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  • Espião israelense trabalhava para o Irã de graça

    O Ministério Público israelense acusou Ahmad Daas, palestino de 27 anos residente em Tira, de atuar para a inteligência iraniana durante a escalada militar entre Israel, Irã e Estados Unidos. Segundo a acusação apresentada na quinta-feira, Daas teria enviado imagens de instalações militares e energéticas israelenses sem receber dinheiro, alegadamente por motivação ideológica e oposição ao regime de ocupação. O caso expõe o aumento das acusações de espionagem dentro da Palestina ocupada após a ofensiva militar lançada por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã. Força de Ocupação Israelense ©ARQUIVO A acusação afirma que Ahmad Daas trabalhava como caminhoneiro e utilizava suas viagens por diferentes regiões da Palestina ocupada para registrar fotos e vídeos de estruturas consideradas sensíveis pelas autoridades israelenses. Entre os locais citados pelo Ministério Público estão a usina de energia Eshkol, localizada em Ashdod e descrita como a maior usina movida a gás natural de Israel, além de instalações da indústria aeroespacial israelense e uma base naval ligada aos comandos da Marinha israelense. Os promotores israelenses sustentam que Daas mantinha contato com um agente da inteligência iraniana e tinha consciência de que as informações poderiam ser utilizadas contra a infraestrutura militar e energética israelense. O documento judicial afirma que ele recusou ofertas de pagamento e agiu “unicamente por compromisso ideológico com o Irã” e por “ódio” ao regime israelense. O caso foi divulgado em comunicado conjunto da polícia israelense e do Shin Bet, serviço de inteligência interna israelense, que classificou o episódio como parte de uma série de operações de espionagem atribuídas ao Irã. O Shin Bet declarou que o aumento dessas operações criou um “alto risco” para Israel e afirmou, em memorando oficial recente, que as atuais medidas de dissuasão não estão conseguindo conter o avanço dos casos. As autoridades israelenses relacionam o crescimento das acusações de espionagem ao cenário aberto após a guerra de 12 dias imposta por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã em junho de 2015 e ao novo ciclo de confrontos iniciado no fim de fevereiro deste ano. O governo iraniano e o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica passaram a declarar publicamente que instalações energéticas israelenses e estadunidenses poderiam se tornar alvos em caso de ampliação das operações militares contra Teerã. Nos últimos meses, Israel anunciou a prisão de colonos e militares acusados de colaboração com a inteligência iraniana. Entre os casos citados pela imprensa israelense estão dois soldados da Força Aérea israelense investigados por suposta transferência de informações militares ao Irã. As acusações surgem em meio ao aprofundamento da crise de segurança interna israelense, agravada pela expansão do genocídio contra palestinos em Gaza, pelas operações militares na Cisjordânia e pela intensificação das tensões regionais envolvendo Irã, Líbano, Síria e Iêmen. Tira, cidade onde Ahmad Daas reside, está localizada no centro da Palestina ocupada e possui população palestina submetida à cidadania israelense desde a criação do Estado de Israel em 1948. A ampliação das investigações de espionagem ocorre paralelamente ao endurecimento das operações do Shin Bet contra palestinos dentro das fronteiras controladas por Israel, sob justificativa de combate a ameaças internas durante a escalada regional. A HispanTV informou que os procuradores israelenses afirmaram que Daas transmitiu a localização de estruturas militares e energéticas em um momento em que o Irã anunciava possibilidade de ataques contra instalações estratégicas israelenses e estadunidenses. Segundo o canal iraniano, o número de israelenses presos sob acusações de espionagem para Teerã aumentou desde o início da ofensiva militar apoiada por Washington contra o Irã e ganhou nova dimensão após o início da atual escalada militar no fim de fevereiro.

  • Cortes ameaçam futuro da resposta global ao HIV, alerta ONU

    A diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima, afirmou em 15 de maio que cortes no financiamento internacional colocam em risco a resposta global ao HIV/Aids. Segundo a agência da ONU, os recursos destinados ao combate à epidemia caíram entre 30% e 40% em comparação com o orçamento de 2023. Byanyima declarou em Nova Iorque que governos estão transferindo verbas para financiar guerras enquanto programas de prevenção, pesquisa e tratamento sofrem redução operacional. AIDS/HIV. ©ARQUIVO Durante coletiva preparatória para a Reunião de Alto Nível sobre HIV/Aids de 2026, realizada na sede das Nações Unidas, Winnie Byanyima afirmou que esta pode ser a última edição do encontro caso a atual trajetória de financiamento seja mantida. A dirigente do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids declarou que “cortes de gastos e ataques aos direitos humanos” estão comprometendo o trabalho científico voltado à busca por tratamentos e cura da doença. O Unaids informou que a retração financeira atingiu programas de prevenção, distribuição de medicamentos, campanhas de testagem e assistência médica em países dependentes de fundos internacionais. Segundo Byanyima, sem manutenção do financiamento externo, diversos governos não conseguirão sustentar redes públicas de atendimento e programas de prevenção. A diretora do Unaids relacionou a redução de verbas ao redirecionamento de recursos públicos para operações militares e escaladas bélicas patrocinadas por potências ocidentais. A declaração ocorreu em meio ao aumento dos gastos militares de países da Otan e de governos aliados dos Estados Unidos após a ampliação de conflitos internacionais e do apoio financeiro e militar estadunidense a operações externas. A Reunião de Alto Nível sobre HIV/Aids ocorrerá nos dias 22 e 23 de junho de 2026 em Nova Iorque sob o tema “Unidas e Unidos para Acabar com a Aids”. O encontro contará com a participação do secretário-geral da ONU, António Guterres, representantes de governos, pesquisadores, movimentos sociais e pessoas vivendo com HIV. Segundo o Unaids, a meta oficial das Nações Unidas continua sendo eliminar o HIV/Aids como ameaça à saúde pública até 2030. A agência alertou que o enfraquecimento financeiro da resposta internacional ameaça interromper avanços registrados nas últimas décadas na redução de novos casos e no acesso a medicamentos antirretrovirais. Dados citados pela ONU indicam que programas internacionais de combate ao HIV contribuíram para reduzir em 40% os novos casos desde 2010. Outra projeção divulgada pela organização aponta que o mundo poderá registrar mais 6 milhões de novos casos de HIV até 2029 caso os cortes financeiros continuem. O Unaids também mencionou estudos que apontam necessidade anual de US$ 21,9 bilhões para atingir metas globais de combate ao HIV em países de baixa e média renda. A agência alertou anteriormente que a redução de financiamento representa o maior retrocesso da última década na resposta internacional à epidemia. Apesar da redução de recursos, a ONU destacou iniciativas multilaterais voltadas ao fortalecimento da produção local de medicamentos e vacinas. Durante a reunião ministerial do G20 em 2024, sob presidência brasileira, foi criada uma aliança internacional voltada à ampliação do acesso a tecnologias de saúde e ao incentivo à fabricação local de insumos farmacêuticos. Segundo o Unaids, o acordo firmado entre os Ministérios da Saúde do G20 buscou reduzir dependência de monopólios farmacêuticos internacionais e ampliar a capacidade produtiva de países periféricos no setor biomédico. A agência declarou que a cooperação internacional permanece necessária para manter programas de prevenção, testagem e tratamento em funcionamento.

