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  • Flávio Bolsonaro cai seis pontos no 2º turno após revelações sobre pedido de dinheiro a Vorcaro

    A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 19 de maio de 2026 mostra Luiz Inácio Lula da Silva à frente em todos os cenários de primeiro e segundo turno para a eleição presidencial de 2026. Em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula aparece com 48,9% contra 41,8%, após a divulgação de informações sobre pedido de R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras. O levantamento indica oscilação em relação às rodadas anteriores e registra empate técnico nas medições de fevereiro e março. Flávio Bolsonaro _ (Photo by SERGIO LIMA_AFP via Getty Images) No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa de abril apontava 47,5% para Lula e 47,8% para Flávio Bolsonaro, enquanto a nova rodada indica vantagem de 7 pontos para o presidente. No primeiro turno, Lula registra 47% das intenções de voto contra 34,3% do senador. O instituto informa que Flávio Bolsonaro recuou seis pontos no segundo turno após as revelações sobre o pedido de recursos a Daniel Vorcaro para financiamento de cinebiografia de Jair Bolsonaro. O levantamento também aponta Lula à frente em simulações contra Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Michele Bolsonaro (PL). A pesquisa ouviu 5.032 pessoas entre 13 e 18 de maio, por meio da metodologia Atlas RDR de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro consta no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06939/2026.

  • Assessores de Trump pressionam os Emirados a tomarem posse de ilha estratégica iraniana

