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  • Governo do Brasil destina R$ 450 milhões para projetos de recuperação social na Bacia do Rio Doce

    Com recursos do Novo Acordo do Rio Doce, o Governo do Brasil lançará, em 22 de maio, um edital e um chamamento público voltados ao fortalecimento das comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Minas Gerais e no Espírito Santo. Serão disponibilizados R$ 450 milhões que possibilitarão que a própria comunidade proponha projetos para fortalecer a organização social e a recuperação dos modos de vida nos territórios. Os instrumentos serão anunciados por meio da Secretaria-Geral da Presidência da República durante ato realizado em Governador Valadares (MG). Os recursos serão divididos, com R$ 225 milhões para projetos estruturantes em desenvolvimento territorial e R$ 225 milhões para projetos capilarizados para fortalecimento direto das comunidades atingidas. As iniciativas passaram pela análise do Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce e Litoral Norte Capixaba, que deliberou quanto aos critérios de priorização dos projetos. PARCERIA - O edital é realizado em parceria com o Banco do Brasil e a Fundação Banco do Brasil (FBB) e o chamamento público em colaboração com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). Os recursos são advindos do Fundo de Participação Social, uma reserva de R$ 5 bilhões destinada a ações conduzidas pelas próprias comunidades atingidas, implementada no âmbito do Novo Acordo do Rio Doce. COMO VÃO FUNCIONAR - Os novos mecanismos de fomento estão divididos em duas grandes frentes: projetos capilarizados, que serão selecionados por meio de edital, e projetos estruturantes, que serão escolhidos por chamamento público. Enquanto os projetos capilarizados focam em ações comunitárias diretas com valores de R$ 50 mil a R$ 400 mil por proposta, os projetos estruturantes preveem propostas de desenvolvimento variando entre R$ 5 milhões e R$ 23 milhões e que atuem como vetores de desenvolvimento regional, articulando as iniciativas menores em redes mais robustas. LINHAS PRIORITÁRIAS - As ações dos projetos capilarizados estão organizadas em cinco linhas prioritárias: Economia Popular e Solidária , com foco na geração de renda e fomento à agricultura familiar e pesca; Reabilitação Territorial e dos Modos de Vida , que abrange educação, cultura, lazer e fortalecimento de vínculos sociais; Resiliência Comunitária e Transição Climática , que traz possibilidades de projetos nas áreas de recuperação de recursos naturais e de tecnologias sociais de acesso à água potável; Autonomia dos Povos e Comunidades Tradicionais , voltada para indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais; e Igualdade e Não-Discriminação , para projetos que vão priorizar, por exemplo, direitos das mulheres e de grupos vulnerabilizados. Poderão propor via edital de projetos capilarizados organizações da sociedade civil sem fins lucrativos e coletivos informais – estes com apoio de instituições parceiras que tenham ao menos dois anos de experiência na defesa dos direitos das pessoas atingidas e estejam localizadas em algum dos 49 municípios listados no Novo Acordo. DIVERSIDADE - Um diferencial importante desse lançamento é a diversidade na gestão. Pelo menos 50% das organizações apoiadas devem ser coordenadas por mulheres, além de haver cotas específicas de 5% para jovens e 5% para povos e comunidades tradicionais. Os projetos estruturantes, por sua vez, atuarão em dois eixos principais: fortalecimento institucional, para aprimorar a gestão e a governança das organizações sociais, e estruturação de serviços e empreendimentos produtivos coletivos, a fim de ampliar a capacidade de comercialização e a integração das cadeias produtivas regionais. Dessa categoria poderão participar também organizações da sociedade civil e coletivos informais, desde que participem como organizações apoiadas em conjunto com entidades executoras, que serão organizações da sociedade civil sem fins lucrativos, de maior porte e experiência na gestão de grandes projetos.

  • ONU prevê queda do crescimento econômico com tensão no Oriente Médio

    A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, alertou em 20 de maio que a escalada militar no Oriente Médio ameaça reduzir o crescimento econômico mundial em 2026. O relatório associa a deterioração das perspectivas globais ao aumento dos preços da energia, às rupturas nas cadeias comerciais e à pressão sobre países dependentes de importações de combustíveis e alimentos. A ONU indicou que economias da América Latina, África e Sudeste Asiático enfrentarão inflação, saída de capitais e aumento do endividamento em meio ao avanço das tensões geopolíticas impulsionadas pelo eixo militar estadunidense e seus aliados. Segundo a Unctad, a economia global registrou crescimento de 2,9% em 2025, sustentado pelos setores de comércio e tecnologia. O relatório afirma que a intensificação das operações militares no Oriente Médio alterou os preços internacionais da energia e ampliou riscos macroeconômicos para países em desenvolvimento. A agência da ONU informou que os impactos iniciais concentram-se no setor energético, mas atingirão comércio internacional, sistemas alimentares e mercados financeiros caso a instabilidade persista. O documento aponta que países dependentes da importação de combustíveis, fertilizantes e alimentos possuem menor capacidade de adaptação ao aumento de preços. A Unctad afirmou que essas economias enfrentam risco de fuga de capitais e deterioração das condições de crédito internacional. O cenário afeta países submetidos a pressão cambial e inflação importada, sobretudo em regiões periféricas da economia global. A ONU citou o Brasil entre os países que adotaram medidas de contenção econômica diante da alta dos preços internacionais. Segundo o relatório, governos da América Latina e do Sudeste Asiático ampliaram subsídios, aumentaram a oferta interna e estabeleceram limites de preços para reduzir o impacto sobre o consumo doméstico. A agência indicou que essas medidas elevam gastos públicos e ampliam a pressão inflacionária sobre populações submetidas ao aumento do custo de vida. O relatório afirma que a União Europeia enfrenta aumento nos preços da energia às vésperas do verão no hemisfério norte. O bloco europeu continua dependente de importações energéticas após anos de sanções econômicas, disputas comerciais e reorganização dos fluxos globais de gás e petróleo aceleradas pela política externa estadunidense e pela militarização de rotas comerciais estratégicas. Na África, a ONU projeta crescimento de 4,2% do Produto Interno Bruto em 2026. O relatório aponta que exportadores de petróleo e gás, como Angola, devem registrar aumento de receitas devido à valorização internacional dos combustíveis fósseis. A Unctad indicou que a elevação dos preços pode beneficiar países exportadores de matérias-primas energéticas enquanto amplia custos para economias dependentes da importação de combustíveis. O documento também relaciona a atual crise energética à distribuição desigual dos investimentos em transição energética. Dados da Unctad mostram que o continente africano concentra 60% dos recursos solares identificados no planeta, mas recebeu apenas 2% dos investimentos globais em energia limpa em 2024. A agência da ONU apontou que o sistema financeiro internacional mantém concentração de investimentos em economias centrais enquanto países africanos enfrentam restrições de crédito e dependência de financiamento externo. A Unctad defendeu o reforço de mecanismos financeiros internacionais e a ampliação dos investimentos em energia renovável. O relatório afirma que o avanço de projetos de energia limpa pode reduzir a dependência de combustíveis fósseis sujeitos às oscilações provocadas por disputas militares e sanções econômicas impostas por potências ocidentais. O estudo divulgado pela ONU também projeta desaceleração do crescimento do comércio global de bens entre 2025 e 2026. Segundo os dados apresentados pela Unctad, a expansão do comércio mundial deve cair para uma faixa entre 1,5% e 2,5% em 2026 após atingir pico de 4,7% em 2025.