  • Gravação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro impulsiona Caiado e Zema

    As trocas de mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, reveladas pelo portal The Intercept Brasil, impactaram o ambiente digital e reorganizaram as menções sobre pré-candidatos à Presidência. O caso envolve negociações de financiamento ligadas à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: FABIO TEIXEIRA/AFP via Getty Images A repercussão imediata do conteúdo das mensagens, segundo monitoramento da empresa AP Exata Inteligência, indicou aumento de menções negativas a Flávio Bolsonaro e redução do índice de confiança associado ao senador nas redes sociais. O levantamento aponta que, até as 18h de quinta-feira (14 de maio de 2026), 64,3% das menções sobre o senador tinham tom negativo, o maior nível desde o início da pré-campanha presidencial monitorada pela empresa. A AP Exata informou que utiliza modelos de inteligência artificial para medir sentimentos em publicações nas redes sociais, incluindo confiança, medo, alegria e tristeza. O CEO da empresa, Sergio Denicoli, afirmou que o índice de confiança associado a Flávio Bolsonaro caiu para 13,7%, com recuo de 2,8 pontos percentuais, o menor entre os pré-candidatos analisados. As mensagens reveladas indicam negociação de investimentos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, com valor total estimado em US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões no período citado. Segundo o material divulgado, R$ 61 milhões teriam sido liberados entre fevereiro e maio de 2025. Flávio Bolsonaro confirmou ter tratado de investimentos ligados à produção e afirmou que se tratava de relação contratual vinculada a confidencialidade. Após a divulgação, Flávio Bolsonaro concedeu entrevista à GloboNews e afirmou que não havia comentado anteriormente o caso devido a cláusulas contratuais relacionadas ao projeto cinematográfico. O senador negou uso irregular dos recursos e afirmou que não houve direcionamento para despesas de familiares, incluindo o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos Estados Unidos e responde a investigação da Polícia Federal. O monitoramento da AP Exata também registrou mudanças na distribuição de menções entre pré-candidatos à Presidência. Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) aumentaram a visibilidade nas redes após se posicionarem sobre o caso. Zema passou a concentrar 24,3% das menções monitoradas e criticou publicamente o conteúdo das mensagens, classificando a cobrança de recursos como “inaceitável” em vídeo divulgado nas redes sociais. Ronaldo Caiado registrou crescimento de 9,6 pontos percentuais nas menções, alcançando 9,8% do total monitorado até o horário analisado. Segundo o levantamento, esta foi a primeira variação expressiva de Caiado desde o início do monitoramento contínuo da consultoria. Sergio Denicoli afirmou que o episódio abriu espaço para deslocamento de atenção dentro do campo da direita e aumento de exposição de outros pré-candidatos. O levantamento também registrou aumento de críticas a Zema dentro do campo bolsonarista, após suas declarações sobre o senador. O monitoramento aponta ainda que o presidente Lula (PT) não registrou ganho direto de imagem com a crise. Segundo os dados da AP Exata, houve variação de 0,4 ponto percentual nas menções positivas e queda equivalente no índice de confiança associado ao presidente após a repercussão do caso. A dinâmica eleitoral permanece sob avaliação de analistas políticos citados na reportagem original, que apontam que o episódio pode alterar o ritmo de crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, dependendo da evolução de novas informações sobre o caso e da permanência do impacto nas redes sociais.