    Assessores do presidente estadunidense Donald Trump pressionaram os Emirados Árabes Unidos para ampliar a ofensiva diplomática contra a soberania iraniana sobre ilhas no Golfo Pérsico. A articulação envolve Abu Musa, Grande Tunb e Pequena Tunb, territórios administrados por Teerã desde novembro de 1971 e posicionados próximos ao Estreito de Hormuz. A movimentação ocorre durante nova etapa da pressão econômica, militar e diplomática conduzida por Washington contra a República Islâmica e insere a disputa territorial na estratégia estadunidense de contenção ao Irã. Crédito da foto: WAM Fontes ligadas à diplomacia regional afirmaram que integrantes próximos ao círculo político de Trump discutiram com autoridades emiradenses mecanismos para ampliar a contestação internacional sobre a soberania iraniana das ilhas. As conversas ocorreram em paralelo à manutenção da presença militar estadunidense no Golfo Pérsico, região onde Washington mantém bases, grupos navais, sistemas antimísseis e operações de vigilância sob o argumento de proteção da navegação marítima e do fluxo energético internacional. Abu Musa, Grande Tunb e Pequena Tunb permanecem sob controle iraniano desde novembro de 1971, período anterior à fundação dos Emirados Árabes Unidos, proclamados em dezembro daquele ano. A retomada iraniana das ilhas ocorreu após a retirada britânica do Golfo Pérsico, encerrando décadas de presença colonial britânica sobre rotas marítimas e estruturas políticas locais. Desde então, Teerã sustenta que os territórios fazem parte do território iraniano e rejeita qualquer proposta de arbitragem internacional ou negociação sobre soberania. Os Emirados Árabes Unidos passaram a reivindicar formalmente as ilhas após a criação da federação emiradense. Abu Dhabi utiliza fóruns diplomáticos regionais e organismos multilaterais para questionar o controle iraniano, enquanto Teerã responde classificando as reivindicações como violação da integridade territorial da República Islâmica. As ilhas localizam-se próximas ao Estreito de Hormuz, corredor marítimo por onde transitam milhões de barris de petróleo exportados diariamente do Golfo Pérsico. O posicionamento geográfico permite monitoramento naval entre o Golfo e o Oceano Índico. O Irã mantém presença militar permanente nas ilhas por meio do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, incluindo estruturas de defesa costeira, radares e instalações de vigilância marítima. A pressão estadunidense sobre a questão territorial ocorre durante aprofundamento da integração política e militar entre Emirados Árabes Unidos e Israel após os Acordos de Abraão, anunciados em setembro de 2020 pelo governo Trump. O acordo patrocinado por Washington consolidou relações diplomáticas, econômicas e militares entre Abu Dhabi e Tel Aviv, incluindo cooperação em inteligência, segurança cibernética, defesa aérea e monitoramento regional ligado ao Irã. O governo iraniano reagiu em ocasiões anteriores a declarações emitidas por países árabes do Golfo e governos aliados de Washington sobre as ilhas. Em agosto de 2023, o Ministério das Relações Exteriores iraniano convocou o embaixador emiradense em Teerã após comunicado conjunto entre Rússia e Conselho de Cooperação do Golfo mencionar apoio a negociações sobre Abu Musa e as ilhas Tunb. Na ocasião, autoridades iranianas declararam que “as ilhas iranianas pertencem eternamente ao Irã” e classificaram qualquer contestação territorial como interferência externa em assunto soberano. A disputa também aparece em comunicados conjuntos emitidos por Washington e monarquias do Golfo desde o governo Joe Biden. Em diferentes encontros diplomáticos, autoridades estadunidenses defenderam uma “solução pacífica” para o impasse territorial entre Emirados Árabes Unidos e Irã. Teerã respondeu afirmando que não existe disputa sobre soberania das ilhas e acusou Washington de utilizar a questão como instrumento de pressão geopolítica contra a República Islâmica. A nova articulação envolvendo assessores ligados a Trump ocorre após anos de escalada estadunidense contra o Irã. Em maio de 2018, Trump retirou unilateralmente os Estados Unidos do Plano de Ação Conjunto Global, acordo nuclear firmado em julho de 2015 entre Teerã, Rússia, China, França, Reino Unido, Alemanha e União Europeia. A decisão abriu caminho para a política de “pressão máxima”, que impôs sanções contra exportações iranianas de petróleo, sistema bancário, transporte marítimo e setores industriais. Durante o mandato Trump, Washington ampliou operações militares no Golfo Pérsico e enviou bombardeiros, destróieres, porta-aviões e sistemas antimísseis para bases instaladas na Arábia Saudita, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos. O governo estadunidense justificou a expansão militar alegando necessidade de conter ameaças iranianas à navegação comercial e à infraestrutura energética regional. A questão das ilhas reaparece em meio à reorganização política do Oriente Médio ligada ao genocídio conduzido por Israel contra a população palestina desde outubro de 2023. O alinhamento entre Washington, Tel Aviv e monarquias do Golfo integra a arquitetura regional construída pelos Estados Unidos para ampliar presença militar, controlar corredores energéticos e conter alianças políticas e militares do Irã na Ásia Ocidental. Até o momento, os Emirados Árabes Unidos mantêm reivindicação diplomática sobre Abu Musa, Grande Tunb e Pequena Tunb em reuniões do Conselho de Cooperação do Golfo e em organismos internacionais. O governo iraniano declarou que qualquer debate sobre soberania das ilhas é inaceitável e reiterou que os territórios pertencem ao Irã.

  • Fazendeiro iraquiano é morto em possível tentativa de encobrir presença de bases israelenses

