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Trump coloca Pix na mira em nova ofensiva comercial contra o Brasil

O governo dos Estados Unidos está prestes a concluir uma investigação comercial contra o Brasil que inclui acusações direcionadas ao Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central. A apuração, conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), faz parte de um conjunto de medidas utilizadas pela administração do presidente Donald Trump para justificar tarifas e pressões comerciais contra o Brasil.


Lula reconhece o terror que PCC e CV impõe nos territórios, mas explica que intervenção dos EUA é inaceitável. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula reconhece o terror que PCC e CV impõe nos territórios, mas explica que intervenção dos EUA é inaceitável. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A investigação foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo utilizado por Washington para contestar políticas consideradas prejudiciais aos interesses econômicos estadunidenses. Entre os alvos da apuração estão regras para plataformas digitais, propriedade intelectual, comércio agrícola, combate ao desmatamento e serviços de pagamento eletrônico.


No caso do Pix, o USTR afirma que o Brasil estaria adotando práticas consideradas desleais ao promover um sistema de pagamentos desenvolvido por uma instituição pública. Em documento oficial, o órgão sustenta que o país "parece envolver-se em uma série de práticas desleais em relação aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a promover seu serviço de pagamento eletrônico desenvolvido pelo governo".


Lançado pelo Banco Central em novembro de 2020, o Pix transformou o sistema financeiro brasileiro ao permitir transferências e pagamentos instantâneos entre pessoas, empresas e instituições financeiras. O sistema passou a competir diretamente com soluções privadas de pagamento operadas por empresas de tecnologia e serviços financeiros, incluindo Apple Pay, Google Pay e WhatsApp Pay.


Para Bruna Martins dos Santos, gerente de políticas e advocacia da organização Witness, a inclusão do Pix na investigação está ligada à disputa tecnológica e econômica entre grandes empresas de tecnologia e iniciativas públicas de inovação financeira. Segundo ela, o sistema brasileiro tornou-se uma referência internacional por sua adoção em larga escala e por sua capacidade de oferecer serviços sem depender de plataformas privadas estrangeiras.


"Estamos falando aqui de uma competição tecnológica, onde os EUA visam tirar qualquer tipo de tecnologia que possa oferecer algum tipo de inovação e que não esteja sendo gerida dentro do próprio país ou que não esteja sob controle dos EUA", afirmou.

A especialista também rejeitou a caracterização do Pix como prática comercial desleal. "A gente sabe que o Pix é um método de pagamento extremamente inovador e relevante para o contexto brasileiro, com grandes níveis de adesão. De nenhuma maneira ele deveria ser visto como uma prática desleal de serviço de pagamento eletrônico", declarou.

O ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral também contestou os argumentos apresentados pelo governo estadunidense. Segundo ele, as regras da Organização Mundial do Comércio permitem a atuação de empresas e instituições públicas em setores onde existem falhas de mercado.


Barral destacou que o Pix ampliou o acesso da população ao sistema financeiro e lembrou que os próprios Estados Unidos mantêm serviços públicos em áreas estratégicas da economia. "Temos uma população desbancarizada muito grande no Brasil. O Pix foi também uma forma de integrar essas pessoas no mercado financeiro", disse.


Ele também afirmou que o sistema não impede a atuação de concorrentes privados. "E o Pix não proíbe a concorrência, quem quiser pode usar Apple Pay, PayPal, etc. Não há nenhuma proibição de concorrência."


A ofensiva contra o Pix ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasília e Washington. Em maio de 2026, durante encontro na Casa Branca, Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump concordaram em criar um grupo de trabalho para negociar as divergências comerciais e apresentar uma proposta em até 30 dias. O prazo termina em 7 de junho.


Apesar das negociações, fontes ouvidas pela BBC News Brasil afirmam que a Casa Branca pode anunciar medidas antes mesmo da conclusão desse entendimento. Caso isso ocorra, o sistema de pagamentos criado pelo Banco Central poderá se tornar um dos principais símbolos de uma disputa que ultrapassa o comércio e envolve tecnologia, soberania regulatória e o controle sobre infraestruturas financeiras digitais.

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