compromete o objetivo inicial de desenvolver tecnologia com foco em segurança e benefício público.


O debate apresentado no processo enfatiza riscos futuros associados à chamada “inteligência artificial geral”, conceito relacionado à capacidade de máquinas executarem raciocínio em nível humano. No entanto, sistemas atuais já são utilizados em operações militares. Segundo o Washington Post, o modelo Claude, da empresa Anthropic, foi empregado para sugerir alvos, fornecer coordenadas e estabelecer prioridades em operações no Irã.


Amoh Toh, do Programa de Liberdade e Segurança Nacional do Brennan Center, declarou ao The Intercept que “os riscos de integrar inteligência artificial de ponta às capacidades mais letais do país já são existenciais”. Ele acrescentou que “os modelos de IA existentes já estão levando legisladores e militares a uma escalada nuclear”.


Empresas do setor tecnológico mantêm contratos com o Departamento de Guerra dos Estados Unidos. Amazon, OpenAI, Microsoft e a xAI, ligada a Musk, fornecem serviços de modelagem de linguagem ao Pentágono. A Anthropic também mantém relação com o aparato militar. Em publicação realizada após bombardeio estadunidense a uma escola primária no Irã que matou mais de 100 crianças, o diretor executivo Dario Amodei escreveu que a empresa possui mais proximidade com o Departamento de Guerra do que diferenças.


O Google ampliou sua participação em contratos militares após recuar de posição adotada em 2018, quando funcionários protestaram contra o Projeto Maven, voltado ao apoio a ataques aéreos. À época, o diretor executivo Sundar Pichai declarou que a empresa não desenvolveria tecnologia cujo objetivo fosse causar danos a pessoas. Em 2026, a empresa firmou acordo com o Pentágono para fornecer serviços de Inteligência Artificial aplicáveis a “cargas de trabalho classificadas”, segundo o portal The Information.


O contrato permite o uso de sistemas de IA para “qualquer finalidade governamental legítima”. Esse tipo de formulação inclui operações como a Operação Southern Spear, campanha aérea contra embarcações civis acusadas de tráfico de drogas, que resultou em mais de 180 mortes. A legalidade dessas ações foi sustentada por memorando do Departamento de Justiça não divulgado publicamente.


O acordo inclui cláusula que afirma compromisso com restrições ao uso de IA em vigilância doméstica e armamento autônomo sem supervisão humana. Ao mesmo tempo, o Departamento de Guerra anunciou contratos adicionais com Nvidia, Microsoft e Amazon para uso operacional.


William Fitzgerald, ex-funcionário do Google que participou da mobilização contra o Projeto Maven, afirmou que a atuação da empresa integra um sistema tecnológico-militar em operação. “A realidade do trabalho do Google com os militares é que ele faz parte de um ecossistema tecnológico-militar que está matando pessoas atualmente”, disse.


A porta-voz do Google, Kate Dreyer, destacou aplicações em logística, segurança cibernética, tradução diplomática e manutenção de infraestrutura, sem comentar diretamente o uso em operações de combate.


Em discurso realizado em janeiro de 2026 para funcionários da SpaceX, o Secretário de Guerra Pete Hegseth afirmou que a adoção de Inteligência Artificial tornaria as forças armadas “mais letais”. Musk e Altman mantêm posições públicas de apoio à política externa estadunidense. Musk escreveu em 2023: “Lutarei e morrerei pela América”. Altman passou a associar a atuação da OpenAI a objetivos nacionais.


Pesquisadores envolvidos no desenvolvimento dessas tecnologias manifestaram oposição ao uso militar. Andreas Kirsch, cientista do laboratório DeepMind, escreveu: “Estou sem palavras com o fato de o Google ter assinado um acordo para usar nossos modelos de IA em tarefas confidenciais. Francamente, é vergonhoso”. Alex Turner, também do DeepMind.

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