    Um pastor iraquiano foi morto após localizar duas instalações militares israelenses secretas no deserto do Iraque, segundo investigação publicada pelo The New York Times e reproduzida pelo Middle East Eye em 17 de maio de 2026. O caso ampliou denúncias sobre operações israelenses clandestinas em território iraquiano com apoio logístico e cobertura política estadunidense. Parlamentares iraquianos acusam Washington de ter permitido o uso do espaço aéreo e do território do país para operações israelenses durante a escalada militar contra o Irã. Najaf, no sudoeste do Iraque, em 12 de maio de 2026 (Qassem al-Kaabi/AFP) A investigação aponta que Awad al-Shammari encontrou uma das instalações militares enquanto circulava pelo deserto da província de Najaf, no sudoeste do Iraque. Segundo testemunhas locais ouvidas pelo The New York Times, um helicóptero abriu fogo contra o caminhão do pastor após sua aproximação da área militar. Familiares relataram que Shammari desapareceu por dois dias antes de ser encontrado morto ao lado do veículo incendiado. “Disseram-nos que havia uma caminhonete incendiada, igual à do Awad, lá fora, mas ninguém se atreveu a ir até lá”, afirmou Amir al-Shammari, primo da vítima, ao The New York Times. “Quando chegamos lá, encontramos o carro e o corpo queimados.” O Wall Street Journal informou na semana anterior que Israel havia instalado um posto avançado secreto no deserto ocidental do Iraque durante a escalada militar contra o Irã. Segundo o jornal estadunidense, a base foi usada para apoiar operações aéreas e abrigar unidades de forças especiais israelenses. A instalação teria sido construída em fevereiro de 2026, antes do início das operações militares diretas entre Israel, Estados Unidos e Irã. Ainda de acordo com o Wall Street Journal, a base foi utilizada em março durante uma operação contra tropas iraquianas que teriam se aproximado da instalação militar clandestina. O jornal israelense Maariv relatou que as forças armadas israelenses posicionaram equipes de resgate e unidades de comando na instalação. O objetivo seria retirar pilotos israelenses abatidos dentro do território iraniano durante ataques realizados contra o Irã. Fontes oficiais ouvidas pelo The New York Times afirmaram que existia uma segunda base israelense na mesma região desértica. Segundo o relatório, essa instalação antecedia a atual escalada militar e já havia sido utilizada durante operações israelenses ligadas à ofensiva contra o Irã em junho de 2025. As mesmas fontes declararam ao jornal estadunidense que Washington tinha conhecimento da existência da base desde pelo menos junho de 2025. A informação elevou pressões internas no Iraque após surgirem acusações de que autoridades estadunidenses ocultaram a presença militar israelense do governo iraquiano, apesar da parceria formal entre Bagdá e Washington. O deputado iraquiano Raed al-Maliki acusou os Estados Unidos de coordenarem diretamente a abertura do espaço aéreo iraquiano para operações israelenses. “Os Estados Unidos entregaram o espaço aéreo iraquiano à entidade durante a guerra e ordenaram o desligamento dos sistemas de radar. Agora ficou claro que o território iraquiano também foi usado para estabelecer um centro ou base secreta de inteligência para a entidade sionista”, declarou o parlamentar. A revelação provocou reações no parlamento iraquiano e ampliou cobranças contra o governo em Bagdá. Setores políticos passaram a exigir investigação sobre a atuação militar israelense dentro do território nacional e sobre o papel desempenhado pelas forças estadunidenses instaladas no Iraque desde a invasão de 2003. O caso reacendeu debates sobre a permanência da estrutura militar estadunidense no Iraque mais de duas décadas após a ocupação iniciada sob a justificativa das inexistentes “armas de destruição em massa”. Desde então, bases militares, operações de inteligência e controle do espaço aéreo iraquiano permaneceram sob influência direta de Washington, enquanto Israel expandiu ações clandestinas na região em articulação com operações estadunidenses contra o Irã e grupos aliados de Teerã. O governo iraquiano não comentou oficialmente as denúncias divulgadas pelo The New York Times, pelo Wall Street Journal, pelo Maariv e pelo Middle East Eye.