  • Piora da emergência alimentar na Somália ameaça 6 milhões de pessoas

    Seis milhões de pessoas enfrentarão níveis críticos de insegurança alimentar na Somália entre abril e junho de 2026, segundo dados divulgados em 20 de maio por agências da ONU. O número representa 31% da população do país e expõe o impacto combinado da seca, da retração do financiamento internacional e da desestruturação dos serviços públicos de saúde e nutrição. FAO, Unicef, Ocha e Programa Alimentar Mundial alertaram que o colapso da assistência humanitária amplia o risco de fome no sudeste somali. Somália ©NATIONAL GEOGRAPHIC O novo relatório do Sistema de Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, IPC, aponta que cerca de 1,9 milhão de pessoas já vivem em condição de emergência alimentar na Somália. O contingente triplicou em menos de um ano. O coordenador humanitário da ONU no país, George Conway, classificou o cenário como um “quadro alarmante e urgente”. Os dados do IPC indicam que aproximadamente 2 milhões de crianças entre seis meses e cinco anos enfrentam subnutrição grave associada à ingestão insuficiente de calorias. Entre elas, 493 mil sofrem de desnutrição aguda grave, caracterizada por perda acelerada de peso e massa muscular. Segundo as agências da ONU, essas crianças apresentam risco de morte 12 vezes maior do que crianças nutridas. O representante da FAO na Somália, Etienne Peterschmitt, afirmou que “o país está num ponto crítico”. Segundo ele, a deterioração da situação resulta da combinação entre seca, insegurança armada, retração da ajuda humanitária, aumento dos preços dos alimentos e impactos econômicos ligados à crise no Oriente Médio, região submetida à escalada militar conduzida por Israel e apoiada pelo aparato político e militar estadunidense. A FAO advertiu que a possibilidade de fracasso da estação chuvosa poderá agravar o risco de fome no sudeste da Somália. A agência informou que 40% das crianças dessa região já apresentam quadro de desnutrição aguda. O aumento dos preços dos alimentos e a interrupção de programas de assistência ampliam a pressão sobre comunidades rurais e populações deslocadas. As agências da ONU informaram que cerca de 90% da população somali recebe pouca ou nenhuma assistência humanitária. O dado reflete a redução do financiamento internacional destinado ao país em meio à reorientação de verbas por potências ocidentais para operações militares e disputas geopolíticas em outras regiões. A Somália permanece dependente de ajuda externa desde as intervenções internacionais iniciadas nos anos 1990, período marcado pela presença militar estrangeira e pela fragmentação do Estado somali após décadas de ingerência regional e internacional. O relatório também aponta o fechamento de mais de 500 unidades de saúde e nutrição em todo o território somali. Segundo a ONU, a paralisação desses serviços dificulta o controle de surtos de doenças e amplia o risco de mortalidade infantil. Campos de deslocados internos em regiões como Jubaland registram aumento de crianças atendidas com sinais de subnutrição. A FAO, o Ocha, o Unicef e o Programa Alimentar Mundial defenderam a ampliação imediata da assistência humanitária multissetorial. As agências afirmaram que o financiamento “sustentado e previsível” será necessário para impedir o aprofundamento da crise alimentar e sanitária no país africano.

  • Ebola se propaga rapidamente na RD Congo com mais de 500 casos

    A Organização Mundial da Saúde informou em 19 de maio que a República Democrática do Congo já registra mais de 500 casos suspeitos de Ebola e 130 mortes ligadas à doença. O surto ocorre nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, regiões marcadas por operações armadas, deslocamentos internos e desestruturação do sistema de saúde após décadas de intervenção externa, disputa por recursos minerais e presença de grupos armados. A OMS confirmou apenas 30 casos até o momento e declarou emergência de saúde pública internacional diante da velocidade de propagação da epidemia. República Democrática do Congo vive novo surto de ebola A representante da Organização Mundial da Saúde na República Democrática do Congo, Anne Ancia, afirmou em entrevista concedida de Bunia a jornalistas em Genebra que há “incerteza significativa sobre o número de infecções e até onde o vírus se espalhou”. Segundo ela, equipes de saúde trabalham para conter a transmissão em cenário de circulação acelerada da doença. O surto está associado à cepa Bundibugyo do vírus Ebola, variante para a qual não existem vacinas nem tratamentos aprovados. A OMS informou que enviou kits de testagem adicionais para o leste congolês após falhas iniciais de diagnóstico. Muitos pacientes haviam sido testados para a cepa Zaire do Ebola e receberam resultado negativo, o que atrasou a resposta sanitária. Anne Ancia explicou que os primeiros casos identificados em Bunia tiveram ligação direta com rituais funerários realizados em Mongbwalu. Segundo a representante da OMS, uma pessoa morreu em Bunia e o corpo foi levado para Mongbwalu. Após o manuseio do cadáver durante cerimônias funerárias, o vírus começou a circular entre moradores da região. A confirmação da variante Bundibugyo só ocorreu após exames laboratoriais realizados em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. A demora na identificação elevou o número de pessoas expostas ao vírus em áreas urbanas e rotas de deslocamento populacional. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, declarou no domingo emergência de saúde pública de preocupação internacional. Tedros afirmou estar apreensivo com “a escala e velocidade da epidemia”. Ele alertou que a doença pode avançar para centros urbanos como Kampala, em Uganda, e Goma, no leste congolês. A OMS informou que a circulação do vírus entre profissionais de saúde também elevou o risco de transmissão regional. O deslocamento de populações causado pelos confrontos armados no leste da República Democrática do Congo dificultou o rastreamento de contatos e o isolamento de casos suspeitos. A doença provoca febre, fadiga, diarreia, vômitos e sangramentos a partir do quinto dia de infecção. A OMS informou que um grupo técnico se reuniu em 19 de maio para discutir quais candidatas a vacina contra a cepa Bundibugyo poderão receber prioridade em pesquisas e produção. Anne Ancia declarou que a disponibilização de uma vacina poderá levar meses. Segundo ela, a contenção da transmissão depende do trabalho comunitário voltado para informação sanitária e controle de práticas funerárias associadas ao contágio. A Agência das Nações Unidas para Refugiados informou que as províncias de Ituri e Kivu do Norte concentram mais de 2 milhões de deslocados internos e retornados. O Acnur declarou que a estrutura de saúde da região permanece enfraquecida pelos confrontos armados, pela destruição de infraestrutura e pela crise humanitária instalada no leste congolês. O avanço da epidemia ocorre em uma região submetida há décadas à presença de milícias, operações militares estrangeiras, disputa por coltan, ouro e cobalto, além de ciclos contínuos de deslocamento forçado. O sistema sanitário congolês enfrenta escassez de equipamentos, profissionais e laboratórios em áreas controladas por grupos armados ou isoladas por confrontos.

