top of page
  • LOGO CLD_00000

ONU lança novo apelo para atender vítimas da crise no Líbano

As Nações Unidas lançaram em 5 de junho um novo apelo humanitário de US$ 331,5 milhões para atender 1,4 milhão de pessoas afetadas pela crise no Líbano. O pedido foi apresentado enquanto ataques israelenses e ações militares do Hezbollah continuam apesar de um cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos. Dados da ONU indicam que mais de 3,5 mil pessoas morreram, cerca de 10 mil ficaram feridas e quase 1 milhão permanecem deslocadas após três meses de confrontos.


©Council on Foreign Relations
©Council on Foreign Relations

O novo apelo foi anunciado pelo coordenador humanitário das Nações Unidas no Líbano, Imran Riza, que afirmou que as necessidades da população seguem aumentando à medida que os ataques prosseguem em diferentes regiões do país. Segundo a ONU, os recursos adicionais serão destinados a operações de assistência humanitária voltadas para alimentação, abrigo, saúde, saneamento e proteção de civis afetados pela violência.


A iniciativa ocorre um dia após o anúncio de um novo cessar-fogo mediado pelo governo estadunidense. Apesar da declaração, agências de notícias relataram a continuidade de ataques por parte de Israel e do Hezbollah em território libanês. O episódio repete uma dinâmica observada em outras etapas da crise, nas quais anúncios diplomáticos foram acompanhados por ações militares em campo.


Falando de Beirute, Imran Riza relatou os efeitos dos bombardeios e ataques com drones sobre a infraestrutura civil do país. Segundo ele, hospitais e clínicas foram atingidos, edifícios governamentais sofreram destruição e áreas agrícolas foram incendiadas. O coordenador informou ainda que estações de tratamento de água foram danificadas e que diversas escolas passaram a funcionar como abrigos para deslocados internos.


Os números divulgados pelas Nações Unidas mostram a dimensão da crise humanitária. Em três meses de confrontos, mais de 3,5 mil pessoas perderam a vida e aproximadamente 10 mil ficaram feridas. Quase 1 milhão de habitantes seguem fora de suas residências, formando uma das maiores ondas de deslocamento interno registradas no Líbano nos últimos anos.


A ONU destacou que a destruição de moradias, serviços públicos e instalações médicas ampliou a dependência da população em relação à ajuda internacional. O organismo também apontou que o deslocamento prolongado cria obstáculos para o acesso a serviços básicos e aumenta a pressão sobre comunidades que recebem famílias deslocadas.

Riza afirmou que muitas famílias enfrentam deslocamentos repetidos e convivem com incertezas sobre a possibilidade de retorno às suas casas. Segundo o coordenador humanitário, a prestação de assistência em meio aos ataques enfrenta dificuldades logísticas e demanda ampliação dos recursos financeiros disponíveis para as agências humanitárias.


Entre os casos apresentados pela ONU está o de Ali, uma criança de cinco anos ferida durante os ataques realizados em Beirute em 8 de abril. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o menino sofreu trauma facial e outros ferimentos após ser encontrado sob os escombros de um edifício atingido. Sua mãe e sua avó morreram no mesmo episódio.


As Nações Unidas também alertaram para os impactos da crise sobre mulheres e meninas. O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) informou que o deslocamento em massa elevou a exposição da população feminina a situações de violência.

O diretor-executivo adjunto do UNFPA, Andrew Saberton, declarou durante videoconferência realizada a partir do Cairo que “os abrigos superlotados carecem de privacidade, saneamento adequado e medidas básicas de proteção”. Segundo o representante da agência, mais de 600 mil mulheres e meninas encontram-se sob risco de sofrer violência de gênero.


O UNFPA estima que ocorram aproximadamente 1,8 mil partos por mês no Líbano. Saberton informou que hospitais e centros de saúde primários interromperam atividades após serem atingidos pelos ataques ou devido às condições de segurança. O dirigente afirmou que a continuidade das operações militares dificulta o acesso de mulheres grávidas a serviços de saúde materna.


O agravamento da situação ocorre em um cenário marcado por décadas de instabilidade regional, ocupações militares, intervenções externas e sucessivas operações israelenses em território libanês. A persistência dos ataques após o anúncio de um cessar-fogo patrocinado por Washington reforça questionamentos sobre a capacidade das iniciativas diplomáticas conduzidas pelos aliados de Israel de interromper a destruição e garantir proteção à população civil.


Fonte: ONU News, 5 de junho de 2026.

apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

bottom of page