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Por que Pete Hegseth está invocando o cristianismo na guerra contra o Irã?

O Secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, enfrenta questionamentos sobre o uso de referências cristãs em comunicações com tropas. As declarações são associadas por legisladores e militares a ações militares conduzidas pelos Estados Unidos contra o Irã. O caso levou à apresentação de pedidos de responsabilização no Congresso.


Pete Hegseth, Secretário de Guerra dos EUA | ARQUIVO
Pete Hegseth, Secretário de Guerra dos EUA | ARQUIVO

Em Washington, em 5 de maio de 2026, relatos reunidos por veículos internacionais apontam que Hegseth tem utilizado passagens religiosas em falas direcionadas a militares em contexto ligado às operações dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Em um culto de oração realizado em abril, ele citou um texto associado a violência em ambiente militar e pediu que soldados participassem de oração coletiva. Em outro trecho, afirmou: “Eu me vingarei com grande fúria e ira daqueles que tentarem capturar e destruir meu irmão”, durante fala dirigida a militares.


Em março de 2026, Hegseth declarou: “Continuaremos avançando, sem trégua, sem misericórdia para com nossos inimigos”, declaração que antecedeu reação pública de líderes religiosos. O Papa Leão XIII afirmou que “Deus não ouve os líderes que fazem guerra e que têm as mãos sujas de sangue” e declarou ainda: “Ele não ouve as orações daqueles que fazem guerra, mas as rejeita”, durante missa de Domingo de Ramos.


O histórico de declarações de Hegseth inclui referências religiosas e militares desde sua atuação em meios acadêmicos e de comunicação. Em período em Princeton, ele escreveu sobre defesa de uma civilização ocidental em publicação estudantil. Em 2020, publicou livro no qual defendeu uma “cruzada americana” contra grupos políticos internos e o Islã. O conteúdo do livro inclui crítica ao sistema democrático e a direitos civis.


Durante o processo de confirmação para o cargo de Secretário de Defesa, antes da alteração do nome do departamento para Departamento de Guerra, Hegseth declarou identificação como “guerreiro” e afirmou intenção de restaurar o “espírito guerreiro” nas forças armadas. Registros públicos incluem tatuagens com símbolos religiosos associados a cruzadas e a expressão “Deus Vult”.


Desde sua nomeação, Hegseth realiza encontros de oração com militares e utiliza pastores ligados à sua igreja para conduzir leituras em eventos no Pentágono. Em maio de 2025, um pastor identificado como Brooks Potteiger participou de cerimônia no Pentágono com leituras bíblicas associadas a temas militares.


Hegseth afirma ter passado por mudança religiosa em 2018, quando frequentava a Igreja Comunitária de Colts Neck, em Nova Jersey, e posteriormente passou a integrar a Pilgrim Hill Reformed Fellowship, no Tennessee, vinculada à Comunhão de Igrejas Evangélicas Reformadas.


Relatos de militares indicam questionamentos sobre o uso de linguagem religiosa em contexto de operações militares contra o Irã. Grupos de veteranos relataram queixas sobre a associação entre fé e comando militar, com alegações de impacto sobre liberdade religiosa dentro das forças armadas.


Em abril de 2026, membros da Câmara dos Representantes apresentaram artigos de impeachment contra Hegseth. O documento inclui acusações de ausência de autorização do Congresso para operações militares contra o Irã, falta de definição de objetivos militares, exposição de tropas a riscos e violação de dispositivos constitucionais relacionados à condução de guerra. A iniciativa foi liderada pela deputada Yassamin Ansari.


Os pedidos também incluem questionamentos sobre demissões de militares e acusações de critérios baseados em identidade de gênero e raça. Parlamentares levantaram a hipótese de inserção de nacionalismo religioso nas estruturas das forças armadas.


O Congresso dos Estados Unidos mantém maioria alinhada ao governo, o que reduz a probabilidade de avanço das iniciativas apresentadas contra o Secretário de Guerra Pete Hegseth.

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