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  • “Se não houver contrato, passa a ser ilícito”, afirma advogado sobre dinheiro pedido por Flávio a Vorcaro

    O senador Flávio Bolsonaro afirmou que pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Investigações da Polícia Federal apontam relações entre o proprietário do Banco Master e investigados por fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Juristas ouvidos pelo Brasil de Fato defenderam investigação sobre a origem, a forma e a legalidade da transferência de recursos envolvendo o senador e o banqueiro. Daniel Vorcaro e Flavio Bolsonaro - gerado por IA Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, reconheceu ter solicitado dinheiro a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, instituição investigada por operações relacionadas a uma das fraudes contra o sistema financeiro brasileiro. A declaração ocorreu em meio ao avanço das apurações conduzidas pela Polícia Federal sobre esquemas ligados ao INSS e sobre conexões entre integrantes do banco e operadores investigados. Em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o advogado e cientista político Jorge Folena afirmou que o reconhecimento público da relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro impõe necessidade de investigação sobre a circulação dos recursos e os instrumentos jurídicos utilizados na operação. “Juridicamente, o momento político exige, por parte das autoridades, uma investigação profunda sobre toda a movimentação feita por Flávio Bolsonaro, a família Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Se Flávio disse que recebeu o dinheiro de forma lícita, ele vai ter que demonstrar isso, vai ter que provar o que está dizendo. Porque, se foi de forma lícita, tem que ter um contrato. Se não tiver, aí passa a ser ilícito. O grave é se não houver demonstração de como entrou o dinheiro”, declarou Folena. O jurista acrescentou que a operação pode envolver infrações tributárias e outras violações financeiras dependendo da documentação apresentada pelos envolvidos. “Isso envolve crimes de responsabilidade tributária, contra a ordem tributária e outros, em tese, do que pode se desdobrar a partir do reconhecimento de Flávio de que ele pediu o dinheiro”, afirmou. Segundo Folena, a expansão do Banco Master ocorreu durante o governo Jair Bolsonaro e esteve ligada a decisões políticas e regulatórias adotadas naquele período. O advogado relacionou o crescimento da instituição financeira à política econômica implementada sob direção do Banco Central e às alterações no mercado de crédito consignado vinculadas à Previdência Social. “O crescimento do Banco Master tem a ver com o governo Bolsonaro, porque é no Banco Central de Bolsonaro, é na previdência de Bolsonaro que o Banco Master vai conseguir ampliar suas atividades no mercado financeiro, inclusive fazer empréstimos consignados. Historicamente, portanto, é possível afirmar que existe uma ligação entre o Banco Master e o governo Bolsonaro? Aparentemente, sim. Porque o Banco Master, com a chegada do Jair Bolsonaro, vai surgir e crescer de uma forma meteórica, e hoje já sabemos o porquê”, disse. As investigações sobre o Banco Master ganharam dimensão política após setores da extrema direita tentarem associar o caso ao Poder Judiciário por meio de insinuações envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Folena afirmou que não houve divulgação de elementos que comprovassem relação operacional entre os magistrados e Vorcaro. “Só que nós não ouvimos um diálogo com Moraes ou com Toffoli. O que ouvimos com clareza com relação ao Flávio Bolsonaro no dia de hoje é, como disse André Mendonça sobre Ciro Nogueira: ‘uma relação que ultrapassa o que seria uma mera amizade'”, afirmou. O Brasil de Fato também ouviu o jurista e professor de Direito Constitucional Pedro Serrano, que destacou o impacto institucional do caso diante da posição ocupada por Flávio Bolsonaro no Congresso Nacional e dos valores envolvidos na operação financeira. “É preciso investigar fundamentalmente, porque não é qualquer pessoa privada. É um líder político que tem forte influência no Congresso. E porque também não é muito comum haver um financiamento de mais de R$ 130 milhões”, afirmou Serrano, acrescentando que, até o momento, não é possível afirmar se houve ilegalidade na transação.

  • Em meio a bombardeios israelenses, Líbano e Israel retomam negociações diretas em Washington

