Siga o dinheiro: partidos suspeitam que Banco Master financiava extrema direita
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PT, PV e PCdoB apresentaram em 14 de maio representação criminal à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República para investigar a relação entre o Banco Master, o filme “Dark Horse” e o financiamento político do bolsonarismo. Os partidos apontam suspeitas de lavagem de dinheiro, uso de emendas parlamentares e estruturação de caixa 2 envolvendo empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e aliados de Jair Bolsonaro. A ação foi protocolada pela Federação Brasil da Esperança após revelações sobre o pedido de R$ 134 milhões feito por Flávio Bolsonaro a Vorcaro para financiar o longa-metragem sobre o ex-presidente.

Segundo a representação apresentada pelos partidos, os recursos ligados ao chamado “ecossistema do Banco Master”, somados a emendas parlamentares destinadas por aliados bolsonaristas e a contratos relacionados à produção audiovisual do filme “Dark Horse”, podem integrar uma estrutura de financiamento político voltada à sustentação do bolsonarismo após a derrota eleitoral de 2022.
O documento protocolado na Polícia Federal e na Procuradoria-Geral da República sustenta que os repasses podem ter servido para alimentar operações de comunicação política, blindagem judicial e manutenção de redes de influência associadas ao entorno de Jair Bolsonaro. A representação menciona a hipótese de utilização de estruturas culturais, religiosas e audiovisuais como mecanismos de circulação financeira para fins políticos.
O caso ganhou dimensão após a divulgação de informações sobre a negociação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Segundo os partidos, o senador do PL do Rio de Janeiro solicitou ao banqueiro o repasse de R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”. A representação afirma que Vorcaro teria transferido R$ 61 milhões.
PT, PV e PCdoB afirmam que a investigação deve apurar se parte desses recursos foi utilizada para alimentar caixa 2 eleitoral, financiar atividades políticas da família Bolsonaro e sustentar operações financeiras vinculadas a agentes da extrema direita brasileira articulados com setores empresariais e estruturas de lobby nos Estados Unidos.
A petição apresentada pelos partidos pede cooperação jurídica internacional com autoridades estadunidenses, incluindo o FBI, para rastrear contas bancárias, empresas, fundos financeiros, beneficiários finais e pagamentos destinados a consultores, advogados, operadores políticos e lobistas sediados nos Estados Unidos. O documento sustenta que a investigação precisa acompanhar a movimentação internacional dos recursos ligados ao Banco Master e às empresas associadas à produção do filme.
Os partidos também solicitaram investigação sobre emendas parlamentares enviadas por integrantes do bolsonarismo a organizações não governamentais e entidades vinculadas ao mesmo grupo empresarial relacionado a Daniel Vorcaro. A suspeita apresentada é de que os repasses públicos e privados possam compor um mesmo circuito financeiro.
Na representação encaminhada à PF e à PGR, os partidos afirmam que “a convergência desses fluxos sugere a existência de um mecanismo de dupla alimentação financeira: de um lado, dinheiro privado de banqueiro investigado; de outro, dinheiro público transferido por parlamentares bolsonaristas a entidades interconectadas”.
O documento acrescenta que “esse arranjo exige apuração sob a ótica da lavagem de dinheiro, da ocultação de beneficiários finais, da simulação de finalidade, da fragmentação de repasses e da eventual utilização de estruturas culturais, religiosas, sociais e audiovisuais como fachada para financiamento político”.
A representação lista dez pedidos formais de investigação dirigidos à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Entre eles estão a instauração de inquérito criminal para apurar lavagem de dinheiro, organização criminosa, peculato, desvio de recursos públicos, falsidade ideológica, evasão de divisas e crimes contra a soberania nacional.
Os partidos também pediram apuração da atuação de Flávio Bolsonaro na “negociação, intermediação e cobrança de valores” junto a Daniel Vorcaro. Outro ponto apresentado é a investigação sobre o uso do filme “Dark Horse” como “fachada, simulacro contratual ou instrumento de dissimulação patrimonial”.
A representação solicita ainda acesso a informações sobre emendas parlamentares, convênios, contratos públicos, termos de fomento e transferências especiais relacionadas às entidades investigadas. O pedido inclui quebra de sigilo, bloqueio de ativos financeiros, preservação de documentos e compartilhamento de provas com o Supremo Tribunal Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Banco Central, Receita Federal e Tribunal de Contas da União.



