  • "Crise de recrutamento" sem precedentes no exército israelense

    Os principais meios de comunicação israelenses passaram a alertar para uma crise de recrutamento nas forças armadas israelenses em meio à continuidade das operações militares em Gaza, Cisjordânia e Líbano. O debate ganhou dimensão institucional após oficiais admitirem falta de tropas e pressão sobre soldados da ativa e reservistas. A disputa em torno do recrutamento obrigatório de judeus ultraortodoxos expôs fissuras dentro da coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e ampliou o desgaste social provocado pela manutenção de múltiplas frentes militares. Crise de recrutamento nas forças armadas israelenses em meio à continuidade das operações militares em Gaza O jornal israelense Yedioth Ahronoth publicou que o atual modelo de mobilização militar tornou-se insustentável sem a incorporação dos Haredim, grupo formado por judeus ultraortodoxos historicamente dispensados do serviço militar obrigatório desde a fundação de Israel em 1948. A publicação afirmou que o sistema político entrou em um “impasse perigoso” devido ao bloqueio de uma nova legislação de recrutamento. Segundo o veículo, o alto comando das chamadas Forças de “Defesa” de Israel comunicou ao governo que a manutenção das operações militares dependerá da ampliação imediata do número de soldados disponíveis. O alerta ocorre após 32 meses de ofensivas militares contínuas contra Gaza e operações paralelas na Cisjordânia ocupada e no sul do Líbano. O jornal Haaretz relatou que a escassez de pessoal provocou sobrecarga entre soldados da ativa e integrantes das forças de reserva. O periódico descreveu o cenário como um “fardo crescente nas tarefas militares e atritos diários contínuos” dentro dos quartéis israelenses. A crise ganhou novo patamar em 25 de junho de 2024, quando a Suprema Corte israelense decidiu que os Haredim deveriam ser submetidos ao alistamento obrigatório. A decisão também determinou a suspensão do financiamento público destinado às yeshivas, instituições religiosas judaicas que recusassem enviar estudantes para o serviço militar. A medida provocou manifestações de grupos ultraortodoxos e reação dos partidos Shas e Judaísmo Unido da Torá, pilares da coalizão de Netanyahu. Lideranças religiosas acusaram o Estado israelense de atacar o modelo histórico que garantia exclusividade ao estudo da Torá para integrantes dessas comunidades. A tensão política ocorre enquanto setores da sociedade israelense passaram a exigir distribuição do peso militar entre todos os grupos sociais. A permanência das operações militares e o aumento das baixas nas tropas de reserva ampliaram a pressão sobre o governo para alterar o sistema de isenções mantido desde a criação do Estado israelense. O Canal 13 da televisão israelense divulgou declarações de um oficial militar de alta patente reconhecendo a dimensão da escassez de tropas. “Já faz um bom tempo que estamos alertando sobre a escassez de tropas. Precisamos de mais soldados, mais pessoal, em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano”, afirmou a fonte militar. A manutenção simultânea de operações em Gaza, no território palestino ocupado da Cisjordânia e no Líbano aprofundou a dependência israelense das forças de reserva. Desde outubro de 2023, centenas de milhares de reservistas foram convocados em sucessivas mobilizações, enquanto o governo Netanyahu manteve a expansão das operações militares mesmo diante de denúncias internacionais relacionadas ao genocídio da população palestina em Gaza. O debate sobre o recrutamento dos ultraortodoxos deixou de ser apenas uma disputa religiosa e passou a integrar o centro da crise política israelense. A exigência por novos contingentes militares ocorre ao mesmo tempo em que cresce a resistência interna contra a continuidade das campanhas militares e contra o custo econômico imposto pela mobilização permanente da sociedade israelense. As informações foram publicadas pela teleSUR em 17 de maio de 2026 com base em reportagem da Prensa Latina e declarações reproduzidas pelos jornais israelenses Yedioth Ahronoth, Haaretz e Canal 13.

  • Governo Lula e centrais sindicais rejeitam transição e pedem fim imediato da escala 6×1