    Uma nova rodada de negociações diretas entre o Líbano e Israel começa nesta quinta-feira em Washington enquanto ataques israelenses continuam atingindo cidades libanesas. O Ministério da Saúde do Líbano informou o martírio de 22 pessoas, entre elas 8 crianças, após bombardeios realizados na quarta-feira. Integrantes do Bloco Lealdade à Resistência acusaram o governo libanês de conceder reconhecimento político a Israel em meio à ofensiva militar. Soldado israelense ferido é evacuado após ter sido atingido durante uma ação contra guerrilheiros do Hezbollah no sul do Líbano, próximo à vila fronteiriça de Maroun al-Ras, em 24 de julho de 2006. | Foto: Shaul Schwarz/Getty Images As negociações entre representantes do governo libanês e autoridades israelenses ocorrem sob mediação do Departamento de Estado estadunidense em Washington. O Líbano será representado pelo ex-embaixador Simon Karam. Participam também das conversas os enviados estadunidenses Mike Huckabee e Mike Needham. Diferentemente da rodada anterior realizada em 23 de abril na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário de Estado Marco Rubio não participarão desta etapa das negociações. Segundo informações divulgadas pela imprensa libanesa, Trump encontra-se em visita à China. A rede Al Mayadeen informou que as negociações em curso não possuem como objetivo um acordo de “paz” entre o Líbano e Israel, mas sim entendimentos de segurança semelhantes ao modelo do armistício firmado em 1949. Segundo a emissora, a proposta debatida prevê mecanismos para manter canais de comunicação abertos entre os dois lados e evitar expansão das hostilidades na fronteira sul do Líbano. A reunião anterior entre representantes libaneses, israelenses e autoridades estadunidenses ocorreu em 23 de abril na Casa Branca. Na ocasião, Donald Trump anunciou a extensão do cessar-fogo por três semanas e afirmou existir possibilidade de um acordo entre o Líbano e Israel ainda em 2026. Trump também declarou que o presidente libanês Joseph Aoun poderia reunir-se com Benjamin Netanyahu “nas próximas três semanas”. As negociações ocorrem enquanto Israel mantém operações aéreas e bombardeios em território libanês. Na quarta-feira, o Ministério da Saúde do Líbano informou o martírio de 22 pessoas em decorrência dos ataques israelenses. Entre os mortos estavam 8 crianças. A Agência Nacional de Notícias do Líbano informou que aeronaves israelenses bombardearam cerca de 40 cidades e vilarejos no sul e no leste do país. Os ataques atingiram áreas residenciais e regiões próximas à fronteira. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde libanês, desde 2 de março os ataques israelenses deixaram 2.896 mártires e 8.824 feridos no Líbano. O deputado Ali Ammar, integrante do Bloco Lealdade à Resistência, declarou: “Somos contra as negociações diretas que a Autoridade está conduzindo com o inimigo israelense”. Ammar declarou que as negociações representam concessão política ao governo israelense. Segundo o parlamentar, o reconhecimento diplomático oferecido pelo governo libanês “não condiz com a dignidade e a soberania deste país”. Dirigindo-se às autoridades libanesas, Ammar afirmou: “Vamos chegar a um consenso para que possamos construir um Líbano, uma nação de soberania, liberdade, dignidade e prosperidade, e para que possamos restaurar ao povo toda a atmosfera de felicidade e alegria depois que suas políticas trouxeram infortúnio, miséria e desespero a este povo.”

  • O que está por trás dos entraves que dificultam projetos de energia nuclear no Oriente Médio

    A Agência Internacional de Energia Atômica afirmou em 12 de maio que países do Oriente Médio e do Norte da África ampliam projetos nucleares diante da crise energética global e do aumento da demanda elétrica. Dados da ONU indicam que o consumo regional de energia triplicou entre 2000 e 2024, enquanto governos da região buscam reduzir dependência de combustíveis fósseis e responder à pressão sobre sistemas de dessalinização e refrigeração. O debate ocorre em meio a disputas geopolíticas, sanções, intervenções militares estadunidenses e expansão de infraestrutura estratégica em uma região marcada pelo controle externo sobre rotas energéticas e cadeias de abastecimento. Gilles Mili | Pinterest Relatório divulgado pela ONU News com base em informações da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, aponta que governos do Oriente Médio estudam ampliar o uso da energia nuclear como alternativa para abastecimento elétrico e estabilidade energética. O documento afirma que a combinação entre crescimento populacional, aumento da demanda industrial e pressão climática acelerou projetos nucleares em países da região, ao mesmo tempo em que surgem obstáculos relacionados à segurança regional, ao financiamento de infraestrutura e às mudanças climáticas. Segundo a Aiea, existem 416 reatores nucleares em operação distribuídos em 31 países, responsáveis por aproximadamente 10% da eletricidade consumida no planeta. A agência afirma ainda que cerca de 60 países estudam incorporar energia nuclear às suas matrizes nacionais. A expansão ocorre em um cenário de disputa global por fontes energéticas, cadeias industriais e controle tecnológico, marcado pela presença de conglomerados estatais e privados ligados a potências ocidentais e por décadas de sanções contra países do Sul Global que buscaram autonomia nuclear. Shota Kamishima, representante da Aiea, declarou que a energia nuclear representa uma “enorme oportunidade” para os países interessados em ampliar geração elétrica sem elevar emissões de carbono. A declaração foi apresentada em meio ao reposicionamento de governos da região após sucessivas crises energéticas e oscilações no mercado internacional de combustíveis. O Egito aparece entre os países citados pela ONU como exemplo de integração entre projetos nucleares e fontes renováveis. O governo egípcio pretende concluir a central nuclear de El Dabaa, cuja capacidade instalada projetada chega a 4,8 gigawatts. O complexo integra uma política energética que também inclui o Parque Solar de Benban e o Parque Eólico do Golfo de Suez. A ONU afirma que a capacidade prevista para El Dabaa se aproxima de toda a capacidade solar fotovoltaica instalada em Portugal até 2024. O projeto nuclear egípcio ocorre em meio à tentativa do Cairo de reduzir dependência de importações energéticas e ampliar infraestrutura nacional em um contexto regional marcado por instabilidade política e militar. A reportagem destaca que o aumento da demanda energética no Oriente Médio e no Norte da África ocorreu simultaneamente à expansão das necessidades de dessalinização e refrigeração. Almuntaser Albalawi, pesquisador do Instituto das Nações Unidas para Pesquisa sobre Desarmamento, Unidir, afirmou que essas pressões reforçam a busca regional por fontes de energia contínuas. A expansão nuclear também esbarra em fatores climáticos. Zia Mian, codiretor do Programa de Ciência e Segurança Global da Universidade de Princeton, afirmou que o Oriente Médio aquece em ritmo duas vezes superior à média global. Segundo ele, um aumento de até cinco graus Celsius até o fim do século comprometeria diretamente o funcionamento de centrais nucleares instaladas na região. Mian afirmou ainda que projetos nucleares exigem investimentos elevados em comparação com usinas solares e eólicas. “Em termos de benefícios climáticos por cada dólar investido, as duas opções simplesmente não são comparáveis”, declarou o pesquisador à ONU News. A discussão sobre energia nuclear ganhou espaço durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática de 2023, quando organismos multilaterais passaram a incluir a tecnologia entre as fontes de baixa emissão de carbono cuja expansão deveria ser acelerada. O debate ocorre em paralelo ao avanço de disputas comerciais, sanções tecnológicas e operações militares em regiões produtoras de petróleo e gás, fatores que moldam o controle internacional sobre infraestrutura energética e rotas estratégicas de abastecimento. A instalação nuclear de Bushehr, no Irã, citada pela reportagem da ONU, permanece entre os principais símbolos da disputa geopolítica envolvendo soberania energética e pressão externa sobre programas nucleares no Oriente Médio. O programa iraniano foi alvo de sanções econômicas, sabotagens e operações atribuídas a Israel e aliados estadunidenses ao longo das últimas décadas, enquanto Teerã sustenta que seu desenvolvimento nuclear possui finalidade civil e energética. O texto da ONU foi baseado em reportagem de Liling Huang e publicado em 12 de maio de 2026 pela ONU News.