  • Líbano pede prorrogação do cessar-fogo enquanto ataques israelenses continuam

    Líbano e Israel iniciaram em 15 de maio de 2026 a terceira rodada de negociações em Washington, enquanto ataques israelenses continuavam no sul e no leste do Líbano, ordens de evacuação eram emitidas e confrontos com o Hezbollah resultavam na morte de um soldado israelense. O governo libanês apresentou demanda por cessar-fogo abrangente e garantias de fim das hostilidades. Os Estados Unidos mantêm pressão por um acordo de segurança mais amplo entre os dois lados. Ataque israelense contra o Líbano ©ARAB NEWS As negociações ocorrem em Washington com mediação e pressão política dos Estados Unidos, em um contexto de continuidade de operações militares na fronteira sul libanesa e expansão de deslocamentos civis. O Líbano busca prorrogação do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril de 2026 e exige que qualquer acordo inclua retirada israelense, libertação de prisioneiros e retorno de civis deslocados. Fontes oficiais libanesas informaram ao jornal The New Arab que Beirute apresentou posição por cessação completa das hostilidades e rejeição de um cessar-fogo descrito como intermitente desde sua entrada em vigor. O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, afirmou ao jornal libanês Ad-Diyar que “se um cessar-fogo real não for alcançado, isso significa que tudo desmoronou”, em referência às negociações iniciadas em Washington às nove horas no horário local. O lado israelense mantém posição de que operações militares no sul do Líbano têm como objetivo atingir ameaças contra assentamentos no norte e afirma que manterá ações enquanto o Hezbollah permanecer armado. Autoridades israelenses também afirmam que não haverá retirada completa sob essas condições. O governo dos Estados Unidos declarou, por meio de funcionário do Departamento de Estado, que a comunicação direta entre Líbano e Israel representa o caminho para um acordo de segurança, ao mesmo tempo em que atribui ao Hezbollah ações de obstrução das negociações por meio de ataques e ameaças. No terreno, o exército israelense informou a morte do sargento de primeira classe Negev Dagan, de 20 anos, durante confrontos no sul do Líbano, elevando para 20 o número de militares e contratados israelenses mortos desde a retomada da guerra em março de 2026. O grupo Hezbollah declarou operações contra forças e veículos israelenses no sul do Líbano, incluindo disparos de foguetes, artilharia, mísseis antitanque e explosivos contra movimentações de tropas e tratores, além de ações contra aeronaves e drones com mísseis terra-ar. O exército israelense realizou ataques aéreos no sul do Líbano e no Vale do Bekaa, com registros de bombardeios nas áreas próximas às cidades de Froun e Ghandouriyeh, no distrito de Bint Jbeil, segundo a Agência Nacional de Notícias do Líbano. Também foram emitidas ordens de evacuação para localidades como Shabriha, Hamadiyeh, Zaqouq al-Mafdi, Maashouq e al-Housh, no sul do Líbano, com instruções para deslocamento imediato de civis para áreas abertas a pelo menos 1.000 metros. Relatórios do Centro Nacional de Riscos Naturais e Alerta Precoce do Líbano e do Conselho Nacional de Pesquisa Científica registraram 3.318 violações do cessar-fogo e 2.324 violações do espaço aéreo entre 17 de abril e 11 de maio de 2026. O ministro da Saúde do Líbano, Rakan Nassereldine, informou que mais de 380 pessoas morreram no país desde a entrada em vigor do cessar-fogo em 17 de abril de 2026.

  • "Focinho de porco, rabo de porco, orelha de porco." Afirma Haddad sobre os Bolsonaro e Vorcaro

    Fernando Haddad afirmou nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, que há vínculos diretos entre integrantes do governo Jair Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob suspeita de fraude bilionária envolvendo o Banco Master. A declaração foi feita em entrevista a jornalistas após a divulgação de áudios e mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro e Vorcaro, revelados pelo Intercept Brasil. Fernando Haddad | ARQUIVO Segundo Haddad, a relação entre o banqueiro e o entorno político de Bolsonaro não seria pontual. “Não existe uma possível relação entre os Bolsonaro e o Master: é uma coisa só. O Daniel Vorcaro foi autorizado a operar pelo presidente do Banco Central indicado pelo Jair Bolsonaro. Jair Bolsonaro recebeu doação de campanha do Daniel Vorcaro. O ministro da Casa Civil [Ciro Nogueira] tem relação com Daniel Vorcaro. O ministro da Secom do Bolsonaro [Fabio Wajngarten] tem relação com o Vorcaro (…) A ministra de Bolsonaro [Flávia Arruda] tem relação com Vorcaro”, afirmou. Haddad acrescentou que o caso indica um padrão de vínculos institucionais e políticos entre o banco e integrantes da administração anterior. “Tem focinho de porco, rabo de porco, orelha de porco… Toda a relação do Daniel Vorcaro é com o governo Bolsonaro. Vorcaro é o rebento do governo Bolsonaro”, declarou. Haddad também citou a chamada “Emenda Master”, proposta no Senado por Ciro Nogueira durante o governo Bolsonaro, que previa alterações nas regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo o ex-ministro da Fazenda, a proposta poderia alterar o equilíbrio do sistema financeiro e foi posteriormente interrompida durante tramitação no Congresso. “O Brasil virou essa cleptocracia que virou porque as pessoas perderam a noção do ridículo, não tem mais noção de proporção… O cara pede R$ 134 milhões! Toda a produção cinematográfica do Brasil em cinco anos não dá isso”, disse Haddad ao comentar os valores mencionados nas negociações atribuídas a Flávio Bolsonaro. O Banco Central, mencionado nas declarações, foi responsável pela autorização de funcionamento do Banco Master durante o período em que a instituição era controlada por Daniel Vorcaro. O banqueiro foi preso no curso das investigações que apuram suspeitas de fraude financeira em larga escala e possíveis operações irregulares envolvendo recursos privados e públicos.

  • Lula diz que áudio de Flávio Bolsonaro com Vorcaro é ‘caso de polícia’

