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Sudão: ataques com drones danificam rotas de ajuda humanitária

A destruição de pontes e estradas no Sudão interrompe rotas de ajuda humanitária e afeta o deslocamento de civis em meio aos combates entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF). A Organização das Nações Unidas alertou em 9 de junho que os ataques contra infraestruturas civis ampliam os riscos para a população e restringem operações de assistência em diferentes regiões do país. Os danos ocorrem enquanto a guerra iniciada em abril de 2023 entra em seu quarto ano e expande seus impactos para países vizinhos.


El Fasher, Darfur, Sudão| ALJAZEERA
El Fasher, Darfur, Sudão| ALJAZEERA

Segundo informações apresentadas pela ONU, explosões atingiram durante a noite a ponte de Ardamata, no estado de Darfur Ocidental. A estrutura conecta a cidade de El Geneina a áreas próximas da fronteira com o Chade e constitui uma das principais rotas utilizadas para circulação comercial e transporte de ajuda humanitária destinada à região de Darfur.


A interrupção da ponte ocorre em uma área marcada por deslocamentos populacionais, confrontos armados e dependência de suprimentos provenientes do território chadiano. A destruição da infraestrutura reduz a capacidade de movimentação de pessoas, mercadorias e carregamentos humanitários em uma região onde a população depende de assistência internacional para acesso a alimentos, medicamentos e outros insumos.


A situação também se agravou no estado de Kordofan do Sul. Duas pontes localizadas na estrada que liga as cidades de Kadugli e Dilling teriam sido destruídas durante o fim de semana, interrompendo o trânsito de civis e afetando operações humanitárias no início da estação chuvosa.


Durante coletiva realizada em Nova York, o porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq, afirmou que as consequências da destruição dessas estruturas tendem a aumentar com o avanço das chuvas sazonais. “Os parceiros humanitários alertam que não haverá rotas alternativas viáveis quando as chuvas sazonais se intensificarem”, declarou.


A estação chuvosa representa um fator adicional para a logística humanitária no Sudão. Com estradas sem pavimentação sujeitas a alagamentos e isolamento de comunidades, a destruição das pontes reduz as possibilidades de acesso terrestre para equipes de socorro e transporte de suprimentos.


A ONU informou ainda que os movimentos humanitários ao longo da estrada Geneina-Zalingei foram retomados após uma suspensão ocorrida na segunda-feira. A paralisação temporária foi atribuída à insegurança e ao aumento das tensões intercomunitárias na região.


Apesar da retomada das operações, o acesso continua instável. A estrada liga Darfur Ocidental a Darfur Central e constitui uma das principais rotas para entrada de ajuda humanitária proveniente do Chade destinada tanto à região de Darfur quanto aos estados de Kordofan.


Além dos confrontos terrestres, a atividade de drones passou a afetar diferentes áreas do país. A ONU informou que mais de 30 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária em todo o território sudanês.


Na terça-feira, um drone teria sido abatido em Omdurman, no estado de Cartum. No dia anterior, ataques envolvendo drones também foram registrados na cidade de Dilling, ampliando os riscos para civis e para estruturas utilizadas por operações humanitárias.


Farhan Haq reiterou o apelo da ONU para que os grupos envolvidos no conflito respeitem a população civil e as infraestruturas civis. O representante também defendeu a garantia de acesso humanitário rápido, seguro, sem impedimentos e contínuo às regiões afetadas pelos combates.


Os efeitos da guerra ultrapassam as fronteiras sudanesas e atingem países vizinhos. Durante reunião do Conselho de Segurança da ONU dedicada à situação da África Central, a Secretária-Geral Adjunta para a África, Martha Pobee, destacou o impacto da crise sobre o Chade.


“Com o conflito no Sudão em seu quarto ano, seu impacto direto no Chade não pode ser subestimado”, declarou a autoridade aos representantes diplomáticos reunidos na terça-feira.


Segundo informações apresentadas pela ONU, o Chade recebeu quase um milhão de refugiados sudaneses desde o início da guerra. O país também registrou o retorno de aproximadamente 300 mil cidadãos chadianos, movimento que aumentou a pressão sobre recursos públicos e serviços locais.


Martha Pobee afirmou que a situação de segurança na fronteira continua a gerar preocupações. “As repetidas incursões transfronteiriças e os ataques com drones contra posições militares chadianas representam um risco de regionalização ainda maior do conflito”, declarou.


A representante da ONU pediu que governos e organismos internacionais ampliem os esforços voltados à resolução da guerra no Sudão e ao apoio ao Chade diante dos efeitos da crise humanitária e de segurança.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) também abordou as consequências da chegada de refugiados ao território chadiano. Segundo a agência da ONU, o fluxo populacional exerce pressão sobre sistemas de saúde que enfrentam limitações de infraestrutura, equipamentos e pessoal.


A OMS informou que mantém cooperação com autoridades nacionais e parceiros para fortalecer a resposta a emergências sanitárias, apoiar profissionais de saúde e ampliar o acesso da população a serviços médicos.


Em publicação divulgada pela agência, a organização declarou: “Desde assistência médica de emergência até cuidados de saúde mental e psicossociais, a solidariedade e a ação coordenada continuam sendo cruciais”.

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