  • O Exército iraniano adverte que nenhuma arma americana transitará pelo Estreito de Ormuz

    O Exército iraniano declarou em 13 de maio de 2026 que não permitirá mais o trânsito de armamentos estadunidenses pelo Estreito de Ormuz em direção a bases militares instaladas no Golfo Pérsico. O anúncio foi feito pelo porta-voz das Forças Armadas iranianas, brigadeiro-general Mohammad Akraminia, em meio à reorganização militar conduzida por Teerã após a ofensiva militar conjunta de Estados Unidos e Israel iniciada em 28 de fevereiro e encerrada por cessar-fogo em 8 de abril. A decisão amplia a disputa pelo controle da principal rota energética do planeta e ocorre após ataques contra infraestrutura iraniana, o martírio de Ali Khamenei e operações militares da República Islâmica no contexto da operação Promessa Verdadeira 4. Guarda Revolucionária do Irã “A partir de agora, não permitiremos que armas americanas transitem pelo Estreito de Ormuz e entrem em bases regionais”, declarou Akraminia durante cerimônia realizada em Teerã que marcou o 40º dia após o sepultamento do major-general Abdolrahim Mousavi, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã. O comandante afirmou que qualquer embarcação que deseje utilizar a hidrovia deverá operar sob supervisão militar iraniana. Segundo ele, a passagem marítima será monitorada pelas Forças Armadas iranianas dentro de um sistema definido como “passagem sem danos”. Akraminia informou que a porção ocidental do Estreito de Ormuz passou ao controle da Marinha do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, enquanto a área oriental permanece sob administração da Marinha do Exército da República Islâmica do Irã. Segundo o porta-voz militar, o novo sistema de administração conjunta fortalece a soberania iraniana sobre a hidrovia e altera o equilíbrio estratégico na região. “Esse controle coordenado e sinérgico, ao mesmo tempo que fortalece o monitoramento e a soberania do Irã sobre a região, gerará receitas para o país até o dobro da receita do petróleo”, afirmou. O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e concentra uma das principais rotas de circulação de petróleo e gás do planeta. Autoridades iranianas afirmam que cerca de 20 milhões de barris de petróleo transitavam diariamente pela hidrovia antes da guerra iniciada em fevereiro, além de um quinto do gás natural comercializado globalmente e 80% do comércio internacional de fertilizantes agrícolas. Akraminia declarou que operações militares conduzidas pelos Estados Unidos e por Israel fracassaram em atingir objetivos estratégicos contra o Irã. Segundo ele, a destruição do programa nuclear iraniano, das capacidades de mísseis e do sistema político da República Islâmica não ocorreu apesar de semanas de bombardeios e confrontos militares. O general afirmou que as Forças Armadas iranianas mantiveram capacidade operacional durante toda a ofensiva militar. Segundo ele, ataques com mísseis e operações terrestres impediram o avanço dos objetivos militares estadunidenses e israelenses. “A doutrina militar do Irã agora é de natureza ofensiva e qualquer erro cometido pelo inimigo será recebido com a resposta mais severa”, declarou Akraminia. O comandante também associou a atual conjuntura militar iraniana ao processo histórico iniciado com a Revolução Islâmica de 1979. “Após a primeira revolução que expulsou o Xá e a segunda revolução que expulsou os Estados Unidos do Irã, hoje expulsaremos os Estados Unidos de toda a região, e sua presença será eliminada desta região para sempre”, afirmou. Em discurso separado realizado na cidade de Amol, Saeed Siahsorani, vice-comandante de Operações Culturais e Psicológicas da Marinha do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, fez ameaças diretas aos Estados Unidos e ao presidente Donald Trump. “Se os Estados Unidos e Trump, pessoalmente, quiserem fazer alguma besteira, transformaremos o Golfo Pérsico no maior cemitério de fuzileiros navais americanos”, declarou Siahsorani. O oficial afirmou que o Estreito de Ormuz se transformou no “Estreito da Honra do Islã”. Segundo ele, o Irã já executa um “bloqueio inteligente” na região marítima, mesmo sem confronto naval direto contra forças estadunidenses. Siahsorani declarou que cerca de 70% das bases militares estadunidenses instaladas na região foram destruídas durante a guerra encerrada em abril. Entre as instalações citadas por ele estão Arifjan, Al Udeid, Sheikh Isa e Ali Al Salem. Desde o início da ofensiva militar conjunta entre Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, autoridades iranianas passaram a acusar Washington de manter bloqueio naval ilegal contra portos iranianos. O governo iraniano também declarou que o país está preparado para uma guerra prolongada caso o cessar-fogo firmado em 8 de abril seja rompido. Após o martírio de Ali Khamenei e os ataques contra instalações civis iranianas, a administração operacional do Estreito de Ormuz passou a ser conduzida conjuntamente pela Marinha do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica e pela Marinha do Exército iraniano.