    O governo Lula e as centrais sindicais rejeitaram a proposta de manter por dez anos a jornada semanal de 44 horas antes da adoção das 40 horas e do fim da escala 6×1. A disputa ocorre na comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a PEC da redução da jornada de trabalho sem redução salarial. O embate expõe a tentativa do bloco bolsonarista e do setor patronal de retardar mudanças nas relações de trabalho enquanto sindicatos pressionam pela adoção imediata do modelo 5×2. Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2025 – Ato do Dia do Trabalhador pede o fim da escala 6x1 e melhores condições de trabalho e renda, na Cinelândia, no centro da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil A proposta de transição foi apresentada pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS), parlamentar alinhado ao bolsonarismo, que protocolou emenda para manter o atual regime de 44 horas semanais durante uma década. O texto prevê que apenas após esse período passaria a valer a redução para 40 horas semanais. Turra também propôs que setores classificados como essenciais, entre eles saúde, segurança, mobilidade urbana e abastecimento, permaneçam submetidos ao atual modelo de jornada. A emenda inclui ainda a redução de contribuição social para empresários como forma de compensação pela mudança nas regras trabalhistas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rejeitou a proposta durante audiência na comissão especial da Câmara. “Sou radicalmente contra isso”, declarou o ministro ao comentar a possibilidade de compensações fiscais ao empresariado. Em seguida, Durigan afirmou: “A titularidade do trabalho não é do empregador. Não é como foi no debate da escravidão”. O governo Lula sustenta que a implementação da jornada de 40 horas e do modelo 5×2 pode ocorrer sem período de transição. Integrantes do Palácio do Planalto afirmam que a economia brasileira possui condições de absorver a mudança sem redução salarial e sem postergação legislativa. A deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), autora do projeto que estabelece a redução da jornada e o fim da escala 6×1, afirmou que a rejeição à transição não tem relação com punição ao setor patronal. Segundo a parlamentar, o objetivo da proposta é assegurar tempo livre para trabalhadores submetidos a rotinas marcadas por longas jornadas e deslocamentos. O debate sobre a escala 6×1 ganhou dimensão nacional após mobilizações sindicais realizadas desde 2025. Em atos do Dia do Trabalhador, centrais sindicais passaram a incorporar o “fim da escala 6×1” como palavra de ordem central, associando a reivindicação à redução da exaustão laboral e à ampliação do tempo de convivência familiar. A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) afirmou que empresários e setores ligados à extrema direita atuam para bloquear o avanço da proposta. O presidente da entidade, Adilson Araújo, declarou que existe uma ofensiva para impedir a aprovação da PEC no Congresso Nacional. “O movimento sindical, o governo Lula e os aliados da classe trabalhadora na sociedade e no parlamento, pressionam em sentido contrário, pois estão conscientes de que este é o momento certo para alcançar a vitória nesta batalha estratégica para nossa classe trabalhadora e a sociedade brasileira”, afirmou Araújo. O debate ocorre em meio à reorganização das disputas sobre direitos trabalhistas no Brasil após a reforma trabalhista aprovada em 2017 durante o governo Michel Temer, medida apoiada por entidades empresariais e defendida como mecanismo de flexibilização do mercado de trabalho. Desde então, centrais sindicais denunciam aumento da precarização, expansão de contratos intermitentes e ampliação de jornadas fragmentadas. Em abril de 2026, o governo Lula encaminhou ao Congresso um projeto paralelo prevendo jornada semanal de 40 horas e adoção do modelo 5×2 sem redução salarial. O texto foi apresentado como alternativa para acelerar a tramitação legislativa em articulação com a presidência da Câmara dos Deputados. A comissão especial responsável pela análise da PEC deve receber o relatório final em 20 de maio. A previsão discutida entre governo e lideranças parlamentares é que as votações na comissão e no plenário da Câmara ocorram na semana seguinte.

  • 'Exército entrará em colapso' - Evasão do serviço militar obrigatório e exaustão dos reservistas agravam a crise militar israelense