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em 14 de maio, em Camaçari, na Bahia, que as negociações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro constituem “caso de polícia”. A declaração ocorreu durante visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia, reativada pela Petrobras após anos de paralisação ligados à política de privatizações aplicada no governo Jair Bolsonaro. Lula associou a retomada da unidade industrial à reversão do desmonte de ativos estratégicos conduzido sob orientação de mercado defendida por setores financeiros e interesses privados ligados ao capital internacional. Presidente Lula, 2025 | ARQUIVO Ao comentar os áudios divulgados pelo Intercept Brasil envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, Lula afirmou que não cabia ao Executivo interferir nas investigações, mas indicou que o episódio deveria ser tratado pelas autoridades policiais e judiciais. “Chega de gente vender esse país. Eu não vou comentar caso de polícia, não é meu, eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia. O meu caso é tratar do povo brasileiro, é tratar da Petrobras, tratar do emprego”, declarou. Os áudios revelados pelo Intercept Brasil mostram Flávio Bolsonaro tratando de repasses milionários destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro. O material divulgado pelo veículo inclui conversas atribuídas ao senador e ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito das investigações sobre o colapso do Banco Master. Segundo as informações publicadas, os contatos envolveram pedidos de liberação de recursos para a produção cinematográfica. A fala de Lula ocorreu durante agenda voltada à retomada operacional da Fafen-BA, unidade da Petrobras localizada em Camaçari. A fábrica havia sido colocada em estado de hibernação em 2019, durante a política de desinvestimentos da estatal implementada no governo Bolsonaro. A reativação da planta ocorreu em janeiro de 2026 após investimento de R$ 100 milhões. Segundo dados apresentados durante a visita presidencial, a unidade retomou capacidade de produção de 1.300 toneladas diárias de ureia, volume correspondente a cerca de 5% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados. A Petrobras informou que a operação gera 900 empregos diretos e 2.700 indiretos. Lula afirmou que a dependência brasileira da importação de fertilizantes representa vulnerabilidade econômica e produtiva para um país cuja base agrícola ocupa posição central nas exportações globais. “O Brasil é um país agrícola, o Brasil é o segundo maior produtor de alimento, tem hora que é o terceiro, e o Brasil não pode ser importador de 90% do fertilizante que a nossa agricultura precisa. O Brasil precisa ser dono do seu nariz e produzir os fertilizantes”, declarou. A retomada da fábrica foi apresentada pelo governo federal como parte da reconstrução da capacidade industrial desmontada durante o ciclo de privatizações e venda de ativos públicos iniciado após o impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Nesse período, refinarias da Petrobras, subsidiárias da estatal e ativos energéticos foram transferidos ao setor privado nacional e estrangeiro, incluindo a privatização da Eletrobras e da BR Distribuidora. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, afirmou durante o evento que a política aplicada no governo Bolsonaro retirou da Bahia parte do papel histórico desempenhado pelo estado na indústria petrolífera nacional. “Presidente, o governo que lhe antecedeu esvaziou a Petrobras no Brasil inteiro. A Bahia pagou uma conta muito alta. Retirou desse estado o seu papel histórico de sediar a Petrobras, do primeiro poço de Petróleo. E hoje o senhor volta, com sua força, sua energia. Esta é uma pauta do combate à fome e da produção de alimentos”, disse. Durante o discurso, Lula criticou a lógica política que sustentou a privatização de setores estratégicos brasileiros e associou esse processo à submissão econômica diante de interesses externos. O presidente afirmou que empresas públicas foram desmontadas sob a justificativa de eficiência privada enquanto áreas consideradas estratégicas para soberania energética e industrial passaram ao controle de grupos financeiros e corporações internacionais. “Esse país precisa se dar conta de que durante muito tempo ele foi governado por gente que tinha a formação política de vira-lata: tudo que era do exterior era bom e tudo que era do Brasil não prestava”, declarou Lula. A agenda presidencial na Bahia ocorreu em meio à ampliação das investigações envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro e relações financeiras com integrantes da família Bolsonaro. As revelações sobre os repasses destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro aumentaram a pressão política sobre Flávio Bolsonaro e ampliaram os pedidos de investigação feitos por parlamentares governistas e órgãos de controle.

  • Trump afirma ter feito "acordos comerciais fantásticos" com Xi

    Donald Trump afirmou ter fechado acordos comerciais com Xi Jinping ao encerrar uma cúpula em Pequim nesta sexta-feira, 15 de maio. O presidente dos Estados Unidos disse à Fox News que o governo chinês se ofereceu para ajudar na reabertura do Estreito de Ormuz após a escalada militar envolvendo Irã, Israel e forças estadunidenses no Golfo Pérsico. A reunião também expôs disputas sobre Taiwan, inteligência artificial, comércio agrícola e exportação de tecnologia entre as duas potências. ARQUIVO Trump deixou Pequim após dois dias de encontros com Xi Jinping no complexo governamental de Zhongnanhai, próximo à Cidade Proibida. Durante a visita, o presidente estadunidense declarou que havia concluído “acordos comerciais fantásticos” com a China, sem divulgar documentos assinados nem detalhes sobre os termos negociados. “Fizemos alguns acordos comerciais fantásticos, ótimos para ambos os países”, declarou Trump após caminhar com Xi pelos jardins do complexo de liderança chinês. “Resolvemos muitos problemas diferentes que outras pessoas não teriam conseguido resolver”, acrescentou. Xi classificou o encontro como uma “visita histórica” e afirmou que os dois países estabeleceram “uma nova relação bilateral” baseada em “estabilidade estratégica construtiva”. O dirigente chinês também anunciou que enviará sementes ao Jardim de Rosas da Casa Branca. A aproximação diplomática ocorreu em meio à escalada militar no Oriente Médio após os ataques israelenses e estadunidenses contra o Irã e o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, rota marítima por onde circula parcela do petróleo exportado do Golfo Pérsico. A interrupção da navegação elevou tensões nos mercados internacionais de energia e pressionou governos dependentes das exportações da região. Em entrevista à Fox News após o primeiro dia da cúpula, Trump afirmou que Xi Jinping garantiu que Pequim não fornecerá armamentos ao Irã. “Ele disse que não vai fornecer equipamento militar... ele disse isso com muita convicção”, afirmou o presidente estadunidense. Trump também declarou que Xi manifestou interesse em colaborar para a reabertura do Estreito de Ormuz. “Ele gostaria de ver o Estreito de Ormuz aberto e disse: ‘Se eu puder ajudar de alguma forma, gostaria de ajudar’”, afirmou. Questionado sobre o tema, o Ministério das Relações Exteriores da China divulgou comunicado defendendo “um cessar-fogo abrangente e duradouro” e pedindo que “as rotas marítimas sejam reabertas o mais rápido possível”. O governo chinês evitou confirmar diretamente as declarações feitas por Trump sobre negociações envolvendo o Irã. O encontro também expôs disputas estruturais entre Washington e Pequim sobre Taiwan. Durante as reuniões, Xi Jinping advertiu Trump de que erros sobre a ilha poderiam levar os dois países a um “conflito”, segundo a imprensa estatal chinesa. Taiwan permanece um dos principais pontos de tensão entre China e Estados Unidos desde a vitória da Revolução Chinesa em 1949 e a posterior proteção militar estadunidense à administração instalada em Taipei. Pequim considera a ilha parte de seu território nacional e acusa Washington de utilizar Taiwan como instrumento de contenção geopolítica contra a China no Pacífico. Trump evitou comentar o tema publicamente durante a visita. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou à CNBC que o presidente “se pronunciaria nos próximos dias”. O secretário de Estado Marco Rubio declarou à NBC que “a política dos EUA sobre Taiwan permanece inalterada”. Segundo Rubio, o tema foi levantado pela delegação chinesa, mas os estadunidenses “deixaram clara sua posição e passaram para outros assuntos”. O governo de Taiwan respondeu nesta sexta-feira agradecendo o apoio de Washington. A administração de Taipei depende de armamentos, treinamento militar e respaldo diplomático estadunidense diante da pressão chinesa por reunificação. Trump também afirmou à Fox News que Xi Jinping concordou com a compra de “200 grandes” aeronaves da Boeing. Após as declarações, ações da fabricante estadunidense recuaram no mercado financeiro, diante da expectativa de investidores por contratos maiores. Além da aviação, Trump disse que Pequim demonstrou interesse em ampliar compras de petróleo e soja dos Estados Unidos. A China reduziu importações agrícolas estadunidenses após a imposição de tarifas comerciais durante os governos Trump e Biden e ampliou aquisições de commodities brasileiras. A China permanece como principal compradora do petróleo iraniano, mesmo sob sanções impostas por Washington. O comércio energético entre Teerã e Pequim tornou-se um dos principais mecanismos de sobrevivência econômica iraniana diante do bloqueio financeiro liderado pelos Estados Unidos. A cúpula também tratou da disputa tecnológica em torno da inteligência artificial. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, integrou a delegação empresarial que acompanhou Trump em Pequim. Empresas chinesas seguem proibidas de adquirir chips avançados produzidos pela companhia estadunidense devido às restrições comerciais impostas por Washington sob justificativa de “segurança nacional”. Scott Bessent afirmou à CNBC que os dois governos discutiram “diretrizes” para inteligência artificial e declarou que “as duas superpotências mundiais em IA vão começar a conversar”. Após o encontro em Zhongnanhai, Xi e Trump participaram de um almoço antes da partida da delegação estadunidense. Ao embarcar no Air Force One, Trump ergueu o punho duas vezes antes da decolagem.