  • OMS espera novos casos de hantavírus, mas não vê sinais de surto maior

    A Organização Mundial da Saúde informou em 12 de maio de 2026 que novas infecções por hantavírus podem surgir nas próximas semanas entre passageiros do navio MV Hondius, após o registro de 11 casos e três mortes. A operação de desembarque e repatriação dos viajantes foi concluída em Tenerife, na Espanha, enquanto autoridades sanitárias mantêm monitoramento internacional dos passageiros até 21 de junho. O episódio expôs a dependência da coordenação internacional em crises sanitárias transnacionais e reabriu debates sobre quarentenas marítimas, circulação internacional e capacidade dos sistemas públicos de saúde diante de doenças transmissíveis. O hantavírus geralmente é transmitido por roedores, mas, em casos raros, pode ser transmitido de pessoa para pessoa • REUTERS Segundo a OMS, todos os casos registrados ocorreram entre passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro MV Hondius. Nove das 11 infecções foram confirmadas laboratorialmente como vírus Andes, variante do hantavírus associada à transmissão entre humanos. Os outros dois casos permanecem sem confirmação laboratorial. A embarcação segue em direção aos Países Baixos após a conclusão da operação sanitária coordenada em território espanhol. Em entrevista a jornalistas, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, declarou que “não há sinais do início de um surto maior”. Ele afirmou, porém, que o cenário pode mudar devido ao longo período de incubação da doença. Tedros declarou que “é possível que mais casos sejam identificados nas próximas semanas”. A OMS orientou que todos os passageiros repatriados permaneçam sob monitoramento ativo por 42 dias a partir da última exposição ao vírus. Segundo a organização, o período de observação se estende até 21 de junho. Os passageiros devem permanecer em instalações de quarentena específicas ou em isolamento domiciliar supervisionado pelas autoridades sanitárias dos países de destino. Tedros afirmou que cada país responsável pela recepção dos passageiros deve acompanhar diariamente o estado de saúde dos viajantes. A OMS informou que casos suspeitos e confirmados foram isolados e submetidos a acompanhamento médico contínuo para reduzir o risco de transmissão. O diretor-geral relatou que 147 viajantes de 23 países permaneceram no navio durante semanas após a identificação dos casos. Segundo ele, parte dos passageiros apresentou impactos psicológicos decorrentes do confinamento e da incerteza sanitária. “Algumas pessoas sugeriam que os passageiros fossem confinados no navio durante o período completo de quarentena, mas para a OMS isso teria sido desumano e desnecessário”, declarou Tedros. Ele afirmou ainda que os passageiros “têm o direito de serem tratados com dignidade e compaixão”. A OMS informou que a evacuação inicial dos passageiros sintomáticos ocorreu com apoio do governo de Cabo Verde. Segundo Tedros, três pessoas com sintomas foram retiradas do navio antes da chegada da embarcação à Espanha. A Espanha coordenou a operação de desembarque dos demais passageiros em Tenerife. Um especialista da OMS embarcou no navio em Cabo Verde acompanhado por dois médicos dos Países Baixos e um representante do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças. Tedros agradeceu aos governos de Cabo Verde e da Espanha pela cooperação sanitária durante a operação internacional. “Os vírus não respeitam fronteiras e a imunidade mais forte é a solidariedade”, declarou. A OMS informou que o risco para a saúde global permanece baixo. O órgão destacou que todos os passageiros seguem identificados e monitorados pelas autoridades nacionais de saúde. Segundo a organização, os hantavírus pertencem a um grupo de vírus transmitidos por roedores e podem causar doenças respiratórias e hemorrágicas em humanos. A transmissão costuma ocorrer por contato com urina, fezes ou saliva de animais infectados. A variante Andes, identificada no surto do MV Hondius, é apontada pela OMS como a única forma conhecida de hantavírus com capacidade documentada de transmissão entre humanos. A OMS afirmou que não existe tratamento específico capaz de eliminar o vírus após a infecção. O protocolo médico adotado concentra-se em monitoramento clínico e tratamento de complicações respiratórias, cardíacas e renais. O episódio envolvendo o MV Hondius ocorre em um contexto internacional marcado pela ampliação de sistemas de vigilância sanitária após a pandemia de Covid-19 e pela expansão de protocolos de controle epidemiológico em portos, aeroportos e fronteiras marítimas.