    Segundo mídia israelense, forças armadas enfrentam déficit de cerca de 12 mil soldados, incluindo 6 mil combatentes, em cenário de desgaste, evasão de alistamento e crise política. Relatos indicam que operações em Gaza, Líbano e outras frentes ampliam pressão sobre reservas e unidades regulares. Autoridades militares alertam para risco de colapso do sistema de reservas caso o serviço obrigatório não seja prorrogado. Soldado Israelense morto em combate contra o Hezbollah. 29 de março de 2026 Segundo relatos da mídia israelense, o exército israelense enfrenta uma crise crescente de efetivo em meio a operações militares prolongadas em múltiplas frentes, com escassez de pessoal, esgotamento de reservistas, aumento da tensão psicológica e impasses políticos sobre o serviço militar. As informações surgem enquanto Israel mantém operações militares em Gaza, Líbano, Irã, Síria, Iêmen e outras frentes, o que amplia a pressão sobre unidades regulares e forças de reserva e expõe divisões internas sobre a distribuição do serviço militar. Evasão do alistamento militar Segundo a mídia israelense, cerca de 38.000 jovens israelenses são classificados como desertores, enquanto outros 52.000 devem integrar essa categoria no futuro próximo. O jornal israelense Israel Hayom informou que entre 75% e 80% dos que evitam o serviço militar pertencem às comunidades ultraortodoxas Haredi, historicamente contrárias ao recrutamento obrigatório. O aumento das necessidades operacionais do exército ocorre desde o início das operações em múltiplas frentes. Embora autoridades militares afirmem que o alistamento de judeus ultraortodoxos chegou a cerca de 3.000 recrutas em 2025, o número permanece abaixo da demanda declarada pelas forças armadas. Os mesmos relatos indicam déficit de aproximadamente 12.000 soldados, incluindo cerca de 6.000 combatentes, o que afeta a formação de novas unidades e a continuidade das operações. Desgaste em múltiplas frentes Relatos da mídia israelense indicam que o exército enfrenta esgotamento após mais de dois anos e meio de confrontos em diversas frentes. O Canal 12 informou que dados apresentados à liderança política descrevem desgaste nas forças regulares e de reserva. O relatório relaciona a situação à condução simultânea de combates em sete frentes e ao número de feridos, que reduz o efetivo disponível, especialmente em unidades de combate. A pressão recai sobre reservistas, que passaram a sustentar parte central das operações. O Israel Hayom afirma que propostas como ampliar o serviço obrigatório para 36 meses e elevar o serviço de reserva para 70 dias anuais são consideradas soluções parciais. Segundo o jornal, reservistas já cumprem entre 80 e 100 dias anuais devido à continuidade das operações, incluindo a frente libanesa. Legislação e impasse político A capacidade de resposta do exército é afetada por atrasos legislativos. Segundo relatos, mudanças no serviço obrigatório e nas regras de reserva estão paralisadas por disputas na coalizão governamental. Autoridades militares afirmam que o atraso compromete a prontidão operacional. Uma das preocupações é a dispensa de soldados que ingressaram em julho de 2024, prevista para janeiro de 2027 após 30 meses de serviço, o que pode gerar déficit de cerca de 4.000 combatentes. Relatos indicam que o exército considera extensões seletivas ou redução de treinamento como medidas temporárias, sem impacto estrutural. Oficiais militares apontam necessidade de ampliação do recrutamento, especialmente entre Haredi. Crise política A escassez de pessoal se converteu em disputa política na coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Partidos ultraortodoxos defendem manutenção de isenções para estudantes de yeshivas Haredi, enquanto setores políticos e militares defendem mudanças no sistema de recrutamento. Na semana anterior, o Likud apresentou proposta de dissolução do Knesset e antecipação de eleições em meio ao impasse sobre isenções. Posteriormente, partidos Haredi passaram a reconsiderar a dissolução após mensagens do governo indicando tentativa de avanço em nova legislação sobre o serviço militar. Fadiga de combate A crise de efetivo também é associada ao desgaste físico e psicológico das tropas. A mídia israelense relata aumento de casos de trauma entre soldados que retornam do genocídio em Gaza, onde o exército conduziu operações descritas por organizações internacionais como envolvendo crimes de guerra e genocídio. O Canal 12 informou aumento do cansaço entre tropas enviadas repetidamente para zonas de combate e elevação de baixas operacionais por ferimentos e desgaste. O número de mulheres em funções de combate chegou a 5.200, representando 21% do sistema de combate, segundo o Canal 12. Alerta do comando militar Em 10 de maio, o chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, afirmou à Comissão de Relações Exteriores e Segurança do Knesset que o sistema de reservas pode colapsar sem ampliação do serviço obrigatório. Zamir declarou que o exército atingiu o nível mínimo de efetivo e necessita de novos soldados. Ele também se posicionou contra propostas de redução do tempo de serviço feminino. “Se cada um servir apenas de acordo com suas próprias condições, o exército entrará em colapso”, afirmou Zamir, segundo o jornal Yedioth Ahronoth.

  • Por que o Sudão desapareceu das manchetes globais - até a guerra com o Irã?

