ONU celebra Doha, mas leste do Congo segue em chamas
- www.jornalclandestino.org

- 9 de fev.
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A Organização das Nações Unidas reconheceu em 5 de fevereiro de 2026 avanços diplomáticos nas negociações sobre o leste da República Democrática do Congo, enquanto alerta para a continuidade da violência no terreno. As conversas são mediadas pelo Catar entre o governo congolês e o grupo armado M23, que controla extensas áreas de Kivu do Norte e Kivu do Sul. Em paralelo, negociações entre a RDC e Ruanda contam com mediação estadunidense, segundo comunicado das Nações Unidas. Apesar dos acordos recentes, a ONU afirma que a situação de segurança permanece instável e em deterioração. O cenário expõe os limites de soluções diplomáticas tuteladas por potências externas em um território historicamente marcado por ingerências regionais e internacionais.

O M23, também conhecido como Movimento 23 de Março, consolidou seu controle territorial após ofensivas em janeiro de 2025, quando tomou Goma, capital de Kivu do Norte, e, semanas depois, Bukavu, capital de Kivu do Sul. Desde então, o grupo estabeleceu administrações paralelas nas áreas ocupadas, aprofundando o deslocamento de civis e a fragmentação institucional da região. A ONU sustenta que o M23 recebe apoio das Forças Armadas de Ruanda, acusação reiterada em relatórios oficiais e sistematicamente negada por Kigali.
No âmbito do Acordo-Quadro de Doha, assinado em novembro de 2025, autoridades congolesas e representantes do M23 firmaram em 2 de fevereiro de 2026 um documento que define os termos de referência para um mecanismo de monitoramento e verificação do cessar-fogo. O texto busca operacionalizar compromissos assumidos após meses de combates que agravaram a crise humanitária no leste do país.
Discussões separadas entre a RDC e Ruanda resultaram nos chamados Acordos de Washington, assinados em dezembro de 2025 pelos presidentes Félix Tshisekedi e Paul Kagame, com mediação estadunidense. A ONU, contudo, registrou que, mesmo após esses entendimentos, os primeiros meses de 2026 foram marcados por novos incidentes armados e deterioração das condições de segurança, evidenciando a fragilidade dos pactos firmados fora do território congolês.
Diante desse quadro, a missão de paz da ONU na RDC, a MONUSCO, renovou o apelo por uma cessação imediata das hostilidades, lembrando que resolução do Conselho de Segurança adotada em 2025 autoriza apoio técnico e logístico a um cessar-fogo permanente. “A MONUSCO está pronta para apoiar um mecanismo credível de monitorização e verificação do cessar-fogo, dentro dos limites do seu mandato, tal como definido pelo Conselho de Segurança, e em pleno respeito pela soberania da República Democrática do Congo”, afirmou Vivian van de Perre, representante especial adjunta do secretário-geral e chefe interina da missão.
Em declarações à ONU News, a porta-voz da MONUSCO, Ndeye Khady Lo, classificou os avanços em Doha como “um sinal positivo” para tornar “a arquitetura do cessar-fogo mais concreta e operacional”. Ela informou que uma equipe inicial de forças de paz será enviada à cidade de Uvira, em Kivu do Sul, para apoiar o mecanismo de monitoramento, ressaltando que a presença será limitada e não representa o retorno permanente da missão à província, deixada pela ONU em junho de 2024.



