  • Mundo não está preparado para eventual “Pandemia Digital”, alerta ONU

    A ONU afirmou em 13 de maio de 2026 que o mundo não possui estrutura para enfrentar uma “pandemia digital” capaz de interromper sistemas elétricos, mercados financeiros, hospitais e serviços públicos em escala global. O relatório foi publicado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Redução do Risco de Catástrofes, pela União Internacional das Telecomunicações e pela universidade Sciences Po Paris, apontando que falhas em cascata podem atingir bilhões de pessoas conectadas por uma infraestrutura digital concentrada em cabos submarinos, satélites e centros de dados. O documento sustenta que o risco de uma catástrofe digital deixou de ser uma hipótese remota e passou a representar uma consequência estrutural da dependência global de sistemas centralizados controlados por governos e conglomerados tecnológicos. A ONU afirmou que o mundo não possui estrutura para enfrentar uma “pandemia digital” Segundo o relatório, o cenário de “pandemia digital” envolve uma sequência de falhas interligadas em infraestruturas digitais capazes de provocar paralisação simultânea de serviços públicos e privados. A ONU afirmou que tempestades solares, ondas de calor, cortes de energia elétrica, sabotagens e danos em cabos submarinos podem desencadear colapsos em cadeia. O documento informa que até 89% das interrupções digitais não decorrem do impacto inicial do incidente, mas sim da propagação de falhas entre sistemas conectados. A pesquisa aponta ainda que o número de pessoas afetadas pelos efeitos em cadeia pode atingir proporção dez vezes superior ao total de pessoas inicialmente expostas ao evento original. Entre os impactos previstos pela ONU estão apagões em redes elétricas, sobrecarga de centros de dados, paralisação de sistemas de comunicação e isolamento digital de regiões inteiras durante semanas. O relatório também menciona interrupções em hospitais, transporte ferroviário, redes financeiras e serviços administrativos dependentes de conectividade digital contínua. A publicação identifica como eixo do problema a interdependência entre cabos submarinos, satélites, centros de dados e redes elétricas que sustentam o fluxo global de informações. Segundo os dados apresentados, cerca de 5,5 bilhões de pessoas utilizam internet conectada por uma estrutura física distribuída entre oceanos, estações terrestres, data centers e sistemas energéticos. A ONU afirmou que essa concentração de infraestrutura ampliou a vulnerabilidade sistêmica da economia mundial. O relatório sustenta que um ataque localizado ou um desastre natural em pontos estratégicos da rede pode produzir efeitos simultâneos em países separados por continentes. O documento também menciona a fragilidade da infraestrutura submarina responsável pela transmissão internacional de dados. Cabos submarinos instalados em corredores marítimos passaram a concentrar volume crescente de comunicações financeiras, operações militares, transações bancárias e serviços digitais utilizados por governos e empresas privadas. A discussão sobre vulnerabilidade digital ganhou espaço após ataques contra infraestrutura energética e telecomunicações em diferentes regiões do mundo nos últimos anos. O relatório não atribui diretamente ameaças a governos específicos, mas aponta que cortes deliberados de energia, sabotagens e rupturas de cabos submarinos fazem parte dos cenários considerados pelas agências internacionais. A ONU afirmou que os Estados não possuem mecanismos suficientes para enfrentar falhas digitais em larga escala. O documento aponta ausência de coordenação internacional, baixa interoperabilidade entre sistemas nacionais e dependência excessiva de estruturas privadas concentradas em poucos grupos econômicos. Segundo o relatório, países também não mantêm capacidades analógicas suficientes para operar serviços essenciais durante interrupções digitais prolongadas. A ONU alerta que hospitais, redes de abastecimento, sistemas financeiros e transporte público passaram a depender de plataformas digitais sem mecanismos alternativos de funcionamento. O estudo defende reforço de normas internacionais de proteção de infraestrutura digital e ampliação de protocolos de cooperação entre governos. As agências responsáveis pelo relatório também pedem sistemas de resposta coletiva para crises envolvendo telecomunicações e fornecimento energético. A publicação ocorre em meio à expansão de disputas geopolíticas envolvendo infraestrutura tecnológica, inteligência artificial, controle de dados e rotas submarinas de comunicação. Cabos submarinos, satélites e centros de processamento tornaram-se ativos estratégicos disputados por potências militares, conglomerados tecnológicos e alianças de segurança. A ONU afirma que o risco de uma catástrofe digital não é mais uma questão de “se”, mas de “quando”.

  • Ataques com drones são principal causa de mortes na guerra no Sudão

    Ataques com drones armados responderam por mais de 80% das mortes de civis registradas no Sudão entre janeiro e abril de 2026, segundo dados divulgados em 13 de maio pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. O órgão informou que ao menos 880 civis morreram durante ofensivas realizadas no contexto da guerra entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido, conflito alimentado por redes externas de fornecimento de armas e pela disputa regional por influência no nordeste africano. O alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, declarou que o Sudão pode entrar em “uma nova fase, ainda mais mortífera” caso não haja medidas imediatas para interromper a escalada militar. Sudão _THE WASHINGTON POST Segundo a ONU News, a maior parte das mortes atribuídas aos drones ocorreu na região central de Cordofão. Os ataques atingiram mercados, instalações de saúde e outras infraestruturas civis em áreas urbanas e rurais. A ONU informou que o uso de veículos aéreos não tripulados alterou a dinâmica militar da guerra iniciada há quatro anos entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido. O emprego de drones permitiu a continuidade de operações militares durante períodos climáticos que antes limitavam combates terrestres, incluindo a aproximação da temporada de chuvas. Volker Türk afirmou que, nos anos anteriores da guerra, o período de chuvas correspondia a momentos de redução temporária das hostilidades. Segundo ele, o uso contínuo de drones rompeu esse padrão e ampliou a capacidade operacional das forças beligerantes. A ONU declarou que a expansão geográfica dos ataques agravou o deslocamento forçado da população civil e interrompeu operações humanitárias em diferentes regiões do país. O Sudão é classificado pelas Nações Unidas como a maior crise de deslocamento do mundo. O aumento das ofensivas também provocou receio de retomada de confrontos em Cartum. De acordo com Türk, os bombardeios destruíram a “relativa calma” observada nos últimos meses na capital sudanesa, período em que parte da população deslocada começava a retornar para áreas urbanas devastadas pela guerra. O conflito sudanês se tornou um espaço de disputa entre interesses regionais e potências externas desde sua eclosão em abril de 2023. Países do Golfo Pérsico, governos africanos e potências ocidentais passaram a disputar influência política, econômica e militar no território sudanês, enquanto o país afundava em colapso institucional e destruição de infraestrutura civil. A ONU também alertou para o agravamento da insegurança alimentar em larga escala. O órgão afirmou que a escassez de fertilizantes, associada à crise no Golfo, ampliou o risco de fome em diferentes regiões do Sudão. Volker Türk declarou que a violência passou a ser utilizada como “tática preferencial” pelas partes envolvidas na guerra. O alto-comissário pediu medidas para impedir a transferência de armas ao Sudão, incluindo drones armados utilizados nos ataques contra civis. A ONU também exigiu proteção para a população civil, incluindo rotas seguras de deslocamento para pessoas que deixam zonas de combate. O órgão afirmou que civis enfrentam risco de execuções sumárias, violência sexual, detenções arbitrárias e raptos cometidos durante operações militares e ações paramilitares. Em 14 de abril de 2026, agências das Nações Unidas já haviam alertado que o Sudão enfrentava “a maior crise humanitária do mundo” após três anos de guerra. Segundo a ONU, quase 34 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária, número equivalente a quase dois terços da população sudanesa. Em outro relatório divulgado em 22 de abril de 2026, a ONU informou que cerca de 4 milhões de sudaneses retornavam ao país tentando reconstruir suas vidas após meses de deslocamento. A organização afirmou que a destruição de infraestrutura básica colocava pressão sobre serviços essenciais em regiões devastadas pela guerra.

