ONU alerta para agravamento das tensões entre República Democrática do Congo, Ruanda e Burundi
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Altos funcionários da Organização das Nações Unidas alertaram que as tensões entre a República Democrática do Congo, Ruanda e Burundi permanecem em nível crítico. O aviso foi feito durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, em meio à deterioração simultânea das condições humanitárias e de segurança na região. Huang Xia, enviado especial do Secretário-Geral da ONU para a região dos Grandes Lagos, afirmou que “o risco de um agravamento para um confronto regional permanece palpável”.

A ONU também registrou a persistência de acordos diplomáticos sem implementação efetiva no terreno, apesar de novos mecanismos de monitoramento da trégua. O alerta ocorre em paralelo à continuidade dos combates no leste da República Democrática do Congo, onde a coligação AFC/M23 mantém avanço territorial.
Altos funcionários da Organização das Nações Unidas declararam, em 16 de abril de 2026, que a região dos Grandes Lagos africanos atravessa uma fase de tensões persistentes entre a República Democrática do Congo, Ruanda e Burundi, com deterioração simultânea das condições humanitárias e de segurança, apesar de iniciativas diplomáticas em curso. O pronunciamento foi realizado em sessão do Conselho de Segurança da ONU, onde se destacou que a distância entre compromissos políticos assinados e a realidade operacional no terreno permanece como um dos principais fatores de instabilidade regional.
O enviado especial do Secretário-Geral da ONU para a região dos Grandes Lagos, Huang Xia, afirmou na reunião que “o risco de um agravamento para um confronto regional permanece palpável”, acrescentando ainda que o Conselho “não pode se dar ao luxo de ver a repetição de um ciclo de violência que vem analisando há muito tempo”. Huang Xia também apontou que “a contínua erosão da confiança entre os atores da região explica, em parte, a persistente discrepância entre os compromissos políticos e a realidade no terreno”, descrevendo essa desconexão como um “desafio coletivo central” para a estabilização da área.
A declaração da ONU foi feita em um contexto em que novos mecanismos de coordenação diplomática foram anunciados, incluindo um memorando de entendimento assinado na Suíça entre Kinshasa e representantes do movimento armado AFC-M23, voltado à implementação de monitoramento da trégua no leste da República Democrática do Congo. Segundo informações apresentadas no mesmo debate, um acordo-quadro anterior havia sido firmado em Doha no ano anterior e validado em dezembro, mas sua aplicação não conseguiu conter a continuidade dos confrontos entre as partes envolvidas.
No terreno, os combates seguem ativos no leste congolês, com a coalizão rebelde AFC/M23 mantendo o controle de áreas extensas desde o início de 2025, incluindo avanços sobre centros urbanos estratégicos como Goma, capital da província de Kivu do Norte, e Bukavu, capital de Kivu do Sul. As acusações mútuas de violação de cessar-fogo entre os lados envolvidos persistem, enquanto a ONU registra o agravamento simultâneo das condições de deslocamento populacional e insegurança generalizada na região.
A situação ocorre em meio ao enfraquecimento contínuo das estruturas de confiança política entre os Estados envolvidos, com sucessivas iniciativas de mediação internacional coexistindo com a expansão territorial de grupos insurgentes e a manutenção de operações militares regulares na região dos Grandes Lagos, conforme relatado na sessão do Conselho de Segurança da ONU realizada em Nova York.



