  • Polícia britânica planeja operação para conter os protestos da extrema direita e de manifestantes pró-Palestina

    A Polícia Metropolitana de Londres mobilizou 4 mil agentes para conter marchas simultâneas convocadas pelo agitador de extrema direita Tommy Robinson e por grupos em defesa da Palestina neste sábado, 16 de maio. O aparato inclui drones, helicópteros, cavalaria, cães policiais e uso de reconhecimento facial em tempo real em manifestações políticas pela primeira vez na capital britânica. As mobilizações ocorrem durante atos do Dia da Nakba e em meio ao avanço da repressão estatal contra protestos ligados ao genocídio palestino. Reino Unido prende mais 13 pessoas por apoio à Palestine Action. ©LUSA A operação foi anunciada na quinta-feira, 14 de maio, pela Polícia Metropolitana, que estimou a presença de 50 mil pessoas no ato organizado por Tommy Robinson, nome político de Stephen Yaxley-Lennon, e outras 30 mil pessoas na marcha pró-Palestina convocada por organizações da Coalizão Palestina na Grã-Bretanha. As manifestações ocorrerão paralelamente à final da Copa da Inglaterra entre Chelsea e Manchester City, em Wembley, no noroeste de Londres. Segundo a polícia britânica, 660 agentes foram deslocados de outras regiões do país para reforçar a segurança na capital. O custo da operação foi estimado em 4,5 milhões de libras, equivalente a cerca de 6 milhões de dólares. O vice-comissário assistente James Harman afirmou em entrevista coletiva que “a dimensão da operação é sem precedentes nos últimos anos”. A Polícia Metropolitana impôs restrições aos dois atos, determinando horários, trajetos e exigências aos organizadores. Pela primeira vez, os responsáveis pelas manifestações poderão ser responsabilizados caso oradores convidados violem leis britânicas relacionadas a extremismo e discurso de ódio. O Ministério do Interior britânico também informou ter barrado a entrada de sete estrangeiros que pretendiam participar do evento “Unite the Kingdom”, convocado por Robinson. O ativista anti-imigração reuniu cerca de 150 mil pessoas em Londres em setembro de 2025, em uma manifestação marcada por confrontos com policiais e dezenas de prisões. Na ocasião, grupos ligados ao nacionalismo britânico desfilaram com bandeiras inglesas e britânicas pelas ruas centrais da cidade. Após os atos, ocorreram choques entre participantes e forças policiais. A Polícia Metropolitana declarou que 50 suspeitos ligados àquele protesto continuam sendo procurados por crimes cometidos durante os confrontos. O endurecimento das medidas policiais ocorre em meio ao crescimento da criminalização de manifestações ligadas à Palestina no Reino Unido desde o início do genocídio israelense contra a população palestina em outubro de 2023. Desde então, a Coalizão Palestina na Grã-Bretanha organizou mais de 33 grandes protestos em Londres e outras cidades britânicas. Casos recentes mencionados pela imprensa britânica envolveram acusações contra manifestantes que gritaram “morte às Forças de ‘Defesa’ de Israel” e “globalizar a Intifada”. As autoridades britânicas passaram a tratar palavras de ordem ligadas à resistência palestina como tema de segurança nacional, em alinhamento político e diplomático com os interesses de Tel Aviv e de governos da OTAN que sustentam apoio militar e financeiro ao genocídio em Gaza. James Harman afirmou que o nível de alerta terrorista no Reino Unido foi elevado para “grave” duas semanas antes das manifestações, após episódios de violência contra integrantes da comunidade judaica em Londres. Segundo ele, a combinação entre atos políticos rivais e a presença de torcedores de futebol aumenta o risco de confrontos. “Sempre que um número significativo de torcedores de futebol estiver muito próximo uns dos outros, existem riscos de desordem que precisam ser gerenciados”, declarou Harman. Ele acrescentou que grupos hooligans ligados ao futebol possuem histórico de participação em mobilizações organizadas por Stephen Yaxley-Lennon. A polícia britânica também declarou preocupação com a possibilidade de grupos de extrema direita viajarem para Londres aproveitando a ausência de outras partidas profissionais no país durante o sábado. Segundo Harman, isso “aumenta a probabilidade de esses grupos viajarem para Londres para se juntarem ao protesto”. O ato pró-Palestina foi convocado para marcar o Dia da Nakba, data que recorda o deslocamento forçado de centenas de milhares de palestinos durante a criação de Israel em 1948, processo associado à expulsão sistemática da população árabe palestina de suas terras e cidades.