  • Mais de mil cientistas pedem proteção para universidades iranianas contra ataques EUA-Israel

    Mais de mil cientistas assinaram uma carta aberta denunciando ataques dos Estados Unidos e de Israel contra universidades e centros de pesquisa do Irã entre março e abril de 2026. O documento foi enviado ao secretário-geral da ONU, ao diretor-geral da UNESCO e ao Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, exigindo investigações sobre bombardeios contra instalações civis e acadêmicas iranianas. Os signatários afirmam que a ofensiva estadunidense-israelense atingiu laboratórios, faculdades, hospitais universitários e centros farmacêuticos, ampliando o padrão de ataques contra infraestrutura científica iraniana iniciado há mais de uma década com assassinatos de pesquisadores ligados ao programa nuclear do país. Reza Tavakoli | Pexels A carta denuncia ao menos 21 ataques contra instituições científicas iranianas durante a ofensiva militar conduzida por Washington e Tel Aviv contra o território iraniano. Entre os alvos citados estão a Universidade de Tecnologia de Isfahan, a Universidade de Ciência e Tecnologia do Irã e a Universidade de Tecnologia Amirkabir, em Teerã, atingidas entre 28 e 30 de março. Os cientistas também relataram que, em 31 de março, o centro farmacêutico Tofiq Daru sofreu danos após um ataque aéreo. A instituição é descrita na carta como um dos principais polos iranianos de pesquisa e desenvolvimento farmacêutico, responsável pela produção de anestésicos e medicamentos utilizados em tratamentos contra esclerose múltipla e câncer. Segundo o documento, novos ataques ocorreram nos dias seguintes. Em 3 de abril, instalações da Universidade Shahid Beheshti, em Teerã, incluindo o Instituto de Pesquisa de Laser e Plasma, foram atingidas. Em 6 de abril, bombardeios atingiram a Universidade de Tecnologia Sharif, uma das principais instituições de engenharia do Irã. Os signatários afirmam que a ofensiva causou danos à Faculdade de Engenharia Civil, ao Departamento de Filosofia da Ciência, aos Institutos de Pesquisa em Nanotecnologia e Meio Ambiente, ao Instituto de Pesquisa Convergente e à Faculdade de Engenharia Elétrica da universidade. Imagens divulgadas pela mídia iraniana mostraram edifícios destruídos e estruturas parcialmente colapsadas dentro do campus em Teerã. A Faculdade de Farmácia da Universidade de Shiraz e o campus do Hospital Veterinário Especializado da Universidade de Urmia também foram atingidos durante os ataques. A carta sustenta que a campanha militar estadunidense-israelense envolveu o bombardeio de múltiplos alvos civis, contrariando convenções internacionais relacionadas à proteção de instituições educacionais e científicas. “As instituições científicas e educacionais são espaços civis essenciais para a saúde pública, o conhecimento e a sobrevivência humana”, afirma a carta. O texto acrescenta que “a destruição dessas estruturas põe em risco pesquisadores, estudantes, profissionais da saúde e o público em geral, além de causar danos duradouros à ciência e à sociedade”. Os cientistas exigiram a interrupção imediata de ataques contra universidades, hospitais, bibliotecas, laboratórios e centros de pesquisa. O documento também pede que ONU e UNESCO documentem os danos causados às instituições iranianas, ofereçam proteção a acadêmicos e estudantes afetados e apoiem investigações independentes sobre violações do direito internacional humanitário. “Os responsáveis por ataques ilegais contra locais civis protegidos devem ser identificados e responsabilizados por meio de mecanismos legais imparciais”, afirma o texto enviado aos organismos internacionais. Entre os signatários estão dois laureados com o Prêmio Nobel da Noruega, um vencedor da Medalha Dirac e pesquisadores de universidades europeias. A neurocientista norueguesa May-Britt Moser declarou: “Como professora e laureada com o Prêmio Nobel, estou chocada e entristecida com o que está acontecendo no Irã”. O físico britânico John Ellis afirmou conhecer universidades iranianas, israelenses e estadunidenses e classificou os ataques contra instituições civis como “inaceitáveis”. O pesquisador alemão Werner Nahm, colega do cientista nuclear iraniano Masoud Ali-Mohammadi, assassinado em janeiro de 2010 em Teerã em uma operação atribuída ao regime israelense, afirmou que a comunidade científica internacional falhou ao não responder de forma mais contundente aos assassinatos de pesquisadores iranianos. “Em retrospectiva, deveríamos ter reagido com muito mais veemência”, declarou Nahm. “Quando esses assassinatos se tornarem rotina, conferências presenciais e outros encontros livres entre cientistas se tornarão impossíveis, para o prejuízo de toda a humanidade.” A carta informa que o número inicial de instituições afetadas aumentou após sua redação, incluindo posteriormente o Instituto Pasteur do Irã e novos setores da Universidade de Tecnologia Sharif. Até 9 de abril, mais de mil cientistas haviam assinado o documento. O texto também critica a normalização de ataques contra infraestrutura civil sob justificativas militares apresentadas por Washington e Tel Aviv. Os signatários afirmam que universidades e centros de pesquisa não podem ser transformados em “campos de batalha” sob pretextos relacionados à segurança regional ou ao programa nuclear iraniano. “Instamos a comunidade internacional a agir agora para proteger a infraestrutura científica, defender a vida acadêmica e manter o princípio de que as instituições que servem ao conhecimento nunca devem ser tratadas como descartáveis em tempos de guerra”, afirma a carta. Os cientistas encerram o documento declarando que “a ciência não é um alvo militar” e que “universidades e laboratórios não devem se tornar campos de batalha”.

