Pentágono apaga soldados estadunidenses feridos da lista de baixas da guerra no Irã
- www.jornalclandestino.org

- 23 de abr.
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O Departamento de Guerra dos Estados Unidos alterou silenciosamente os números oficiais de baixas militares em meio à guerra contra o Irã. Quinze soldados feridos foram retirados da contagem oficial sem qualquer explicação pública, provocando questionamentos sobre a transparência do Pentágono. Os dados de vítimas de guerra, que já vinham sendo alvo de controvérsia, oscilaram repetidamente entre diferentes versões divulgadas em poucos dias. O episódio ocorre durante um cessar-fogo frágil entre Washington e Teerã, enquanto a administração Trump prorroga a trégua em meio a tensões militares persistentes. As inconsistências reforçam acusações internas de encobrimento e manipulação estatística das baixas estadunidenses no conflito.

Em 22 de abril de 2026, o jornalista Nick Turse revelou que o Pentágono vem “jogando um jogo de números” com as estatísticas de mortos e feridos na guerra dos Estados Unidos contra o Irã, conforme dados internos do próprio Departamento de Guerra. No dia da entrada em vigor do cessar-fogo, o total oficial de baixas estadunidenses era de 385. Nos dias seguintes, esse número subiu para 428 segundo registros atualizados pelo Pentágono, mas na terça-feira caiu abruptamente para 413 após a retirada de 15 soldados feridos sem qualquer comunicado oficial. No dia seguinte, uma nova contagem pública ainda apresentou outro total, 411, aprofundando a confusão estatística sobre o real impacto humano da guerra.
A retirada dos 15 feridos ocorreu sem explicação do Departamento de Guerra, mesmo após questionamentos diretos de jornalistas. Dois porta-vozes do Pentágono afirmaram não ter informações disponíveis no momento e disseram que apenas o “oficial de plantão” poderia responder, mas ele não estava presente. Um dia depois, o jornal The Intercept ainda não havia recebido justificativa sobre a exclusão dos militares da contagem oficial. O episódio coincidiu com a decisão do presidente Donald Trump de estender a trégua com o Irã poucas horas antes de seu vencimento.
Segundo fontes internas citadas pelo próprio The Intercept, o Sistema de Análise de Vítimas de Defesa (DCAS), responsável por monitorar mortos, feridos e doentes das forças armadas para o Congresso e para o presidente, estaria subnotificando centenas de casos. Um funcionário descreveu a situação como um “encobrimento de vítimas”, afirmando que a ocultação dos dados “já diz muito” e representa, em suas palavras, “a definição de encobrimento”. Ex-funcionários do sistema afirmam que, historicamente, os registros eram atualizados diariamente e com rapidez durante conflitos anteriores, como na chamada guerra ao terror.
Joan Crenshaw, que trabalhou no DCAS, afirmou ao The Intercept que, nos anos 2000 e início dos anos 2010, os dados eram registrados quase em tempo real, com pouca defasagem entre o campo de batalha e a atualização oficial. Ela questionou por que lesões por inalação de fumaça registradas no USS Gerald R. Ford após um incêndio em 12 de março não aparecem nas estatísticas públicas atuais. Segundo ela, “isso deveria ter sido registrado no DCAS”, acrescentando: “Minha preocupação é por que essa peça agora sumiu”.
Outra fonte que atuou no sistema durante a guerra ao terror, sob anonimato, afirmou que há dúvidas sobre o que o Pentágono “tem a esconder”. O Escritório do Secretário de Guerra não respondeu sobre o atraso na contabilização de feridos nem sobre o aumento inconsistente dos números desde o cessar das hostilidades em 8 de abril, quando o conflito entrou em nova fase de baixa intensidade após operações militares no Oriente Médio.
Os dados oficiais também ignoram feridos não relacionados a combate. Pelo menos 63 marinheiros teriam sido feridos em ação direta, enquanto mais de 200 casos de inalação de fumaça ou lacerações após incêndio no USS Gerald R. Ford não aparecem nas estatísticas públicas. Outro incidente ocorreu no USS Abraham Lincoln, que participou de missões de ataque ligadas à “Operação Epic Fury” em 25 de março, envolvendo um marinheiro com ferimentos não contabilizados oficialmente.
Estudos militares citados pelo próprio sistema de defesa indicam que doenças e lesões não relacionadas a combate (DNBI) representam entre 80% e 85% das evacuações em conflitos recentes, como no Afeganistão e no Iraque, superando amplamente os ferimentos em combate direto. Uma análise da revista Military Medicine de 2024 afirma que esses casos historicamente constituem o principal tipo de baixa militar em guerras modernas.
Durante a guerra contra o Irã, o Pentágono também subnotificou mortes. O comandante do CENTCOM, almirante Brad Cooper, declarou em coletiva que “sempre honraremos os caídos” e mencionou 13 mortos em operações militares. O DCAS também lista 13 mortes, mas registros internos apontam a ausência do major Sorffly Davius, da Guarda Nacional do Exército de Nova York, que teria morrido em serviço no Kuwait em 6 de março de 2026, segundo declarações do deputado Mike Lawler e do Estado-Maior Conjunto.
O presidente Donald Trump declarou em entrevista que “perdemos 13 homens” durante a operação militar, sem mencionar que registros oficiais incluem também três mulheres entre os mortos: Maj. Ariana Gabriella Savino, Technical Sgt. Ashley Brooke Pruitt e Master Sgt. Nicole Marie Amor. A discrepância entre declarações presidenciais e dados militares intensifica a controvérsia sobre a contagem de vítimas.
Durante seu primeiro mandato, o governo Trump já havia sido acusado de minimizar baixas militares. Após o ataque iraniano à base de Al-Asad em 8 de janeiro de 2020, o presidente afirmou inicialmente que “nenhum americano foi ferido”, declaração posteriormente desmentida pelo próprio Pentágono, que reconheceu ao menos 110 casos de lesão cerebral traumática entre soldados estadunidenses.
Ex-porta-voz do Pentágono, Alyssa Farah afirmou posteriormente que houve pressão da Casa Branca para retardar e suavizar a divulgação de feridos, sugerindo relatórios menos frequentes ou consolidados. Segundo ela, a intenção era evitar atualizações regulares que pudessem expor o impacto real dos ataques sobre tropas estadunidenses em campo.



































