ONU alerta para aumento da insegurança alimentar no Líbano
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A Organização das Naçõeonu-alerta-para-aumento-da-insegurança-alimentar-no-líbanos Unidas alertou em 10 de abril de 2026 para o rápido agravamento da insegurança alimentar no Líbano em meio à escalada militar regional. Dados do Programa Alimentar Mundial indicam que cerca de 900 mil pessoas já enfrentavam insegurança alimentar antes do atual agravamento. O bloqueio logístico, a alta dos preços e a destruição produtiva ampliaram o risco de fome em larga escala no país. Apenas dez comboios humanitários conseguiram operar desde o início das hostilidades, enquanto outros foram impedidos por falta de segurança. Autoridades da ONU apontam que o cenário resulta diretamente da intensificação dos confrontos envolvendo Israel, Irã e seus desdobramentos regionais.

A diretora do Programa Alimentar Mundial no Líbano, Allison Oman, afirmou em declaração a jornalistas em Genebra que a operação humanitária enfrenta obstáculos crescentes no terreno. Segundo ela, os comboios ainda estão funcionando, mas o ambiente operacional tornou-se progressivamente mais complexo. A responsável destacou que a segurança deixou de ser garantida, enquanto as necessidades da população aumentam de forma acelerada. Oman explicou que, embora dez comboios tenham conseguido partir desde o início do conflito, muitos outros não conseguiram operar porque a segurança não podia ser assegurada.
O agravamento da crise alimentar está diretamente ligado à ruptura das cadeias de abastecimento e à paralisação da produção agrícola, especialmente no sul do Líbano. Agricultores foram impedidos de cultivar suas terras devido à intensificação das operações militares e à insegurança persistente nas áreas rurais. A situação é agravada pelas dificuldades de transporte interno e pela elevação dos custos globais de combustíveis e fertilizantes, fatores que pressionam ainda mais a produção e distribuição de alimentos.
A escalada militar que atingiu o Líbano teve início em 2 de março de 2026, quando o Hezbollah lançou mísseis contra Israel após o martírio de Khamenei, ocorrido em 28 de fevereiro durante a ofensiva conjunta de Israel e forças estadunidenses contra o Irã. Esse episódio ampliou o teatro de operações para além das fronteiras iranianas, arrastando o território libanês para o centro de uma dinâmica regional marcada por intervenções militares e alianças estratégicas.
Atualmente, um cessar-fogo frágil está em vigor entre Irã e Estados Unidos, mas a continuidade das operações israelenses no território libanês mantém o risco de ruptura da trégua. A persistência dessas ações militares impede a estabilização das rotas humanitárias e compromete a distribuição de assistência alimentar em regiões críticas.
O Programa Alimentar Mundial apelou por acesso seguro e contínuo às áreas afetadas, enfatizando a necessidade de garantir a chegada de ajuda às comunidades mais vulneráveis, especialmente em zonas de difícil acesso. A organização alertou que a deterioração das condições de segurança limita a capacidade de resposta humanitária e amplia o risco de agravamento da crise.
Segundo Allison Oman, o país já apresenta sinais claros de deterioração acelerada das condições de vida, com aumento generalizado dos preços dos alimentos, particularmente de itens básicos como pão e legumes. A responsável afirmou que as famílias enfrentam uma combinação crítica de fatores, incluindo alta de preços, queda de rendimentos e aumento da demanda por assistência, em um contexto onde o Líbano já atravessava uma grave crise econômica antes da atual escalada militar.
A ONU indicou que uma nova análise sobre a insegurança alimentar no país deverá ser publicada na semana seguinte, com tendência de aumento no número de pessoas afetadas, ampliando o quadro já existente de vulnerabilidade estrutural.



