  • Projeto de deputados bolsonaristas autoriza uso do FGTS para armas e avança sem debate na Câmara

    A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou em 12 de maio um projeto que autoriza trabalhadores a sacar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para comprar armas de fogo, munições e acessórios. A proposta dos deputados bolsonaristas Marcos Pollon (PL-MS) e Paulo Bilynskyj (PL-SP) passou sem debate, em votação de cerca de um minuto, segundo o G1. O texto desloca recursos de um fundo criado para proteção trabalhista e habitação para o mercado armamentista privado, setor impulsionado pela agenda política do bolsonarismo desde 2019. O projeto aprovado pela comissão estabelece que trabalhadores com contas vinculadas ao FGTS poderão realizar saques anuais para adquirir armas legalizadas. O valor liberado deverá cobrir o preço do armamento, da cota anual de munições e de acessórios classificados no texto como necessários para armazenamento seguro. A proposta determina que o saque ocorra na data de aniversário do trabalhador ou no primeiro dia útil subsequente. Para acessar os recursos, o comprador deverá apresentar autorização válida para aquisição da arma e comprovação de regularidade nos sistemas da Polícia Federal ou do Exército. O texto também mantém exigências previstas na legislação atual, incluindo comprovação de capacidade técnica, avaliação psicológica e ausência de antecedentes criminais. O projeto não altera os mecanismos de registro e controle previstos no Estatuto do Desarmamento, mas cria uma nova possibilidade de financiamento público indireto ao setor armamentista por meio de recursos vinculados ao trabalho formal. Segundo o Brasil 247, Marcos Pollon argumenta que o preço das armas legalizadas impede o acesso da população de baixa renda ao armamento. A justificativa reproduz uma linha política consolidada pela bancada armamentista desde o governo Jair Bolsonaro, marcada pela ampliação do acesso civil a armas e munições e pela flexibilização de mecanismos de controle estatal. Criado em 1966 durante a ditadura empresarial-militar, o FGTS surgiu como instrumento de proteção ao trabalhador demitido sem justa causa e passou a financiar programas habitacionais, saneamento e infraestrutura urbana. Atualmente, os recursos podem ser utilizados em situações previstas em lei, como aposentadoria, doenças graves e aquisição da casa própria. A proposta aprovada pela Comissão de Segurança Pública desloca parte dessa função histórica para o consumo individual de armamentos. Os recursos do FGTS permanecem depositados na Caixa Econômica Federal até o saque pelo trabalhador e integram uma das principais fontes de financiamento habitacional do país. O projeto seguirá agora para análise das comissões de Finanças e Tributação, de Trabalho e de Constituição e Justiça. Como tramita em caráter conclusivo, o texto poderá seguir diretamente para o Senado caso não haja recurso para votação no plenário da Câmara dos Deputados. O avanço da proposta ocorre em meio à ampliação de iniciativas legislativas da bancada bolsonarista voltadas ao setor armamentista. Entre elas está um projeto que prevê incentivo fiscal para compra da primeira arma de fogo e outras medidas de flexibilização do acesso civil a armamentos. Dados mencionados pelo próprio Brasil 247 em reportagens relacionadas apontam crescimento de 42% nos disparos contra mulheres em três anos e aumento do risco de morte em casos de violência doméstica envolvendo armas de fogo. Mesmo diante desses indicadores, a Comissão de Segurança Pública aprovou o texto sem discussão entre os parlamentares presentes na sessão de 12 de maio.