  • Analista iraquiano: Qualquer guerra com o Irã será regional e envolverá múltiplas frentes

    As ameaças do presidente estadunidense Donald Trump contra o Irã ampliaram o risco de uma guerra regional envolvendo múltiplas frentes militares no Oriente Médio. A avaliação foi apresentada em 20 de maio pelo analista iraquiano Mohammed Ali Al-Hakim em declarações à agência Al-Maaloumah reproduzidas pela IRNA. O especialista afirmou que Washington utiliza pressão militar, econômica e psicológica para forçar Teerã a aceitar concessões sobre o programa nuclear e sua presença regional. Soldados iranianos Mohammed Ali Al-Hakim declarou que qualquer confronto militar contra o Irã ultrapassaria os limites de uma operação convencional e atingiria toda a região do Golfo Pérsico e da Ásia Ocidental. Segundo ele, Washington compreende que uma guerra contra Teerã não seria “uma guerra clássica de curta duração”, mas “um conflito regional em múltiplas frentes”. O analista iraquiano afirmou que as ameaças de Donald Trump possuem caráter político e coercitivo. “As ameaças de Trump contra o Irã são usadas mais como ferramenta de pressão política e dissuasão estratégica do que como declaração oficial de guerra iminente”, disse Al-Hakim, segundo a agência Al-Maaloumah. A análise sustenta que o governo estadunidense busca pressionar Teerã nas negociações nucleares ao insistir na política de “enriquecimento zero”. Para Al-Hakim, Washington tenta reduzir a influência regional iraniana por meio de ameaças militares, sanções econômicas e demonstrações de força naval no Golfo. O especialista afirmou que os centros de poder estadunidenses conhecem os custos de uma guerra direta contra o Irã. Segundo ele, qualquer escalada produziria impactos econômicos e militares para os Estados Unidos e seus aliados regionais. Al-Hakim também destacou que o Irã possui meios de resposta “não convencionais” por meio de seus aliados regionais e de suas capacidades de mísseis. As declarações ocorreram em meio à escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã após operações militares e ataques contra infraestrutura regional. O cenário inclui tensões no Estreito de Ormuz, presença militar naval estadunidense no Golfo Pérsico e ameaças públicas emitidas por Washington e Tel Aviv. Na terça-feira, Matt Duss, vice-presidente executivo do Center for International Policy, também criticou a posição da Casa Branca nas negociações com Teerã. Segundo Duss, a exigência de “enriquecimento zero” inviabiliza qualquer acordo diplomático e aproxima Washington de um confronto militar direto. Duss afirmou que a exigência foi imposta ao governo Trump pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e por setores políticos em Washington favoráveis à guerra. “Eles não queriam um acordo; eles queriam uma guerra”, declarou o dirigente do centro de política internacional. O analista estadunidense acrescentou que um entendimento diplomático só será possível caso Trump abandone essa exigência. “Um acordo só será possível quando Trump reverter esse erro”, afirmou. As declarações ocorreram no mesmo dia em que autoridades iranianas ampliaram os alertas sobre uma resposta regional caso ataques contra o país sejam retomados. O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica declarou em 20 de maio que poderá levar o confronto “para além da região” em caso de nova agressão militar. Também em 20 de maio, a Marinha do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica afirmou que as travessias no Estreito de Ormuz passaram a ocorrer sob coordenação iraniana. O governo iraniano informou ainda que mantém o fornecimento interno de combustível durante o período de confrontos e mobilização militar. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou no mesmo dia que “métodos antigos” não conseguem responder aos desafios enfrentados pelo Irã diante da pressão militar e econômica externa. Já Mohammad Bagher Ghalibaf afirmou que “o inimigo lamentará qualquer nova agressão contra o Irã”. A IRNA também publicou declarações de representantes iranianos denunciando que sanções econômicas e ameaças militares fazem parte da mesma política de pressão conduzida pelos Estados Unidos contra países que rejeitam alinhamento com Washington.