  • Bolsomaster: Pimenta sugere bloqueio dos milhões que Vorcaro deu a Flávio Bolsonaro

    O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), anunciou em 14 de maio que pedirá o bloqueio de mais de R$ 60 milhões relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar afirmou que os valores, associados ao financiamento do filme “Dark Horse”, devem ser destinados ao ressarcimento do Fundo Garantidor de Créditos após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Pimenta também declarou que solicitará investigação internacional sobre transferências financeiras para contas no Texas, nos Estados Unidos. Paulo Pimenta ©ARQUIVO A declaração foi feita após a divulgação, pelo Intercept Brasil, de mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Segundo o material revelado pelo veículo, o senador negociou recursos para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro. A reportagem informou que as informações foram verificadas por meio de cruzamento de dados bancários, telefônicos e documentos públicos. Paulo Pimenta afirmou que encaminhará pedidos formais à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal e ao ministro André Mendonça para bloquear R$ 65 milhões ligados às operações investigadas. O deputado declarou que os recursos devem ser utilizados para cobrir prejuízos relacionados ao colapso do Banco Master. “Nós vamos formalizar junto à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal e ao ministro André Mendonça uma série de medidas. A primeira delas, o imediato bloqueio de R$ 65 milhões para que esse dinheiro seja utilizado para ressarcir o FGC, de onde está sendo tirado o dinheiro para pagar as pessoas que foram lesadas pelo golpe do Banco Master”, afirmou o parlamentar. O Fundo Garantidor de Créditos é mantido por instituições bancárias e atua como mecanismo de cobertura para correntistas e investidores em casos de intervenção ou falência de bancos. O Banco Central determinou a liquidação do Banco Master após investigações envolvendo operações financeiras atribuídas ao grupo controlado por Daniel Vorcaro. Pimenta afirmou que as mensagens divulgadas pelo Intercept confirmam relações políticas e financeiras entre a família Bolsonaro e o banqueiro investigado. O deputado retomou a expressão “Bolsomaster”, utilizada anteriormente por ele durante debates ligados à CPI do INSS. “Quando eu criei essa expressão Bolsomaster, ainda lá na CPI do INSS, nem eu naquele momento tinha a dimensão, o grau de intimidade desta família com o escândalo do Banco Master”, declarou. O líder do governo também informou que solicitará bloqueio de bens ligados a Flávio Bolsonaro, incluindo uma mansão em Brasília financiada pelo Banco de Brasília, o BRB. Segundo o parlamentar, o banco estatal do Distrito Federal também deve ser investigado em razão de sua relação com operações associadas ao caso. “Vamos indicar à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal e ao Supremo Tribunal Federal esta mansão que ele comprou aqui em Brasília, financiada pelo BRB, banco que também está totalmente envolvido no escândalo do Bolso Master”, afirmou. Pimenta declarou que os valores investigados superam montantes já identificados em campanhas eleitorais anteriores associadas ao bolsonarismo. Segundo ele, os recursos relacionados ao caso ultrapassariam os R$ 5 milhões anteriormente vinculados às campanhas de Jair Bolsonaro e do governador paulista Tarcísio de Freitas. “O pagamento foi bem maior do que aquele dinheiro depositado na campanha do Tarcísio e do Bolsonaro. Na realidade, é muito maior do que os R$ 5 milhões que até agora já estavam comprovadamente na conta da campanha do Bolsonaro”, disse. O deputado anunciou ainda que pedirá ao Banco Central, ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras e à Polícia Federal o rastreamento de movimentações financeiras destinadas a contas localizadas no Texas. Segundo ele, existem suspeitas de que recursos enviados ao exterior possam ter sido utilizados para financiar campanhas digitais contra o governo Lula e em defesa de Daniel Vorcaro. “Há suspeita de que influenciadores digitais têm sido financiados para ataques ao governo, ataques ao presidente Lula, defesa do Vorcaro, ataques ao Banco Central, que esta gente tem recebido dinheiro de forma ilegal. E nós também temos uma suspeita de que parte desses pagamentos têm sido feitos por essas contas do exterior”, afirmou. Pimenta declarou que solicitará cooperação internacional para rastrear os recursos movimentados para os Estados Unidos e identificar beneficiários das contas investigadas. “Nós vamos pedir que imediatamente também o governo brasileiro acione a cooperação internacional para que a gente possa rastrear o destino deste dinheiro que entrou nesta conta no Texas”, declarou. As mensagens divulgadas pelo Intercept mostraram negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para financiamento do filme “Dark Horse”. Em um dos áudios publicados pelo veículo, o senador cobra a liberação de recursos para a produção cinematográfica e menciona atrasos nos pagamentos relacionados ao projeto. Após a divulgação das mensagens, Flávio Bolsonaro admitiu que solicitou apoio financeiro para o filme, mas afirmou que buscava apenas patrocínio privado e negou irregularidades. “É muito importante que imediatamente esse dinheiro seja bloqueado, que essa é uma garantia e que esse fundo, que não foi criado para a finalidade de substituir operações criminosas, travestidas de financiamento de filme, efetivamente não sejam impunes nesse processo”, declarou Paulo Pimenta.