  • Fim da escala 6×1 é ‘debate geracional’, destaca ministro da Fazenda

    Dario Durigan participou de audiência pública na Câmara dos Deputados sobre a PEC 221/2019 que trata da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1. O debate ocorreu na comissão especial que discute mudanças na legislação trabalhista. Dados sobre renda, saúde e produtividade foram apresentados durante a sessão. Ministro da Fazenda, Dario Durigan | ARQUIVO Na audiência realizada na terça-feira, 12, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a discussão sobre o fim da escala 6x1 se insere em um debate sobre organização do mercado de trabalho no país. Ele declarou que a equipe econômica do governo Lula busca “encontrar o ponto de equilíbrio em que a gente consegue convergir os interesses dos trabalhadores, da economia como um todo, das empresas”. Durigan afirmou que mudanças na jornada de trabalho devem ser analisadas junto a políticas de produtividade e formação profissional. Ele citou a Reforma Tributária e o programa Pé-de-Meia como parte da política econômica. Segundo ele, “melhorar a formação dos jovens brasileiros é fundamental”. O ministro também declarou que “o trabalhador hoje está pressionado porque tem que dar respostas imediatas, interagir e gerar resultados em tempo real”. Ele afirmou ainda que jornadas menores podem afetar indicadores de saúde e rotatividade laboral, e disse que “um trabalhador que tem uma qualidade de vida melhor certamente vai ter mais produtividade e menos rotatividade no trabalho”. Durigan afirmou que o trabalhador deve ser tratado como elemento da economia e mencionou políticas anteriores como a regulamentação do trabalho doméstico e a valorização do salário mínimo. Durante a sessão, dados apresentados pelo técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Felipe Vella Pateo, indicam que 88% dos trabalhadores submetidos à jornada de 44 horas semanais não possuem ensino superior. O estudo aponta rendimento médio de cerca de R$ 2.500 nesse grupo, em comparação com média de R$ 6 mil entre trabalhadores de jornadas de 40 horas. Segundo Pateo, a análise trata da capacidade de absorção da economia e de experiências internacionais. Ele afirmou que a redução da jornada se relaciona com “melhorar as condições dos trabalhadores que têm hoje a pior inserção no mercado formal”. O deputado Reginaldo Lopes afirmou que a escala 6x1 corresponde a “escravidão moderna” e defendeu mudança na legislação. Ele declarou que mais de 500 mil pessoas tiveram afastamento por problemas de saúde relacionados ao trabalho no ano anterior e questionou custos ao sistema de seguridade. O deputado Alencar Santana afirmou que o governo federal mantém posição sobre desenvolvimento econômico e políticas trabalhistas. Ele mencionou a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e reajuste do salário mínimo acima da inflação. A proposta em discussão envolve a PEC 221/2019 e trata da redução da jornada semanal e alterações no regime de escala de trabalho em setores do mercado formal.

  • Prisões mais vigiadas: ofensiva para enfraquecer facções e seus chefes

    O governo federal apresentou o Programa Brasil Contra o Crime Organizado em 12 de maio de 2026, com foco no reforço do sistema prisional brasileiro e na ampliação de protocolos de segurança máxima em 138 unidades penitenciárias. O eixo “Sistema Prisional Seguro” prevê investimento de R$ 324,1 milhões em ações de inteligência, tecnologia e controle de comunicações dentro dos presídios. O anúncio foi feito em Brasília pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. ARQUIVO O programa estabelece a adoção de protocolos de segurança máxima em 138 penitenciárias distribuídas em todas as regiões do país, selecionadas com base em critérios técnicos ligados ao Mapa de Organizações Criminosas e dados da Inteligência Penitenciária nacional. Segundo a apresentação oficial, essas unidades concentram cerca de 158 mil presos, equivalente a 18,7% da população carcerária brasileira, além de aproximadamente 80% das lideranças de facções monitoradas pelas autoridades. O secretário nacional de Políticas Penais, André de Albuquerque Garcia, afirmou durante o lançamento que o objetivo é impedir a atuação de organizações criminosas a partir do interior das prisões. Ele declarou: “Presídio não deve ser escritório do crime. Presídio deve ser o fim do poder e da influência dos criminosos”. Em outra fala, afirmou: “O combate sério ao crime organizado demanda de todos nós enfrentar a articulação criminosa que se opera dentro das unidades prisionais”. O plano prevê a instalação de bloqueadores de sinal de celular, operações permanentes de apreensão de aparelhos eletrônicos, armas e drogas, além da modernização tecnológica das unidades. Também inclui a criação do Centro Nacional de Inteligência Penal, sediado em Brasília, e a ampliação de operações como “Mute” e “Modo Avião”, voltadas à interrupção de comunicações ilegais dentro dos presídios. O programa prevê ainda treinamento da Polícia Penal Federal para atuação nas unidades selecionadas, distribuição de drones e kits de revista eletrônica, além da adoção de medidas para reforço da vigilância interna. O governo federal afirmou que pretende replicar nos estados o modelo do Sistema Penitenciário Federal, criado em 2006, atualmente composto por cinco penitenciárias de segurança máxima sob administração federal. O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que o conjunto de medidas busca restringir a comunicação entre lideranças criminosas encarceradas e redes externas, com o objetivo de interromper fluxos operacionais atribuídos a organizações criminosas em atividade no país.

  • A produção de petróleo da OPEP caiu para o nível mais baixo em 35 anos

    A produção de petróleo dos países da OPEP caiu em abril de 2026 para 20,18 milhões de barris por dia, o menor nível em 35 anos, segundo relatório da Agência Internacional de Energia (AIE). O dado foi divulgado a partir de Moscou, em 13 de maio, via agência TASS. O recuo ocorre em meio à redução simultânea da oferta no Golfo Pérsico e à queda geral da produção da OPEP+. Barris de petróleo | ARQUIVO A Agência Internacional de Energia registrou queda de 830 mil barris por dia na produção da OPEP+ em abril, totalizando 34,1 milhões de barris por dia. O relatório atribui a redução principalmente ao desempenho dos países do Golfo Pérsico, incluindo o Catar, que acumularam retração de 14,4 milhões de barris por dia desde o início do conflito no Oriente Médio. Em abril, a produção total do Golfo ficou em 17,6 milhões de barris por dia. Os dados indicam que a retração no Golfo corresponde a uma queda de 45% desde o início do conflito na região. Enquanto isso, países da OPEP fora do Golfo registraram aumento de produção no mesmo período, segundo a Agência Internacional de Energia. O conjunto da OPEP+ reúne produtores de petróleo da OPEP e aliados externos, com variações de produção acompanhadas mensalmente por relatórios da agência internacional.

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