  • Como a guerra com o Irã frustrou as ambições dos Emirados

    A escalada militar no Golfo expôs os limites da estratégia dos Emirados Árabes Unidos baseada em redes globais de influência diante dos ataques do Irã à infraestrutura regional. O modelo político e econômico construído por Abu Dhabi ao longo de duas décadas enfrenta fricção direta com a capacidade de coerção iraniana no teatro regional. A análise publicada por Andreas Krieg aponta que a projeção de poder emiradense não se traduziu em autonomia estratégica diante da guerra. Mohamed bin Zayed Al Nahyan U.S. EMBASSY & CONSULATE Os Emirados Árabes Unidos passaram cerca de vinte anos estruturando uma política externa baseada em conectividade econômica, influência financeira e presença em múltiplos conflitos e mercados. O país construiu portos, ampliou fundos soberanos, operou redes de logística, comércio de commodities, comunicação e segurança privada, além de manter relações com atores políticos e militares de regiões como Iêmen e Sudão. O objetivo declarado dessa arquitetura foi reduzir o impacto da limitação territorial e demográfica do Estado e ampliar sua capacidade de atuação internacional. O presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, consolidou esse modelo de projeção externa, descrito no texto como uma forma de “interdependência armada”. A estratégia envolveu aproximação simultânea com Washington, Moscou e Pequim, além de participação em cadeias logísticas globais e estruturas financeiras internacionais. A partir dessa configuração, Abu Dhabi passou a se apresentar como ator com capacidade de influenciar crises regionais e negociações diplomáticas. Os ataques recentes atribuídos ao Irã contra infraestrutura no Golfo colocaram em evidência a vulnerabilidade do país diante de uma escalada militar direta. Segundo a análise, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) elevou a pressão militar sem que a estrutura de influência emiradense produzisse capacidade de dissuasão equivalente. Moscou não respondeu com apoio militar, Pequim limitou-se a declarações de estabilidade e Washington forneceu garantias políticas sem ações concretas de contenção. O texto indica que a posição geográfica dos Emirados Árabes Unidos, com infraestrutura portuária e logística integrada ao comércio global, os coloca dentro do alcance de sistemas de mísseis e drones iranianos. Essa condição transforma sua economia aberta em alvo direto em cenários de conflito, já que depende de fluxos contínuos de transporte, seguros e confiança internacional. O conselheiro presidencial Anwar Gargash declarou no X: “O amigo se transformou em mediador em vez de ser um aliado e apoiador firme”, em referência a parceiros regionais e internacionais. A declaração expressa insatisfação de Abu Dhabi com a resposta de países aliados diante da escalada de tensões no Golfo. O comentarista Tareq al-Otaiba criticou a incapacidade de mecanismos de solidariedade regional e multilateralismo de conter ações iranianas. O embaixador dos Emirados Árabes Unidos em Washington, Yousef al-Otaiba, afirmou em artigo de opinião a disposição de Abu Dhabi em participar de uma “iniciativa internacional” para reabrir o Estreito de Ormuz, com compartilhamento de encargos operacionais. O texto indica que o modelo emiradense de projeção de poder por redes não gerou capacidade de imposição de resultados militares ou de contenção estratégica no Golfo. A análise aponta que, quando o IRGC elevou o nível de confronto, ativos financeiros, logísticos e diplomáticos não produziram efeitos de dissuasão sobre a dinâmica de escalada. As operações militares e os ataques no contexto do confronto com o Irã também impactaram a relação dos Emirados Árabes Unidos com seus parceiros do Conselho de Cooperação do Golfo. Mensagens oficiais de Abu Dhabi passaram a cobrar maior alinhamento regional e criticaram posições de mediação adotadas por países vizinhos como Omã, Catar e Paquistão. A estrutura de segurança do Golfo, baseada em garantias externas e cooperação entre Estados da região, foi colocada sob tensão após os ataques. O texto indica que o modelo emiradense de autonomia estratégica entrou em confronto com a dependência de garantias externas e com a vulnerabilidade comum aos Estados do Golfo diante da capacidade militar iraniana.

  • Central Operária Boliviana exige a renúncia de Rodrigo Paz

    A direção da Central Operária Boliviana (COB) declarou em 20 de maio que as bases mobilizadas passaram a exigir diretamente a renúncia do presidente boliviano Rodrigo Paz e de seus ministros. O secretário-geral da entidade, Claudio Choque, afirmou à Rádio Éxito que os bloqueios de estradas, os protestos urbanos e os confrontos resultam da crise econômica, da escassez de combustível e da alta dos preços de produtos básicos. A escalada ocorre enquanto o governo amplia a repressão contra lideranças sociais, expede mandados de prisão e tenta enquadrar as mobilizações como ameaça à ordem institucional. Manifestantes em La Paz | Crédito: AIZAR RALDES / AFP Choque declarou que a pressão pela saída do governo não parte apenas das direções sindicais, mas das próprias bases mobilizadas em diferentes regiões do país. “Somos apenas porta-vozes da base”, afirmou o dirigente, ao sustentar que o clamor pela renúncia do presidente e de seus ministros surgiu entre trabalhadores, camponeses e manifestantes que mantêm bloqueios em rodovias e centros urbanos. Segundo Choque, os mandados de prisão emitidos contra dirigentes sociais, entre eles o líder sindical Mario Argollo, não interromperão os protestos. O dirigente classificou as medidas como uma ação “política” e uma “má decisão”, afirmando que o recurso à repressão pode ampliar a radicalização social. A COB passou a exigir a revogação imediata das ordens judiciais e a libertação dos detidos durante os atos. O dirigente sindical declarou que aceita dialogar com o governo apenas sob essas condições. Também rejeitou a possibilidade de reuniões na Casa Grande del Pueblo, sede do Executivo boliviano, e propôs um local neutro para qualquer negociação. “O governo precisa descer à realidade e dialogar sinceramente com os setores mobilizados”, afirmou. As manifestações se intensificaram após semanas de desabastecimento de combustível, aumento no preço de alimentos e paralisações em estradas estratégicas. Choque acusou o Executivo de ignorar as reivindicações apresentadas pelos movimentos sociais antes da escalada dos confrontos. Ele também denunciou ataques realizados por grupos alinhados ao governo contra manifestantes e pediu o encerramento dos confrontos entre setores populares. O movimento sindical boliviano atravessa uma divisão interna diante da resposta estatal aos protestos. Enquanto parte da base operária e camponesa exige a queda do governo, outros setores organizam atos em defesa da permanência de Rodrigo Paz e contra os bloqueios rodoviários. As mobilizações passaram a afetar o transporte de alimentos e combustíveis em diferentes departamentos do país. Os protestos também ampliaram a disputa política regional em torno da crise boliviana. O governo dos Estados Unidos classificou os acontecimentos como “um golpe em andamento” e criticou a ausência de alinhamento de governos da região, entre eles Brasil e Colômbia, à posição estadunidense. Washington afirmou que esses países estariam “fechando os olhos” para governos que “talvez não se alinhem com suas preferências políticas”. A declaração estadunidense ocorreu enquanto lideranças bolivianas acusam Washington de utilizar o discurso institucional para interferir na política interna do país andino. O ex-presidente Evo Morales definiu as mobilizações como “uma revolta popular” contra as reformas defendidas por Rodrigo Paz e contra “a implementação do modelo neoliberal e contra o Estado neocolonial”. Nas últimas semanas, organizações camponesas e sindicatos ligados ao setor agrícola reafirmaram a greve nacional e passaram a exigir abertamente a renúncia presidencial. Paralelamente, movimentos indígenas e organizações sociais do Equador, como a Conaie, manifestaram solidariedade aos protestos bolivianos. A crise política se aprofundou após a prisão de mais de 100 manifestantes em operações conduzidas pelas forças de segurança bolivianas durante os protestos contra o governo. A repressão estatal coincidiu com o endurecimento do discurso oficial, que passou a tratar os bloqueios como ameaça à estabilidade institucional e à circulação de produtos básicos no país. Claudio Choque declarou que os atos de vandalismo registrados em algumas regiões não representam a posição da COB, mas afirmou que a responsabilidade pela deterioração da situação política recai sobre o governo, que, segundo ele, ignorou durante semanas as demandas apresentadas pelos setores mobilizados.