  • Israelenses entoam ameaças e slogans anti-palestinos na marcha das bandeiras

    Milhares de israelenses ultranacionalistas atravessaram o bairro muçulmano da Cidade Velha de Jerusalém em 14 de maio sob proteção da polícia israelense e entoando palavras de ordem contra palestinos. Durante a marcha do chamado “Dia de Jerusalém”, grupos gritaram “Morte aos árabes” e “Que suas aldeias sejam queimadas”, enquanto comerciantes palestinos fecharam lojas e permaneceram dentro de casa. O ato ocorreu em meio ao genocídio em Gaza, às operações militares israelenses na região e à escalada envolvendo o Irã. Marcha das bandeiras, Palestina ocupada. ©REUTERS A marcha anual organizada por grupos nacionalistas israelenses celebra a ocupação e anexação de Jerusalém Oriental após a guerra árabe-israelense de 1967. Israel incorporou a parte oriental da cidade ao seu território após a ocupação militar, medida rejeitada pelas Nações Unidas e considerada ilegal pelo direito internacional. Jerusalém Oriental possui maioria populacional palestina e permanece reivindicada pelos palestinos como futura capital de um Estado palestino. Segundo relatos da AFP e imagens divulgadas nas redes sociais, dezenas de milhares de israelenses, muitos adolescentes e jovens adultos, atravessaram as ruas estreitas da Cidade Velha escoltados por forças policiais israelenses posicionadas em diferentes pontos da área ocupada. Os manifestantes bateram em portas metálicas de lojas palestinas fechadas e entoaram slogans racistas durante o trajeto até o Muro das Lamentações. Vídeos compartilhados online mostraram grupos de jovens vestidos com camisetas brancas empurrando ativistas israelenses e palestinos ligados ao movimento Standing Together, organização que atua contra a ocupação israelense e em defesa da convivência entre palestinos e israelenses. Em uma das gravações, jovens israelenses lançaram cadeiras de plástico contra um comerciante palestino enquanto gritavam “Árabes filhos de prostitutas”. A AFP informou que grande parte dos comerciantes palestinos da Cidade Velha encerrou as atividades antes da passagem da marcha. Algumas lojas permaneceram abertas sob proteção de ativistas do Standing Together, que organizaram uma ação para tentar impedir agressões contra moradores e comerciantes palestinos. A polícia israelense manteve presença em toda a área durante o evento, mas ativistas acusaram as forças de segurança de não agir para impedir agressões e intimidações. A marcha ocorre todos os anos e registra episódios de violência contra palestinos, ataques físicos, destruição de propriedades e ameaças. Nos degraus próximos ao Portão de Damasco, uma das entradas da Cidade Velha, ativistas israelenses vestidos de branco distribuíram flores para pedestres palestinos e israelenses antes da chegada da marcha. O gesto foi descrito como manifestação de solidariedade diante da escalada de violência associada ao evento. Ilan Perez, israelense de 52 anos que participou da ação organizada por ativistas antiguerra, declarou à AFP que compareceu para demonstrar solidariedade à população palestina local. “Era importante para mim vir para demonstrar solidariedade com a comunidade local e dizer que, como judeu, como sionista, como alguém que deseja um Estado judeu aqui, quero que eles façam parte disso e sejam parte da nação com direitos iguais”, afirmou Perez, morador de Raanana, cidade próxima a Tel Aviv. Rula Daoud, codiretora do movimento Standing Together, afirmou que a marcha se tornou mais violenta após os ataques de 7 de outubro de 2023 e durante o genocídio conduzido por Israel contra a população palestina em Gaza. Ela acusou a polícia israelense de permitir a ação de grupos ultranacionalistas contra palestinos dentro da Cidade Velha. “Neste dia, milhares de colonos e jovens e idosos fascistas de direita estarão perambulando pelas ruas, entoando insultos racistas, tentando destruir propriedades pertencentes aos palestinos e simplesmente aterrorizando a região”, declarou Daoud. “Nossa presença visa apenas proteger as pessoas de ataques e os locais de vandalismo. E tentamos apaziguar os ânimos neste dia”, acrescentou. Durante a marcha, grupos de manifestantes também confrontaram jornalistas presentes na cobertura do evento. Segundo relatos registrados no local, profissionais da imprensa foram empurrados e impedidos de filmar parte das agressões e palavras de ordem entoadas pelos participantes.

  • Siga o dinheiro: partidos suspeitam que Banco Master financiava extrema direita

