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Sangue colonialista: França e Reino Unido prorrogam acordo de troca de migrantes

Migrantes continuam a atravessar o Canal da Mancha em embarcações vindas da costa norte da França em direção ao Reino Unido. França e Reino Unido prorrogaram o acordo de troca de migrantes conhecido como “um entra, um sai” até 1º de outubro de 2026. O mecanismo permite deportações e admissões cruzadas entre os dois países com base em critérios de permanência e pedidos de asilo.


Refugiados I ARQUIVO
Refugiados I ARQUIVO

O programa entrou em vigor em setembro do ano passado e estabelece que o Reino Unido pode deportar migrantes que chegam ao seu território e são considerados sem direito de permanência. Em contrapartida, o Reino Unido aceita número equivalente de migrantes vindos da França que tenham maior probabilidade de aprovação de pedidos de asilo, com prioridade para nacionalidades classificadas pelos governos como expostas a redes de tráfico e pessoas com vínculos com o território britânico.


O ministro delegado francês para a Europa, Emmanuel Haddad, declarou em comissão parlamentar na quarta-feira: “Foi decidido, em conjunto com o nosso parceiro britânico, prorrogar este acordo até 1 de outubro de 2026”. O mesmo representante informou que “até 1º de maio, houve 606 readmissões à França para 588 admissões legais ao Reino Unido”.


A França permanece como ponto de partida de migrantes que buscam atravessar o Canal da Mancha em direção ao Reino Unido. O deslocamento ocorre mediante pagamento a redes de contrabando que organizam embarques em botes infláveis com excesso de ocupação para a travessia marítima.


Dados oficiais franceses e britânicos compilados pela AFP indicam que mais de 41 mil migrantes chegaram à costa sul da Inglaterra no ano passado, número registrado como o segundo maior desde o início da série em 2018. No mesmo período, 29 migrantes morreram durante a travessia do Canal da Mancha.


Em 2026, oito mortes foram registradas até o momento, segundo a mesma contagem baseada em fontes oficiais francesas e britânicas.


O primeiro-ministro Keir Starmer, no poder no Reino Unido desde julho de 2024, e a ministra do Interior Shabana Mahmood enfrentam pressão política interna relacionada ao número de chegadas. O partido Reform UK aparece em levantamentos de intenção de voto com pauta centrada em restrições migratórias.

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