  • Explicação da votação para a dissolução do Knesset: o que significa para Netanyahu e Israel

    O Knesset iniciou em 20 de maio uma votação preliminar sobre sua própria dissolução, ampliando a crise política do governo de Benjamin Netanyahu. Partidos ultraortodoxos ameaçam abandonar a coalizão após disputas sobre o recrutamento militar obrigatório de judeus haredi para as forças israelenses. Pesquisas citadas pela imprensa israelense indicam que o bloco governista pode perder a maioria parlamentar caso novas eleições sejam antecipadas. Benjamin Netanyahu A votação ocorre em meio ao aprofundamento das divisões internas no sistema político israelense durante a continuidade do genocídio contra a população palestina em Gaza e das operações militares israelenses no Líbano, Síria e Irã. O processo expõe fissuras entre partidos religiosos e setores da extrema direita israelense sobre a distribuição do serviço militar obrigatório enquanto Tel Aviv amplia mobilizações militares em diferentes frentes regionais. Segundo o Palestine Chronicle, a dissolução do parlamento israelense ainda depende de três votações adicionais após a etapa preliminar iniciada nesta quarta-feira. O Knesset possui 120 cadeiras e a aprovação definitiva exige apoio mínimo de 61 parlamentares. A crise foi desencadeada pela disputa em torno da isenção militar concedida a judeus ultraortodoxos. Partidos haredi acusam Netanyahu de descumprir acordos firmados com a coalizão para aprovar uma legislação que manteria a exclusão desse setor do recrutamento obrigatório. A questão ganhou peso político após a ampliação das operações militares israelenses e do aumento das baixas registradas pelas forças israelenses em diferentes frentes. O debate sobre o compartilhamento do serviço militar passou a gerar tensão entre partidos religiosos e setores nacionalistas ligados ao governo. Segundo relatos da imprensa israelense reproduzidos pelo Palestine Chronicle, o rabino Dov Lando, dirigente espiritual do setor haredi lituano, orientou parlamentares da facção Degel HaTorah a apoiar a dissolução do parlamento. A decisão teria ocorrido após Netanyahu admitir que não possuía apoio parlamentar suficiente para aprovar a legislação de isenção militar. O impasse ameaça a estabilidade da coalizão formada por Netanyahu após seu retorno ao poder em 2022. Israel realizou cinco eleições em menos de quatro anos antes da atual composição governamental, reflexo de um sistema político marcado por alianças instáveis, fragmentação partidária e disputas internas entre setores religiosos, militares e coloniais. Mesmo com a votação preliminar, o parlamento não será dissolvido imediatamente. O projeto deverá passar por discussões em comissão antes de retornar ao plenário para outras três votações. O processo pode durar semanas, dependendo das negociações conduzidas entre o gabinete de Netanyahu e partidos ultraortodoxos. Segundo veículos israelenses citados pelo Palestine Chronicle, Netanyahu tenta negociar diretamente com lideranças haredi para evitar a dissolução ou adiar eleições antecipadas. Integrantes da coalizão também discutem apresentar uma proposta própria de dissolução parlamentar para controlar o calendário político e impedir que a oposição determine o ritmo do processo. Caso novas eleições sejam convocadas, a votação poderá ocorrer em setembro, antecipando o calendário inicialmente previsto para outubro de 2026. A antecipação ameaça reduzir a capacidade do governo israelense de aprovar medidas legislativas e reorganizar apoio político em meio à continuidade das operações militares regionais. Pesquisas eleitorais citadas pelo Palestine Chronicle apontam queda de apoio ao bloco governista liderado por Netanyahu. O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett aparece como um dos nomes mais competitivos para disputar o comando do governo israelense. Bennett integrou alianças anteriores com Netanyahu antes de se transformar em adversário político. O líder oposicionista Yair Lapid e o ex-chefe militar Gadi Eisenkot também aparecem como possíveis candidatos em uma disputa eleitoral antecipada. Eisenkot participou da condução de operações militares israelenses em Gaza e no Líbano durante sua trajetória no comando das forças armadas israelenses. A crise parlamentar se desenvolve paralelamente ao julgamento por corrupção enfrentado por Netanyahu. O primeiro-ministro israelense responde a processos relacionados a fraude, quebra de confiança e recebimento de favores empresariais. Segundo o Palestine Chronicle, o governo israelense também retomou discussões sobre um possível acordo judicial envolvendo o presidente Isaac Herzog. Enquanto enfrenta disputas internas no Knesset, Netanyahu mantém operações militares em Gaza, Líbano e outros territórios da região. O governo israelense segue recebendo financiamento, armamentos e cobertura diplomática dos Estados Unidos durante o genocídio contra a população palestina iniciado em outubro de 2023. A reportagem publicada pelo Palestine Chronicle em 20 de maio utilizou informações da Reuters e de veículos israelenses para detalhar o processo de dissolução parlamentar e a crise enfrentada pela coalizão de Benjamin Netanyahu.