    PT, PV e PCdoB apresentaram em 14 de maio representação criminal à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República para investigar a relação entre o Banco Master, o filme “Dark Horse” e o financiamento político do bolsonarismo. Os partidos apontam suspeitas de lavagem de dinheiro, uso de emendas parlamentares e estruturação de caixa 2 envolvendo empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e aliados de Jair Bolsonaro. A ação foi protocolada pela Federação Brasil da Esperança após revelações sobre o pedido de R$ 134 milhões feito por Flávio Bolsonaro a Vorcaro para financiar o longa-metragem sobre o ex-presidente. ©PINTEREST Segundo a representação apresentada pelos partidos, os recursos ligados ao chamado “ecossistema do Banco Master”, somados a emendas parlamentares destinadas por aliados bolsonaristas e a contratos relacionados à produção audiovisual do filme “Dark Horse”, podem integrar uma estrutura de financiamento político voltada à sustentação do bolsonarismo após a derrota eleitoral de 2022. O documento protocolado na Polícia Federal e na Procuradoria-Geral da República sustenta que os repasses podem ter servido para alimentar operações de comunicação política, blindagem judicial e manutenção de redes de influência associadas ao entorno de Jair Bolsonaro. A representação menciona a hipótese de utilização de estruturas culturais, religiosas e audiovisuais como mecanismos de circulação financeira para fins políticos. O caso ganhou dimensão após a divulgação de informações sobre a negociação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Segundo os partidos, o senador do PL do Rio de Janeiro solicitou ao banqueiro o repasse de R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”. A representação afirma que Vorcaro teria transferido R$ 61 milhões. PT, PV e PCdoB afirmam que a investigação deve apurar se parte desses recursos foi utilizada para alimentar caixa 2 eleitoral, financiar atividades políticas da família Bolsonaro e sustentar operações financeiras vinculadas a agentes da extrema direita brasileira articulados com setores empresariais e estruturas de lobby nos Estados Unidos. A petição apresentada pelos partidos pede cooperação jurídica internacional com autoridades estadunidenses, incluindo o FBI, para rastrear contas bancárias, empresas, fundos financeiros, beneficiários finais e pagamentos destinados a consultores, advogados, operadores políticos e lobistas sediados nos Estados Unidos. O documento sustenta que a investigação precisa acompanhar a movimentação internacional dos recursos ligados ao Banco Master e às empresas associadas à produção do filme. Os partidos também solicitaram investigação sobre emendas parlamentares enviadas por integrantes do bolsonarismo a organizações não governamentais e entidades vinculadas ao mesmo grupo empresarial relacionado a Daniel Vorcaro. A suspeita apresentada é de que os repasses públicos e privados possam compor um mesmo circuito financeiro. Na representação encaminhada à PF e à PGR, os partidos afirmam que “a convergência desses fluxos sugere a existência de um mecanismo de dupla alimentação financeira: de um lado, dinheiro privado de banqueiro investigado; de outro, dinheiro público transferido por parlamentares bolsonaristas a entidades interconectadas”. O documento acrescenta que “esse arranjo exige apuração sob a ótica da lavagem de dinheiro, da ocultação de beneficiários finais, da simulação de finalidade, da fragmentação de repasses e da eventual utilização de estruturas culturais, religiosas, sociais e audiovisuais como fachada para financiamento político”. A representação lista dez pedidos formais de investigação dirigidos à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Entre eles estão a instauração de inquérito criminal para apurar lavagem de dinheiro, organização criminosa, peculato, desvio de recursos públicos, falsidade ideológica, evasão de divisas e crimes contra a soberania nacional. Os partidos também pediram apuração da atuação de Flávio Bolsonaro na “negociação, intermediação e cobrança de valores” junto a Daniel Vorcaro. Outro ponto apresentado é a investigação sobre o uso do filme “Dark Horse” como “fachada, simulacro contratual ou instrumento de dissimulação patrimonial”. A representação solicita ainda acesso a informações sobre emendas parlamentares, convênios, contratos públicos, termos de fomento e transferências especiais relacionadas às entidades investigadas. O pedido inclui quebra de sigilo, bloqueio de ativos financeiros, preservação de documentos e compartilhamento de provas com o Supremo Tribunal Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Banco Central, Receita Federal e Tribunal de Contas da União.

  • Flávio Bolsonaro ataca o Intercept Brasil no STF e no TSE, após vazamento de áudio

    O Intercept Brasil afirmou em 14 de maio que aliados de Flávio Bolsonaro acionaram o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral após a divulgação de reportagens sobre negociações entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro. O deputado federal Helio Lopes (PL-RJ), aliado da família Bolsonaro, solicitou investigações sobre os “vazamentos seletivos” publicados pelo veículo e pediu apuração de “eventual responsabilidade criminal, funcional ou administrativa”. A iniciativa ocorreu um dia depois da publicação de uma investigação que expôs tratativas envolvendo R$ 134 milhões destinados à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Foto: Daniel RAMALHO / AFP via Getty Images Em comunicado assinado pelos jornalistas Andrew Fishman e Cecília Olliveira, o Intercept Brasil classificou a movimentação judicial como tentativa de censura contra o trabalho jornalístico e contra fontes envolvidas na apuração. O texto afirma que Helio Lopes encaminhou ofícios ao Supremo Tribunal Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral na quinta-feira, 14 de maio, além de acionar o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro durante seu governo. Segundo o Intercept, a ofensiva política e judicial ocorreu após a divulgação de uma investigação exclusiva sobre as relações entre Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro, e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A reportagem apontou que Flávio negociou com Vorcaro o montante de R$ 134 milhões para financiar a produção do filme “Dark Horse”, obra sobre Jair Bolsonaro. O veículo afirmou que a tentativa de judicialização busca interromper a divulgação de novos conteúdos relacionados ao caso e intimidar pessoas que forneceram informações para a investigação. “Recorrer ao STF e ao TSE é uma estratégia para calar nossa investigação e assustar nossas fontes”, declarou o Intercept no comunicado publicado em 14 de maio. A publicação também relacionou o episódio ao histórico de pressão política exercida contra veículos de imprensa que divulgam informações envolvendo figuras centrais do bolsonarismo e setores do capital financeiro ligados ao Estado brasileiro. O texto sustenta que a reação de aliados de Flávio Bolsonaro ocorreu após a repercussão das revelações sobre contratos milionários envolvendo o senador e Daniel Vorcaro. Andrew Fishman e Cecília Olliveira afirmaram que o pedido apresentado por Helio Lopes representa “uma escalada” contra a liberdade de imprensa prevista na Constituição. “Trata-se de uma escalada extremamente grave e seria uma violação flagrante de nossos direitos constitucionais à liberdade de imprensa”, escreveu o veículo. O comunicado informou que o Intercept pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral para contestar qualquer medida que possa restringir a publicação das reportagens. O veículo declarou que pretende contratar advogados para defender tanto a atuação jornalística quanto o direito da população de acessar informações sobre autoridades públicas e suas relações com empresários envolvidos em investigações. “Precisamos ir ao STF e ao TSE e defender o direito do público de os brasileiros saberem o que autoridades eleitas, como o senador Flávio Bolsonaro, fazem e dizem em particular quando se trata de contratos milionários com vigaristas que roubam dinheiro público”, afirmou o texto divulgado pelo Intercept. A publicação também declarou que novas informações obtidas nos arquivos da investigação ainda não foram divulgadas e podem ser afetadas por eventual decisão judicial. “Se eles conseguirem uma ordem de censura, poderemos ser obrigados a interromper a divulgação do que estamos trabalhando no momento”, escreveram os jornalistas. No comunicado, o Intercept Brasil solicitou apoio financeiro para custear despesas jurídicas e manter a continuidade das reportagens sobre o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

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