"O Irã não cederá às exigências excessivas dos EUA." Pezeshkian
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O presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou nesta segunda-feira (25) que o Irã não aceitará exigências impostas pelos Estados Unidos durante as negociações mediadas pelo Paquistão. A declaração ocorreu em Teerã durante reunião com integrantes da Câmara de Comércio iraniana, em meio às tratativas iniciadas após 40 dias de confrontos entre Irã, Estados Unidos e o regime israelense. O governo iraniano sustenta que a ofensiva militar lançada em 28 de fevereiro por Washington e Tel Aviv fracassou em seus objetivos políticos e militares e foi seguida por pressão econômica e diplomática contra Teerã.

“A República Islâmica do Irã não se submeterá, sob nenhuma circunstância, a pressões ou exigências excessivas”, declarou Pezeshkian, segundo a HispanTV e o portal oficial da presidência iraniana, President.ir. O presidente afirmou que a política externa iraniana e o processo de negociação “foram concebidos de forma a garantir plenamente os direitos da nação iraniana”.
A fala ocorreu durante encontro com representantes do setor econômico iraniano realizado em Teerã em 25 de maio de 2026. Pezeshkian relacionou a pressão diplomática estadunidense à ofensiva militar iniciada em fevereiro contra o Irã e afirmou que, após o fracasso da operação militar conduzida pelos Estados Unidos e pelo regime de Tel Aviv, os adversários de Teerã passaram a concentrar esforços na guerra econômica.
“Durante a recente crise, não houve escassez significativa de mercadorias nem perturbações graves no mercado”, afirmou o presidente iraniano. Pezeshkian também declarou que o governo iraniano e o setor privado enfrentarão o cenário econômico “por meio da solidariedade, coesão e cooperação conjunta”.
O presidente acrescentou que países vizinhos do Irã ampliaram o interesse em cooperação econômica mesmo após os confrontos militares. “Apesar das condições de segurança na região, muitos dos países vizinhos do Irã, no noroeste e leste do país, estão mais dispostos do que nunca a expandir a cooperação econômica e comercial”, declarou.
As negociações entre Teerã e Washington ocorrem após o cessar-fogo firmado em 8 de abril e mediado pelo Paquistão em Islamabad. O acordo interrompeu confrontos iniciados em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e o regime de Tel Aviv lançaram ataques contra o Irã que resultaram no martírio do Líder Ali Khamenei e de comandantes do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica.
Após os ataques, as Forças Armadas iranianas iniciaram uma campanha de contra-ataques contra posições militares estadunidenses e israelenses. Segundo autoridades iranianas, foram realizadas 100 ondas de operações ao longo de 40 dias contra alvos militares ligados aos Estados Unidos e ao regime israelense. O governo iraniano sustenta que os ataques provocaram danos em instalações militares e alteraram o equilíbrio regional estabelecido desde décadas de presença militar estadunidense na Ásia Ocidental.
A operação militar iraniana ocorreu sob a denominação Promessa Verdadeira 4 e foi apresentada por Teerã como resposta direta à ofensiva iniciada por Washington e Tel Aviv. O governo iraniano também passou a defender publicamente que a campanha militar demonstrou limites da capacidade estadunidense de impor mudanças políticas pela força na região.
No mesmo dia da declaração de Pezeshkian, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqai, afirmou que a rodada atual de negociações com os Estados Unidos não inclui discussões sobre o programa nuclear iraniano nem sobre o Estreito de Ormuz. Segundo Baqai, o objetivo das conversas é encerrar os confrontos iniciados após os ataques de fevereiro.
A HispanTV também informou que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, declarou à Organização das Nações Unidas que “as exigências excessivas” dos Estados Unidos dificultam o avanço das negociações mediadas pelo Paquistão. Segundo Araghchi, Teerã mantém disposição para assegurar internacionalmente que o país não busca armas nucleares, mas rejeita imposições relacionadas à soberania iraniana.
As negociações entre Irã e Estados Unidos ocorrem em paralelo à ampliação da presença militar estadunidense na Ásia Ocidental e ao aprofundamento do genocídio palestino conduzido por Israel desde outubro de 2023 com apoio militar, financeiro e diplomático de Washington. O governo iraniano relaciona a pressão exercida pelos Estados Unidos contra Teerã à estratégia estadunidense de preservação de sua presença militar regional e de contenção de forças políticas alinhadas ao eixo da Resistência na região.
Nos últimos dias, delegações iranianas também viajaram ao Catar para novas rodadas de conversas diplomáticas envolvendo representantes estadunidenses e mediadores paquistaneses. Paralelamente às negociações, Teerã autorizou a passagem de mais 32 navios pelo Estreito de Ormuz, segundo informações divulgadas pela imprensa iraniana.



