  • NYT: EUA e Israel planejavam instalar Ahmadinejad como líder iraniano

    Os governos estadunidense e israelense planejaram colocar Mahmoud Ahmadinejad no comando do Irã após o martírio de Ali Khamenei, segundo reportagem publicada pelo The New York Times em 20 de maio. O plano teria sido discutido durante a ofensiva militar EUA-Israel contra o Irã e incluía uma operação para retirar Ahmadinejad da prisão domiciliar em Teerã. A operação fracassou após um ataque israelense atingir a residência do ex-presidente iraniano no primeiro dia da guerra, segundo autoridades estadunidenses ouvidas pelo jornal. Mahmoud Ahmadinejad A reportagem do The New York Times afirma que Donald Trump e autoridades israelenses buscavam repetir no Irã um modelo aplicado anteriormente contra a Venezuela, baseado no sequestro de Nicolás Maduro e na tentativa de consolidação de uma liderança alinhada à Casa Branca. Segundo o jornal estadunidense, Trump avaliava que “alguém de dentro” do aparato político iraniano teria maior capacidade de assumir o poder após o martírio de Khamenei. O Times descreveu Ahmadinejad como uma “escolha incomum” para Washington e Tel Aviv. Durante seu governo, entre 2005 e 2013, Ahmadinejad manteve defesa pública do programa nuclear iraniano, confrontou interesses estadunidenses e israelenses e declarou apoio à eliminação do regime israelense. O jornal destacou ainda que Ahmadinejad entrou em conflito com setores do Estado iraniano nos últimos anos e passou a sofrer restrições impostas pelas autoridades locais. Segundo a reportagem, autoridades estadunidenses informadas sobre o plano afirmaram que Ahmadinejad chegou a ser consultado sobre a operação de mudança de regime. O jornal declarou que o paradeiro atual do ex-presidente iraniano é desconhecido desde o ataque à sua residência em Teerã.“Dizer que o Sr. Ahmadinejad foi uma escolha incomum seria um grande eufemismo”, escreveu o The New York Times. O jornal recordou que Ahmadinejad se tornou alvo de disputas internas após deixar a presidência iraniana. O ex-presidente foi impedido de disputar novas eleições, aliados foram presos e sua circulação passou a ser monitorada. Segundo o Times, pessoas próximas a Ahmadinejad chegaram a ser acusadas de manter vínculos com o Ocidente e de espionagem para Israel. A reportagem também recuperou declarações feitas por Ahmadinejad em 2019 sobre Donald Trump. Na ocasião, o ex-presidente iraniano defendeu aproximação entre Teerã e Washington. “O Sr. Trump é um homem de ação”, afirmou Ahmadinejad na entrevista citada pelo jornal. “Ele é um empresário e, portanto, capaz de calcular custos e benefícios e tomar decisões. Dizemos a ele: vamos calcular os custos e benefícios a longo prazo para nossas duas nações e não sermos míopes.” Segundo o The New York Times, Trump considerava que a operação conduzida contra a Venezuela havia produzido resultados políticos favoráveis para a Casa Branca. O jornal afirmou que o presidente estadunidense avaliava que a instalação de uma liderança iraniana associada ao próprio sistema político do país poderia reduzir resistência interna após a ofensiva militar conduzida em parceria com Israel. O plano começou a desmoronar após o ataque israelense à residência de Ahmadinejad em Teerã. Autoridades estadunidenses disseram ao jornal que o bombardeio tinha como objetivo retirar o ex-presidente da prisão domiciliar. Ahmadinejad sobreviveu ao ataque, sofreu ferimentos e desapareceu após abandonar cooperação com a operação de mudança de regime. A revista The Atlantic publicou em março que o ataque representava “na prática uma operação de fuga da prisão”, citando fontes ligadas ao ex-presidente iraniano. Após a divulgação do texto, o Times afirmou ter recebido confirmação de um associado de Ahmadinejad de que ele reconheceu o ataque aéreo como tentativa de libertação organizada em coordenação com Washington e Tel Aviv. Segundo o associado citado pelo jornal, autoridades estadunidenses acreditavam que Ahmadinejad possuía capacidade para controlar “a situação política, social e militar do Irã” após a queda do governo iraniano. O desaparecimento de Ahmadinejad passou a gerar dúvidas dentro do próprio plano EUA-Israel. O jornal afirmou que o ex-presidente iraniano ficou desiludido com a operação após sobreviver ao bombardeio israelense e deixou de colaborar com interlocutores ligados ao projeto de mudança de regime. A ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã ocorre em meio à ampliação da presença militar estadunidense na Ásia Ocidental e ao aprofundamento da aliança entre Washington e Tel Aviv durante o genocídio contra a população palestina iniciado em outubro de 2023. O governo estadunidense mantém apoio financeiro, diplomático e militar às operações israelenses na região enquanto amplia ameaças contra Teerã e reforça sanções econômicas contra o Estado iraniano. Em 19 de maio, Donald Trump declarou que poderia atacar novamente o Irã caso não houvesse avanço nas negociações sobre cessar-fogo “em dias”. Na mesma data, afirmou que Xi Jinping teria garantido que a China não enviaria armas ao Irã, segundo publicação da Al Jazeera. Também em 19 de maio, a Al Jazeera publicou análise da escritora Belén Fernández afirmando que a relação entre Trump e Benjamin Netanyahu consolidou um processo de normalização política de operações militares, ações clandestinas e escaladas regionais conduzidas pelos governos estadunidense e israelense. A reportagem do The New York Times foi publicada em 20 de maio de 2026 e citou autoridades estadunidenses envolvidas ou informadas sobre a operação organizada durante a guerra EUA-Israel contra o Irã.

  • Governo Lula realiza entrega de mais de R$22 milhões em apoio à agricultura familiar no Rio Grande do Norte

