Palestinos lotam a Mesquita de Al-Aqsa para realizar suas primeiras orações de sexta-feira após cinco semanas de restrições
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Dezenas de milhares de palestinos retornaram à Mesquita de Al-Aqsa em 10 de abril de 2026, após 41 dias de fechamento imposto por Israel. A reabertura ocorreu após um cessar-fogo temporário entre Irã e Estados Unidos, que havia sido usado como justificativa para o bloqueio religioso. Dados no local indicam forte presença policial israelense e manutenção de restrições de acesso, especialmente contra jovens palestinos. O fechamento, iniciado em 28 de fevereiro, impediu inclusive orações durante o Ramadã e o Eid al-Fitr, fato inédito desde 1967. Relatos apontam que a medida paralisou a vida social na Jerusalém Oriental ocupada e intensificou o controle sobre a população palestina.

Na primeira oração de sexta-feira após a reabertura, multidões ocuparam a Mesquita de Al-Aqsa, localizada na Cidade Velha de Jerusalém Oriental, território sob ocupação israelense desde 1967. Segundo registros locais, palestinos chegaram desde as primeiras horas do dia, muitos deles após semanas impedidos de acessar o local sagrado. A cena foi marcada por forte emoção, com fiéis relatando dificuldade em conter lágrimas diante do retorno ao espaço religioso após mais de um mês de bloqueio.
O fechamento da mesquita foi determinado por Israel em 28 de fevereiro de 2026, no mesmo dia em que ataques foram lançados contra o Irã, utilizados como justificativa oficial para a medida. Durante esse período, apenas funcionários da mesquita e membros da Administração Islâmica de Waqf de Jerusalém tiveram autorização para realizar orações no local, enquanto a população palestina foi forçada a recorrer a mesquitas menores espalhadas pela cidade.
A restrição coincidiu com o mês do Ramadã, quando Israel impediu a realização das orações de Tarawih, das orações de sexta-feira e das práticas religiosas diárias em Al-Aqsa. A proibição também alcançou o Eid al-Fitr, cuja oração coletiva não pôde ser realizada na mesquita pela primeira vez desde o início da ocupação israelense da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, em 1967.
Durante esse período, forças israelenses também reprimiram tentativas de realização de orações nas proximidades da mesquita, atacando palestinos que buscavam manter práticas religiosas fora do perímetro bloqueado. Com a reabertura, no entanto, o controle militar permaneceu evidente, com a mobilização de grande contingente policial e instalação de postos de controle em diferentes acessos à Cidade Velha.
Testemunhos indicam que fiéis foram obrigados a atravessar esses pontos de controle para acessar a mesquita, sendo submetidos a inspeções e restrições seletivas. Jovens palestinos, em particular, foram impedidos de entrar em diversos casos, reforçando o caráter discriminatório das medidas adotadas.
Além disso, foi registrada a presença de grupos de policiais israelenses dentro do complexo de Haram al-Sharif, especialmente nas imediações do Domo da Rocha, em um movimento considerado provocativo diante da reabertura do espaço religioso. Essa presença militar interna contrasta com o status tradicional do local, que historicamente prevê administração religiosa islâmica.
Durante as cinco semanas de fechamento, a paralisação da vida social na Jerusalém Oriental ocupada foi significativa, especialmente na Cidade Velha, onde a atividade econômica e comunitária está diretamente ligada ao fluxo religioso em Al-Aqsa. Com a reabertura, a região voltou a registrar intensa movimentação de palestinos, evidenciando a centralidade da mesquita na vida cotidiana da população local.
A reabertura ocorre em meio a um cenário mais amplo de tensões regionais, no qual ações militares israelenses e alinhamentos estratégicos com interesses estadunidenses têm repercussões diretas sobre territórios ocupados e populações civis palestinas, particularmente no contexto do genocídio em curso desde outubro de 2023.



































