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"Quase 8 mil mortos ou desaparecidos em rotas migratórias", afirma agência da ONU

Quase 8 mil pessoas morreram ou desapareceram em rotas migratórias ao longo de 2025, segundo dados divulgados pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU. Mais de 40% dessas mortes ocorreram em travessias marítimas rumo à Europa, destacando o Mediterrâneo como o principal corredor mortal da migração global.


Canal da Mancha em 25 de agosto de 2025, em Gravelines, França. As travessias de migrantes por barco têm gerado grande controvérsia no Reino Unido, com grupos de extrema-direita organizando manifestações em frente a hotéis que abrigam migrantes em todo o país durante o verão. Até o fim de agosto de 2025, mais de 28 mil migrantes haviam cruzado o Canal da Mancha em pequenos barcos neste ano. (Foto de Carl Court/Getty Images)
Canal da Mancha em 25 de agosto de 2025, em Gravelines, França. As travessias de migrantes por barco têm gerado grande controvérsia no Reino Unido, com grupos de extrema-direita organizando manifestações em frente a hotéis que abrigam migrantes em todo o país durante o verão. Até o fim de agosto de 2025, mais de 28 mil migrantes haviam cruzado o Canal da Mancha em pequenos barcos neste ano. (Foto de Carl Court/Getty Images)

A OIM registrou 7.904 mortes ou desaparecimentos em 2025, número inferior ao recorde de 9.197 casos em 2024. No entanto, a agência explica que a diminuição parcial está relacionada à impossibilidade de verificar cerca de 1.500 ocorrências devido à redução de recursos financeiros destinados à coleta e validação de dados. O levantamento também estima que aproximadamente 340 mil familiares tenham sido diretamente impactados por essas perdas ao longo da última década.


A diretora do departamento humanitário e de resposta da OIM, Maria Moita, afirmou em coletiva de imprensa que “esses números testemunham nossa falha coletiva em prevenir essas tragédias”, destacando a incapacidade internacional de reduzir os riscos estruturais enfrentados por migrantes. Segundo a agência, muitos dos casos registrados em 2025 ocorreram em situações em que embarcações inteiras desapareceram no mar sem registro oficial de resgate ou localização posterior.


EURO MED MONITOR I  ARQUIVO
EURO MED MONITOR I ARQUIVO

De acordo com o relatório, mais de quatro em cada dez mortes ocorreram em rotas marítimas com destino à Europa, especialmente no Mediterrâneo. A OIM destaca que, embora o número total de chegadas ao continente tenha diminuído, houve mudanças no perfil migratório, com aumento de pessoas originárias de Bangladesh e redução de fluxos sírios, em meio a alterações políticas e administrativas em países de origem e destino. A agência ressalta que as rotas não se tornaram mais seguras, apenas mais instáveis e fragmentadas.


A chamada rota da África Ocidental em direção ao norte registrou cerca de 1.200 mortes, enquanto a região da Ásia apresentou aumento significativo de óbitos, incluindo centenas de refugiados rohingya que fugiam da violência em Mianmar ou da precariedade em campos superlotados em Bangladesh. A OIM também aponta que embarcações frequentemente partem em condições precárias, agravando o risco de naufrágios e desaparecimentos em alto-mar.


A diretora-geral da OIM, Amy Pope, afirmou que os dados mostram que as rotas migratórias “estão mudando em vez de se tornarem mais fáceis, com riscos permanecendo elevados ao longo de jornadas cada vez mais perigosas”. Segundo ela, essas mudanças estão associadas a conflitos armados, pressões climáticas e alterações nas políticas migratórias adotadas por países de trânsito e destino.


O relatório reforça que a maioria das vítimas se perde em incidentes classificados como “naufrágios invisíveis”, quando embarcações inteiras desaparecem sem qualquer registro oficial de sobreviventes ou destroços. A OIM afirma que esses casos dificultam a contabilização precisa das mortes e ampliam a subnotificação das tragédias no mar.


Desde 2014, o total de mortes e desaparecimentos em rotas migratórias já ultrapassa 82 mil casos registrados pela agência da ONU. A OIM também estima que cerca de 340 mil pessoas tenham sido diretamente afetadas por essas perdas familiares, compondo um cenário prolongado de crise humanitária vinculada à desigualdade global, conflitos regionais e políticas migratórias restritivas impostas principalmente por países centrais do sistema internacional.

 
 

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