    O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar anunciou em 19 de maio um pacote de R$ 22 milhões para assentamentos, cooperativas e programas de produção agrícola no Rio Grande do Norte. A agenda da ministra Fernanda Machiaveli em Natal e São Paulo do Potengi incluiu entrega de títulos de terra, financiamento para agroecologia, compra pública de alimentos e repasses para cooperativas rurais. As medidas ocorrem em meio à disputa por orçamento federal para políticas agrárias, enquanto o agronegócio exportador mantém acesso prioritário a crédito e infraestrutura estatal. Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva O lançamento do programa Da Terra à Mesa ocorreu no Mercado da Agricultura Familiar, em Natal, com investimento de R$ 12,59 milhões destinados a 1.259 famílias agricultoras. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, 50% dos beneficiários serão mulheres e 20% jovens. O programa prevê repasses não reembolsáveis e assistência técnica para propriedades de agricultura familiar. “Vão ser 10 mil investimentos não reembolsáveis e o assessoramento técnico para estruturação produtiva dessas propriedades da agricultura familiar. Vem o investimento que pode ser utilizado em várias atividades: pode ser para transição agroecológica, para adaptação climática, para quintais produtivos, pode ser também para apoio de redes de cooperativas”, declarou Fernanda Machiaveli durante a cerimônia em Natal. Ainda na agenda do dia 19, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária entregou 168 títulos definitivos para famílias assentadas em São João do Potengi. A ação atingiu moradores de assentamentos rurais vinculados à política de reforma agrária, setor submetido a cortes orçamentários durante governos alinhados à expansão de latifúndios exportadores. “Eu estou muito emocionada só de saber que agora tenho uma moradia fixa para mim e pra minha família, é uma maravilha. Estou muito feliz”, afirmou Maria Cezário, de 59 anos, moradora do assentamento Lagoa Nova. A agricultora produz milho, feijão, mandioca e frutas, além de manter criação de gado para subsistência familiar. O ministério também anunciou o lançamento do Curso Superior de Tecnologia em Agroecologia, desenvolvido em parceria com o Instituto Federal do Rio Grande do Norte, com investimento de R$ 2,7 milhões. Outra medida formalizada foi a assinatura de um Termo de Execução Descentralizada no valor de R$ 7,58 milhões para o Mutirão das Mulheres, programa voltado para trabalhadoras rurais. Durante atividades no Mercado da Agricultura Familiar de Natal, o governo federal entregou três colheitadeiras de arroz por meio do Programa Arroz da Gente. O ministério ainda confirmou destinação de R$ 10 milhões ao Programa de Aquisição de Alimentos, mecanismo de compra pública que abastece cozinhas solidárias e programas sociais. Segundo o governo federal, cerca de 272 mil pessoas devem ser atendidas pelas ações vinculadas ao programa. Também foram assinados contratos para aquisição de alimentos produzidos por agricultores familiares destinados à produção de cestas distribuídas para cozinhas solidárias e movimentos sociais. O ministério anunciou ainda parceria de R$ 1 milhão entre o MDA e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Norte para ações voltadas à cadeia leiteira. Fernanda Machiaveli participou ainda da inauguração do entreposto de ovos da Coopotengi, no Centro de Formação da Agricultura Familiar do Território Potengi. O espaço possui capacidade de processamento de até 3 mil ovos por dia e atenderá produtores rurais da região. A agenda contou com presença da governadora Fátima Bezerra. Além do entreposto, foi inaugurado um empório da cooperativa voltado para comercialização da produção local. O projeto recebeu recursos estaduais e financiamento articulado junto ao Banco do Brasil e à Fundação Banco do Brasil. “Quando eu cheguei lá fiquei muito feliz de ver quantas políticas públicas já chegaram naquele território. Estava lá o selo Meu Combustível Social, mais de 16 milhões que foram investidos. Estavam lá os investimentos do governo do estado, por meio da Sedraf, com aportes para realização daquelas ações e recursos do Banco do Brasil, da Fundação Banco do Brasil para constituição de um entreposto de ovos”, declarou a ministra. As iniciativas anunciadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar integram políticas voltadas à agricultura familiar e cooperativas rurais, segmento responsável pela produção de parte dos alimentos consumidos no Brasil, mas que historicamente recebe parcela inferior do crédito agrícola estatal quando comparado ao agronegócio voltado à exportação de commodities. Segundo dados do próprio governo federal, os investimentos anunciados no Rio Grande do Norte abrangem assistência técnica, comercialização, regularização fundiária, agroecologia e programas de compra pública de alimentos. A agenda foi divulgada pela Agência Gov em texto assinado por Beatriz Mendes, da assessoria de comunicação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

  • Deputados de SP enviaram R$ 700 mil a entidades ligadas à produtora de “Dark Horse”

    Deputados estaduais de São Paulo destinaram ao menos R$ 700 mil em emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Os repasses ocorreram entre 2023 e 2026 por meio de indicações de parlamentares do PL e do PT a instituições conectadas à empresária Karina Ferreira da Gama, uma das responsáveis pela GOUP Entertainment. O caso ganhou dimensão nacional após o Intercept Brasil divulgar um áudio no qual o senador Flávio Bolsonaro negocia cerca de R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa sobre o ex-presidente. FILME DARK HORSE ©ARQUIVO O levantamento foi publicado pela Folha de S.Paulo e confirmado pela CNN Brasil em 18 de maio. Segundo os dados apresentados pelos veículos, deputados paulistas enviaram recursos públicos a entidades relacionadas à estrutura empresarial da GOUP Entertainment desde 2023. A deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL) indicou R$ 100 mil ao Instituto Conhecer Brasil em 2023 para aquisição de equipamentos. O valor foi pago em dezembro daquele ano. O instituto aparece entre as entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama. Em 2025, o deputado estadual Lucas Bove (PL) tentou direcionar R$ 213 mil ao mesmo instituto para um projeto esportivo. O governo de São Paulo bloqueou a emenda antes da liberação dos recursos. Segundo declaração do parlamentar à CNN Brasil, ele recebeu “um projeto que parecia interessante para a área da educação”, mas afirmou ter redirecionado a verba “por ausência de documentos do proponente”. A CNN informou que aguardava posicionamento do governo estadual sobre os motivos do bloqueio. No mesmo ano, o deputado Gil Diniz (PL) indicou R$ 200 mil para a Academia Nacional de Cultura, outra entidade ligada à produtora. O recurso foi destinado à produção da série documental “Heróis Nacionais – filhos do Brasil que não se rende”. O pagamento ocorreu em agosto de 2025. Em 2026, o deputado estadual Luiz Fernando (PT) apresentou emenda de R$ 190 mil ao instituto ligado a Karina Ferreira da Gama para projetos culturais. Segundo a reportagem, o valor ainda não havia sido empenhado até a publicação da matéria. Em nota, o parlamentar afirmou que a verba “será utilizada única e exclusivamente para um projeto de aulas de teatro em São Bernardo do Campo, por solicitação de um grupo de teatro”. O deputado declarou ainda que apoia iniciativas culturais desse perfil desde 2015. A circulação de recursos públicos para entidades vinculadas à produtora ocorreu em paralelo à aproximação entre parlamentares da ultradireita bolsonarista, empresários do sistema financeiro e produtores ligados à indústria audiovisual alinhada ao bolsonarismo. O projeto “Dark Horse” passou a ocupar espaço na disputa política nacional após a divulgação de negociações envolvendo financiamento privado em valores milionários. Na semana anterior à publicação da reportagem, o Intercept Brasil divulgou um áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro. Segundo o site, a gravação registra uma negociação entre o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para levantar cerca de R$ 134 milhões destinados à produção do filme sobre Jair Bolsonaro. O Intercept Brasil informou ainda que o deputado federal Mário Frias (PL-SP), apontado como produtor executivo do longa, teria atuado como intermediário das tratativas. Frias ocupou a Secretaria Especial de Cultura durante o governo Bolsonaro e integrou a estrutura responsável pela distribuição de recursos federais para o setor audiovisual entre 2020 e 2022. Após a divulgação do áudio, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou em 15 de maio a abertura de uma apuração preliminar sigilosa sobre repasses de emendas parlamentares para entidades controladas pela GOUP Entertainment. A decisão ocorreu em meio às investigações conduzidas pelo STF sobre uso de verbas parlamentares e mecanismos de distribuição de recursos públicos por meio de entidades privadas ligadas a grupos políticos. A GOUP Entertainment passou a concentrar atenção política e jurídica após o avanço das investigações sobre financiamento de projetos culturais vinculados à ultradireita bolsonarista, setor que ampliou presença institucional durante o governo Bolsonaro por meio de alianças com empresários, parlamentares, militares e segmentos religiosos organizados em torno de pautas nacionalistas, privatizações e alinhamento à política externa estadunidense.

