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Relatório palestino expõe colapso sanitário em Gaza após ofensiva israelense e bloqueio prolongado

O Escritório Central de Estatísticas da Palestina divulgou em 7 de abril de 2026 um relatório detalhando o colapso do sistema de saúde na Faixa de Gaza. Os dados, atualizados até março de 2026, indicam que 94% dos hospitais foram destruídos ou estão inoperantes. O documento foi publicado por ocasião do Dia Mundial da Saúde, sob o tema Juntos pela Saúde Apoiando a Ciência. A análise aponta escassez crítica de medicamentos, destruição de infraestrutura e agravamento das condições humanitárias. Segundo a agência WAFA, a crise ocorre em meio ao genocídio em curso e ao bloqueio imposto por Israel.


Colapso sanitário em Gaza
Colapso sanitário em Gaza

De acordo com o relatório oficial, os 36 hospitais existentes em Gaza não operam em plena capacidade, sendo que apenas 18 funcionam parcialmente, enquanto os serviços de atenção primária caíram para menos da metade de sua capacidade operacional, com apenas 1,5% das unidades funcionando plenamente. O sistema enfrenta escassez extrema de insumos, com 51% dos medicamentos essenciais em nível de estoque zero, comprometendo o tratamento de milhares de pacientes, especialmente aqueles com doenças crônicas.


A deterioração do sistema de saúde não se limita à Faixa de Gaza e se estende à Cisjordânia, onde restrições de mobilidade impostas por forças israelenses afetam diretamente o acesso a serviços médicos. A Organização Mundial da Saúde documentou centenas de incidentes envolvendo ataques a profissionais de saúde e ambulâncias, resultando na interrupção de serviços, incluindo clínicas móveis. Dados indicam que uma em cada cinco famílias relatou que crianças não conseguiram acessar atendimento médico ou medicamentos devido a bloqueios recorrentes.


O relatório do Integrated Food Security Phase Classification (IPC), cobrindo o período entre outubro de 2025 e abril de 2026, aponta que cerca de 1,6 milhão de pessoas, equivalente a 77% da população analisada, enfrentam níveis elevados de insegurança alimentar aguda. A destruição de 96% das terras agrícolas, taxa de desemprego de 80% e ausência de acesso a saneamento básico para 47% da população tornam o risco de fome iminente, especialmente diante de qualquer interrupção na ajuda humanitária.


A crise nutricional atinge de forma particularmente grave mulheres e crianças. Estimativas indicam que 101 mil crianças entre 6 meses e 59 meses enfrentam desnutrição severa, incluindo 31 mil casos classificados como desnutrição aguda grave, com risco imediato de morte. Paralelamente, cerca de 37 mil mulheres grávidas e lactantes sofrem de desnutrição aguda, agravando indicadores de saúde neonatal, com aumento significativo de partos prematuros, abortos espontâneos e complicações médicas.


Dados do sistema de vigilância epidemiológica EWARS revelam que doenças infecciosas atingiram níveis sem precedentes nos centros de deslocamento. Infecções respiratórias representam 68% dos casos diagnosticados nos dois primeiros meses de 2026, com mais de 1,9 milhão de ocorrências registradas e 17 mortes apenas em janeiro. As condições de superlotação — com abrigos operando quatro vezes acima da capacidade —, associadas à falta de aquecimento e ventilação, ampliam a vulnerabilidade da população.


Casos de diarreia aquosa aguda representam 16% das doenças registradas, com cerca de 81 mil ocorrências entre janeiro e fevereiro de 2026, sendo mais de 36 mil em crianças menores de cinco anos. Em 2025, foram registrados mais de 496 mil casos, quase metade em crianças. A deterioração da qualidade da água, com 97% considerada imprópria para consumo, e o colapso dos sistemas de saneamento explicam o aumento de aproximadamente 20 vezes em relação ao período anterior a outubro de 2023.


Doenças de pele, como sarna e infestação por piolhos, atingem cerca de 75 mil pessoas, representando 15% dos casos, em um cenário de ausência quase total de condições mínimas de higiene. Paralelamente, pacientes com doenças crônicas enfrentam interrupções no tratamento devido à escassez de 70% dos medicamentos essenciais. Dos aproximadamente 1.100 pacientes com insuficiência renal, apenas entre 600 e 700 recebem tratamento, devido à destruição de centros de diálise.


Pacientes oncológicos, estimados entre 10 mil e 12 mil, enfrentam colapso quase total do sistema de tratamento, com escassez de quimioterápicos, interrupção de exames diagnósticos como tomografias e restrições severas para encaminhamento médico fora de Gaza. A situação afeta centenas de milhares de pacientes crônicos, elevando o risco de mortes evitáveis.


O impacto psicológico também atinge escala massiva, com mais de um milhão de crianças sofrendo de transtornos graves, incluindo ansiedade e estresse pós-traumático, em um contexto de ausência quase total de serviços especializados de saúde mental.


Os dados indicam que, desde outubro de 2023 até março de 2026, mais de 72.280 palestinos foram mortos e mais de 172 mil ficaram feridos, sendo cerca de um quarto com deficiências permanentes. Entre as vítimas, mais de 21 mil são crianças, além de 11 mil que sofreram lesões incapacitantes, segundo estimativas do UNICEF.


O relatório também aponta que mais de 18.500 pacientes necessitam de evacuação médica urgente, incluindo 3.800 crianças que requerem tratamento especializado fora da Palestina, em um cenário onde restrições impedem a saída de pacientes.


Na Cisjordânia, o sistema de saúde conta com 608 centros de atenção primária e 60 hospitais, com uma média de 13,4 leitos por 10 mil habitantes, abaixo da média global de 30. A densidade de profissionais inclui 21,9 médicos e 43,6 enfermeiros por 10 mil habitantes, indicando disponibilidade relativa de recursos humanos, mas com desafios de distribuição e acesso.


Restrições de mobilidade, postos de controle e bloqueios impactam diretamente o funcionamento do sistema, dificultando o acesso de pacientes, inclusive em emergências, e comprometendo o fornecimento de medicamentos e insumos médicos.


Indicadores de saúde na Cisjordânia mostram redução da mortalidade materna para 22,2 por 100 mil nascimentos e mortalidade infantil de 8,5 por mil, com taxa de mortalidade de menores de cinco anos em 10,1 por mil em 2024. O percentual de partos realizados em instituições de saúde alcança 99,9%.


Dados do Ministério da Saúde indicam que doenças não transmissíveis são a principal causa de morte, com doenças cardíacas representando 24,7% dos óbitos, seguidas por câncer (18,2%) e complicações do diabetes (14,5%). A incidência de câncer é de 130,8 casos por 100 mil habitantes.


As despesas totais com saúde na Palestina atingiram US$ 1,793,9 bilhão em 2024, equivalente a 11,2% do PIB, com gasto per capita de US$ 351,7. O financiamento depende 41,7% do governo e 44,9% das famílias, refletindo alto custo direto para a população.

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