Tarcísio enfrenta revolta policial e fogo amigo na Alesp
- www.jornalclandestino.org

- há 2 horas
- 2 min de leitura
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), atravessa uma crise aberta com as forças policiais e passou a ser alvo de críticas da chamada bancada da bala na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Eleito com apoio decisivo desse setor, o governador prometeu reajustes salariais, benefícios e melhores condições de trabalho às corporações. Em 9 de fevereiro de 2026, parlamentares da própria base e associações policiais acusaram o governo de descumprir compromissos de campanha. As críticas ocorrem em pleno ano eleitoral, ampliando o desgaste político do Palácio dos Bandeirantes. As informações foram publicadas pelo portal Metrópoles, com base em entrevistas e declarações públicas.

Segundo reportagem do Metrópoles, policiais ouvidos afirmam que o discurso de valorização da segurança pública não se traduziu em medidas concretas, apesar de Tarcísio ter nomeado, pela primeira vez, policiais para o comando da Secretaria da Segurança Pública. A frustração da categoria se converteu em pressão política sobre deputados estaduais, inclusive aliados do governo, que passaram a vocalizar críticas no plenário da Alesp.
Associações e sindicatos policiais acusam o governador de “traição” às corporações e articulam um novo protesto para o dia 24 de fevereiro de 2026, na Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). De acordo com os organizadores, mais de 30 entidades ligadas a policiais militares, civis e penais confirmaram participação no ato, que cobra reajustes salariais, pagamento de bônus e melhorias estruturais.
No Legislativo, deputados identificados com a pauta da segurança pública intensificaram as cobranças. O deputado Capitão Telhada (PP) afirmou no plenário que há uma promessa não cumprida do governador. “Neste ano de 2026, tem uma promessa represada, um compromisso de campanha do governador Tarcísio com os policiais de São Paulo, e a bancada da segurança pública não abre mão de que seja um reajuste real e, conforme o próprio compromisso do governo, um reajuste de dois dígitos”, declarou.
Telhada também exigiu o pagamento de bônus referentes a 2025 e maior agilidade na entrega de cartas de crédito de um programa habitacional voltado às corporações. Na mesma linha, o deputado Major Mecca (PL) criticou a execução da política de habitação. “Um ano e meio dessa lei aprovada, o governo não entregou nenhuma carta de crédito a nenhum policial militar, a nenhum policial civil, a nenhum policial penal”, disse.
Mecca ainda apontou os baixos salários e a dependência do chamado “bico oficial” para complementação de renda. “A postura do estado em relação aos policiais terá que mudar, porque não pode o governo do estado ser o maior algoz dos homens e das mulheres que defendem o povo de São Paulo”, afirmou. A crise expõe a contradição de um governo eleito sob a retórica da ordem e da força que, agora, enfrenta resistência justamente de sua principal base política.









































