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OMS: casos de ebola avançam na RD Congo e Uganda

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou em 1º de junho que o atual surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda já contabiliza 263 casos confirmados e 43 mortes. A cepa identificada pertence à variante Bundibugyo, para a qual não existe vacina licenciada nem tratamento específico aprovado. O avanço da doença ocorre em uma região marcada por deslocamentos populacionais, confrontos armados e dependência de assistência humanitária.


Duas semanas após a confirmação dos primeiros casos, autoridades sanitárias dos dois países registraram 263 infecções confirmadas. Dos casos contabilizados, 43 evoluíram para morte, segundo dados divulgados pela OMS. O epicentro do surto localiza-se na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo. A região concentra parte dos casos detectados desde o início de maio e abriga populações afetadas por confrontos entre grupos armados que operam no território há anos.


A OMS informou que 16 profissionais de saúde foram infectados durante o atendimento aos pacientes nos estágios iniciais da epidemia. Cinco deles receberam alta hospitalar após tratamento, incluindo quatro enfermeiros que deixaram unidades médicas nos últimos dias.

A especialista da OMS Anaïs Legand afirmou que os sintomas iniciais da doença podem ser confundidos com outras enfermidades presentes na região. Entre os sinais registrados estão febre alta, dores musculares e dores de cabeça. Segundo a organização, a transmissão do vírus já ocorre nesse estágio inicial da infecção.


Legand alertou que familiares envolvidos nos cuidados aos pacientes também podem contrair a doença durante o contato direto com pessoas infectadas. Por essa razão, a OMS intensificou campanhas de informação voltadas para comunidades expostas ao surto.


A organização sustenta que a contenção do ebola depende da participação das populações afetadas. Equipes de saúde atuam na orientação de moradores para identificar sintomas, comunicar casos suspeitos e adotar medidas de isolamento quando necessário.


A situação sanitária se desenvolve paralelamente a uma crise humanitária em Ituri. Dados citados pela OMS indicam que 1,2 milhão de pessoas necessitam de assistência humanitária na província em consequência dos confrontos entre grupos étnicos armados e dos deslocamentos forçados decorrentes da violência.


A combinação entre instabilidade política, deslocamentos populacionais e limitações da infraestrutura sanitária amplia os obstáculos para o controle da epidemia. Regiões afetadas por confrontos armados enfrentam dificuldades para manter sistemas permanentes de vigilância epidemiológica e acesso contínuo a serviços de saúde.


Desde a confirmação dos primeiros casos, diferentes agências das Nações Unidas iniciaram operações de apoio às autoridades congolesas e ugandesas. A Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo, Monusco, foi mobilizada para apoiar atividades relacionadas à resposta sanitária.


O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) informou o envio de mais de 100 toneladas de suprimentos para a República Democrática do Congo. A carga inclui medicamentos, equipamentos médicos e materiais destinados ao atendimento de pacientes e à proteção das equipes de saúde.


Em 1º de junho, o diretor regional da OMS para a África confirmou a chegada de uma nova remessa de insumos médicos à cidade de Bunia, capital da província de Ituri. O material integra a estratégia de ampliação da capacidade de resposta nos centros de atendimento da região.

Durante visita à República Democrática do Congo, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que a continuidade do apoio internacional será necessária para sustentar o trabalho das equipes médicas mobilizadas contra o surto.


A OMS informou que o número de pessoas recuperadas tende a aumentar quando o diagnóstico ocorre nos estágios iniciais da infecção. Os cinco profissionais de saúde que receberam alta fazem parte dos primeiros casos de recuperação registrados desde o início de maio.


A variante Bundibugyo identificada no atual surto apresenta taxa de letalidade situada entre 30% e 50%, segundo dados da OMS. Anaïs Legand afirmou que, diante da ausência de tratamento específico aprovado, cinco em cada dez pessoas infectadas podem morrer em determinadas circunstâncias epidemiológicas.


Sem vacina licenciada para essa cepa, as autoridades sanitárias concentram os esforços em métodos utilizados em surtos anteriores. Entre as medidas aplicadas estão testes rápidos, rastreamento de contatos, monitoramento de cadeias de transmissão e isolamento de pacientes infectados.


A OMS informou que trabalha em conjunto com os governos da República Democrática do Congo e de Uganda para acelerar respostas médicas contra a variante Bundibugyo. O Ministério da Saúde congolês, a organização e instituições parceiras articulam o início de ensaios clínicos envolvendo vacinas experimentais e tratamentos que já foram identificados para avaliação científica.

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