Pentágono contrata ex-condenado pela invasão do Capitólio
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- 4 de jun.
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O Departamento de Guerra dos Estados Unidos nomeou Elias Irizarry, de 24 anos, para um cargo ligado a operações especiais, apesar de sua condenação pela invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. O episódio resultou em centenas de processos criminais e permanece como um dos maiores ataques contra instituições federais estadunidenses nas últimas décadas. A nomeação provocou questionamentos dentro do próprio Pentágono sobre os critérios adotados para funções relacionadas à segurança nacional.

Irizarry integra atualmente o escritório de Operações Especiais e Conflitos de Baixa Intensidade do Departamento de Guerra estadunidense. A unidade reúne cerca de 40 integrantes e atua em áreas relacionadas a operações antiterrorismo, resgate de reféns, proteção de embaixadas e outras missões conduzidas pelas forças armadas estadunidenses.
Sua presença no órgão ocorre após uma condenação vinculada à invasão do Capitólio, realizada por apoiadores de Donald Trump em 6 de janeiro de 2021. Na ocasião, milhares de manifestantes marcharam até a sede do Congresso dos Estados Unidos para impedir a certificação da vitória eleitoral de Joe Biden nas eleições presidenciais de 2020.
À época com 19 anos, Irizarry admitiu participação na invasão. Documentos judiciais registram que ele entrou ilegalmente no edifício após quebrar uma janela e utilizar uma barra de metal para forçar acesso ao interior do Capitólio. O processo resultou em uma condenação de 14 dias de prisão. Posteriormente, ele recebeu indulto presidencial.
A revelação de sua nomeação gerou reações entre funcionários do Departamento de Guerra estadunidense. Fontes citadas pela reportagem classificaram a decisão como “irresponsável” e afirmaram que a atribuição de responsabilidades ligadas à segurança nacional para uma pessoa condenada por participação em um ataque contra instituições federais levanta dúvidas sobre os procedimentos de seleção adotados pelo órgão.
Segundo os relatos, a preocupação decorre do fato de o cargo envolver acesso a informações e atividades relacionadas a operações militares e de segurança conduzidas pelo governo estadunidense.
Em resposta à reportagem, o porta-voz interino do Pentágono, Joel Valdez, defendeu a permanência de Irizarry no cargo. Em comunicado, Valdez descreveu o funcionário como “um profissional jovem, patriota e qualificado” e afirmou que o Departamento de Guerra estadunidense tem orgulho de contar com ele entre seus nomeados políticos.
O porta-voz também acusou o jornal Washington Post de divulgar informações classificadas ao publicar detalhes sobre a nomeação. Segundo Valdez, o periódico “não tem o mesmo compromisso com a segurança nacional” demonstrado por Irizarry.
Os registros judiciais do caso apresentam informações que divergem da descrição feita pelo porta-voz. Documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que agentes do FBI identificaram lacunas de dados no telefone celular de Irizarry durante análise autorizada pela Justiça.
De acordo com os investigadores, houve ausência de informações referentes ao período entre 1º e 8 de janeiro de 2021. Os responsáveis pela investigação registraram a hipótese de que os dados tenham sido removidos de forma deliberada para ocultar elementos relacionados à participação nos eventos ocorridos no Capitólio.
Promotores federais também apontaram que a formação militar recebida anteriormente por Irizarry ampliava sua responsabilidade sobre os atos praticados durante a invasão. Nos autos, os procuradores sustentaram que suas violações deveriam ser consideradas “consideravelmente mais graves” em razão desse treinamento.
A invasão do Capitólio ocorreu durante a sessão conjunta do Congresso destinada à certificação da vitória eleitoral de Joe Biden, obtida nas eleições de 3 de novembro de 2020. Manifestantes romperam barreiras de segurança e ocuparam áreas internas do edifício, interrompendo temporariamente os trabalhos legislativos.
Cinco pessoas morreram em decorrência dos acontecimentos daquele dia e dezenas ficaram feridas. O episódio desencadeou uma das maiores investigações criminais da história dos Estados Unidos.
Reportagens publicadas por diversos meios de comunicação estadunidenses relataram que participantes da invasão discutiram planos para deter autoridades eleitas presentes no Congresso. A dimensão dos acontecimentos levou parlamentares dos partidos Democrata e Republicano a atribuírem responsabilidade política a Donald Trump.
Após os eventos de 6 de janeiro, integrantes do gabinete presidencial discutiram a possibilidade de afastar Trump do cargo por meio dos mecanismos previstos na 25ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos. O debate ocorreu enquanto legisladores e autoridades federais buscavam respostas institucionais para a invasão.
O episódio também provocou repercussão internacional. Líderes políticos de diversos países apontaram que os acontecimentos expuseram contradições presentes no discurso de promoção da democracia utilizado pela política externa estadunidense.
Investigações posteriores revelaram ainda que a campanha de Donald Trump destinou milhões de dólares para financiar atividades relacionadas ao evento político que antecedeu a marcha em direção ao Capitólio, encontro que terminou com a invasão da sede do Congresso dos Estados Unidos.



































