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Soldados israelenses afirmam que saquear e destruir é sua missão no Líbano

Militares israelenses disseram ao jornal israelense Haaretz que receberam ordens para destruir infraestrutura civil e saquear propriedades durante operações no sul do Líbano. Os relatos descrevem demolições de aldeias, incêndios em residências e apropriação de bens pessoais sob supervisão de oficiais das forças de ocupação israelenses. As declarações expõem métodos empregados por Tel Aviv em mais uma frente militar aberta paralelamente ao genocídio contra a população palestina em Gaza.


Militares israelenses receberam ordens para destruir infraestrutura civil e saquear propriedades no sul do Líbano
Militares israelenses receberam ordens para destruir infraestrutura civil e saquear propriedades no sul do Líbano

Os depoimentos foram publicados pelo Haaretz após entrevistas com soldados que participaram das operações terrestres iniciadas por Israel no território libanês. Segundo os militares, unidades israelenses destruíram casas, estabelecimentos comerciais e áreas agrícolas em localidades próximas à fronteira. Um dos soldados afirmou ao jornal que “a missão era entrar, demolir e sair”, enquanto outro relatou que comandantes autorizavam incêndios em residências depois das buscas.


Os relatos apontam que a destruição não estava limitada a instalações militares do Hezbollah. Soldados disseram que bairros inteiros foram arrasados com explosivos e escavadeiras militares. Em algumas aldeias, imóveis civis permaneceram de pé apenas quando eram utilizados temporariamente pelas tropas israelenses. Após a retirada das unidades, as estruturas eram demolidas.


O Haaretz informou que soldados descreveram episódios de saque de objetos pessoais. Entre os itens levados estavam joias, dinheiro em espécie, tapetes, aparelhos eletrônicos e documentos encontrados em casas abandonadas após os bombardeios israelenses. Um militar declarou que oficiais ignoravam os episódios e, em alguns casos, participavam das ações. Outro afirmou que parte dos objetos era enviada para Israel em veículos militares.

As denúncias surgem após meses de escalada militar entre Israel e o Hezbollah ao longo da fronteira sul do Líbano. Desde outubro de 2023, ataques israelenses atingiram cidades e vilarejos libaneses em operações apresentadas pelo governo de Benjamin Netanyahu como ações contra posições do Hezbollah. O governo israelense afirma que a ofensiva busca afastar combatentes do grupo da região fronteiriça.


Dados do Ministério da Saúde do Líbano indicam que milhares de pessoas foram mortas desde o início dos bombardeios israelenses. A Organização Internacional para as Migrações informou que centenas de milhares de libaneses deixaram suas casas devido aos ataques e às operações terrestres israelenses. Infraestruturas civis, incluindo estradas, sistemas elétricos e áreas agrícolas, sofreram destruição em diversas províncias do sul do país.


Os relatos publicados pelo Haaretz também descrevem ordens para apagar sinais de presença civil nas áreas ocupadas. Um soldado afirmou que unidades receberam instruções para destruir fotografias de famílias, móveis e objetos domésticos “para deixar as aldeias inutilizáveis”. Outro declarou que soldados escreviam mensagens em paredes de residências antes da demolição dos imóveis.


A publicação israelense informou que procurou o exército israelense para comentar as acusações. Em resposta, as forças israelenses disseram que casos de comportamento ilegal são investigados “de acordo com os protocolos militares”. O comunicado não respondeu diretamente às denúncias sobre destruição deliberada de propriedades civis e saques durante as operações no Líbano.


As operações israelenses no território libanês ocorrem em meio ao apoio militar, financeiro e diplomático fornecido pelos Estados Unidos a Tel Aviv. Washington mantém envio de armamentos e munições para Israel enquanto o governo Netanyahu amplia ações militares simultaneamente em Gaza, Cisjordânia, Síria e Líbano. O governo estadunidense também bloqueou ou suavizou iniciativas em organismos internacionais que buscavam pressionar Israel por cessar-fogo ou responsabilização internacional.


As acusações de destruição sistemática de infraestrutura civil no Líbano ampliam denúncias apresentadas por organizações de direitos humanos sobre métodos empregados pelas forças israelenses em operações regionais. Relatórios anteriores da Human Rights Watch e da Anistia Internacional já haviam documentado bombardeios contra áreas residenciais, uso de munições incendiárias e ataques contra infraestrutura civil libanesa em confrontos anteriores entre Israel e Hezbollah.


Os depoimentos ao Haaretz foram publicados em um momento de aumento das tensões regionais envolvendo Israel, Hezbollah e Irã. Nas últimas semanas, ataques israelenses atingiram subúrbios ao sul de Beirute e cidades próximas à fronteira síria. O Hezbollah respondeu com lançamentos de foguetes e drones contra posições israelenses no norte da Palestina ocupada.

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