  • Datafolha: 51% defendem importância de uma mulher no STF; negros e religiosos têm 46%

    Pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo em 19 de maio mostra que 51% dos brasileiros consideram muito importante a indicação de uma mulher para o Supremo Tribunal Federal. O levantamento foi publicado meses após o Senado rejeitar o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso. Em um cenário marcado pela disputa entre Executivo, Congresso e setores religiosos organizados, o Datafolha registrou apoio à presença feminina, negra e religiosa na composição da corte. Cármen Lúcia, ministra do STF O levantamento foi realizado presencialmente entre os dias 12 e 13 de maio com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, segundo o instituto. O registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral é BR-00290/2026. De acordo com os números divulgados pela Folha de S.Paulo, 51% dos entrevistados afirmaram que é “muito importante” que a próxima vaga no STF seja ocupada por uma mulher. Outros 18% classificaram esse fator como “um pouco importante”, enquanto 27% responderam que isso “não é nada importante”. Atualmente, a ministra Cármen Lúcia é a única mulher entre os integrantes da corte. A pesquisa também mediu a percepção sobre representação racial. Para 46% dos entrevistados, é “muito importante” que o novo ministro seja uma pessoa negra. Outros 16% consideram esse critério “um pouco importante”, enquanto 35% afirmaram que a condição racial não possui importância para a escolha. O Datafolha ainda identificou peso da religião entre os critérios considerados pela população. Segundo o levantamento, 46% responderam que é “muito importante” que o indicado seja religioso. Outros 20% classificaram o fator como “um pouco importante”. A divulgação dos dados ocorreu após a rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado. A derrota imposta ao governo Lula interrompeu uma articulação construída desde o anúncio da aposentadoria de Luís Roberto Barroso, feito em outubro. A indicação demorou meses para ser formalizada e enfrentou resistência de setores do Congresso ligados ao centrão, à oposição bolsonarista e a grupos religiosos que cobravam maior influência sobre o STF. Segundo o Datafolha, 59% dos entrevistados disseram não ter tomado conhecimento da rejeição do indicado do governo. Entre os que afirmaram saber do episódio, 53% avaliaram que a derrota enfraqueceu o governo federal. Apenas 7% disseram que o episódio fortaleceu Lula, enquanto 36% afirmaram que não houve impacto político. Jorge Messias construiu parte de sua articulação política em torno de sua identidade evangélica, apresentada pelo Palácio do Planalto como elemento de aproximação com parcelas do eleitorado religioso. A estratégia ocorreu em meio à disputa por influência entre Executivo, Congresso e lideranças neopentecostais sobre o controle político e ideológico das instituições do Judiciário. Entre os entrevistados que afirmaram intenção de voto em Lula nas eleições presidenciais de 2026, 64% disseram considerar muito importante a indicação de uma mulher para o STF. Entre esse mesmo grupo, 60% defenderam a indicação de uma pessoa negra. Entre os eleitores de Flavio Bolsonaro, os percentuais foram menores. Segundo o levantamento, 41% dos entrevistados alinhados ao senador consideram muito importante a escolha de uma mulher, enquanto 35% atribuíram o mesmo grau de importância à indicação de uma pessoa negra. O Datafolha também questionou os entrevistados sobre outros critérios relacionados à composição do Supremo Tribunal Federal. O item com maior índice de aprovação foi “ótimo conhecimento jurídico”. Segundo o instituto, 85% dos entrevistados responderam que essa característica é “muito importante”. Outros 6% disseram que é “um pouco importante”, enquanto mais 6% afirmaram que o critério possui pouca importância. A pesquisa registrou ainda apoio à ideia de alinhamento político entre o ministro indicado e o presidente da República responsável pela nomeação. Para 51% dos entrevistados, o futuro integrante do STF deve ter “lealdade total” ao presidente que o indicou. Outros 25% responderam que esse aspecto “não é nada importante”. Entre eleitores de Lula, 63% classificaram a lealdade ao presidente como “muito importante”. Entre os eleitores de Flavio Bolsonaro, o índice foi de 45%. Ao mesmo tempo, 64% dos entrevistados afirmaram que o próximo ministro do STF deve ser independente de políticos e partidos. Outros 16% classificaram esse fator como “um pouco importante”, enquanto 14% responderam que isso “não é nada importante”. A relação entre o Judiciário e o Congresso também apareceu no levantamento. Segundo o Datafolha, 47% consideram “muito importante” que o indicado tenha afinidade política com deputados federais e senadores. Outros 26% responderam que essa característica “não é nada importante”. O instituto ainda perguntou sobre o apoio interno dentro do próprio STF. Para 53% dos entrevistados, é “muito importante” que o nome escolhido tenha apoio dos atuais ministros da corte. Outros 20% afirmaram que isso “não é nada importante”, enquanto mais 20% classificaram o item como “um pouco importante”. Os números foram divulgados em meio ao aumento das disputas institucionais entre Executivo, Congresso e Judiciário sobre a composição do STF, corte responsável por arbitrar conflitos constitucionais e validar medidas de impacto político e econômico em um sistema marcado pela concentração de poder em torno de acordos partidários, influência parlamentar e pressão de setores empresariais, religiosos e militares sobre o Estado brasileiro.

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