    A recente reformulação geopolítica da crise sudanesa distorce o quadro real e corre o risco de perpetuar o conflito que já dura três anos. Ativistas viajam em um ônibus com uma mensagem da Anistia Internacional defendendo a ação internacional sobre a guerra no Sudão, em Nairóbi, Quênia, em 15 de abril de 2026 (Tony Karumba/AFP). Existem guerras que dominam o imaginário global, e outras que silenciosamente desaparecem dele. O Sudão tornou-se este último tipo. Há mais de três anos, o Sudão vive uma catástrofe que, em outras circunstâncias, dominaria as manchetes globais. O país está entrando em colapso em câmera lenta. Mais de 14 milhões de pessoas foram deslocadas. Cidades inteiras foram esvaziadas. Os mercados mal funcionam. Hospitais fecharam ou operam sem eletricidade, medicamentos ou pessoal. Nada disso é novidade. O que é novo é o fato de o Sudão reaparecer repentinamente nas manchetes internacionais - e por quê. Foi exatamente isso que aconteceu em março, quando o Departamento de Estado dos EUA anunciou planos para designar a Irmandade Muçulmana Sudanesa como uma organização terrorista estrangeira. A justificativa foi explícita: Washington acusou o grupo de receber apoio da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. Aquele momento foi revelador. O Sudão não voltou à atenção global por causa de alertas de fome ou porque civis estavam sendo mortos em mercados e campos de deslocados. Voltou porque podia ser inserido no confronto geopolítico mais amplo centrado no Irã. Isso não foi uma coincidência. Ressaltou como a atenção funciona. O Sudão não é invisível; é condicionalmente visível. Equilíbrio de poder A guerra no Sudão continua sendo, em sua essência, um conflito interno. Ela está enraizada em uma transição política fracassada, um Estado militarizado e forças armadas rivais que lutam pelo controle do poder e dos recursos. No entanto, esse processo foi deliberadamente acelerado e tornou-se muito mais letal devido ao envolvimento oportunista de atores externos, que enxergam a fragmentação do Sudão não como uma tragédia a ser resolvida, mas como um palco a ser explorado. Nada disso mudou em 2026. O que mudou foi a perspectiva através da qual a guerra é vista. Isso não é apenas negligência. É uma forma de distorção. O Sudão está sendo visto, mas não em seus próprios termos. Com o aumento das tensões entre os Estados Unidos e Israel, de um lado, e o Irã, de outro, o Sudão foi sendo cada vez mais repensado: não como um país em crise, mas como um espaço dentro de um confronto mais amplo. Os grupos armados deixaram de ser apenas atores locais e passaram a ser vistos como extensões da influência regional. Os desenvolvimentos militares - especialmente o uso de drones - foram interpretados como sinais de alinhamento em um conflito mais amplo. Mas essa reformulação distorce mais do que explica. Os atores sudaneses não são meros representantes em sentido estrito. Eles operam dentro de sua própria lógica política, moldada por anos de fragmentação interna. O apoio externo pode alterar o equilíbrio de poder, mas não define a guerra em si. No entanto, uma vez que o Sudão é absorvido por uma narrativa geopolítica mais ampla, as prioridades mudam. A questão deixa de ser como acabar com a guerra e passa a ser como gerir as suas implicações. Essa mudança tem consequências, porque uma guerra que é administrada raramente é uma guerra que é resolvida. Caos econômico Se a reconfiguração geopolítica do Sudão é uma das camadas da crise, as consequências econômicas são outra — e estão se acelerando. A guerra com o Irã desencadeou um choque energético global. Os preços do petróleo ultrapassaram os 100 dólares por barril, impulsionados por interrupções em importantes rotas de navegação, em particular no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do abastecimento mundial de petróleo. Para economias frágeis, este não é um problema distante. É imediato. O Sudão, altamente dependente de combustível importado, foi duramente atingido. Os preços dos combustíveis no país dispararam. No mercado paralelo, o preço da gasolina saltou de cerca de 18.000 libras sudanesas (US$ 30) por galão para quase 30.000 em menos de uma semana. Este não é um aumento marginal; é um choque que se espalha por todos os setores da vida cotidiana. O combustível impulsiona o transporte. O transporte impulsiona o abastecimento de alimentos. O abastecimento de alimentos determina a sobrevivência. Quando os custos de transporte aumentam, os preços dos alimentos acompanham esse aumento. Cadeias de abastecimento inteiras ficam mais lentas ou entram em colapso. No Sudão, onde a linha entre a sobrevivência e a fome já é tênue, essas pressões são devastadoras. Em cidades como Omdurman e Wad Madani, alguns comerciantes suspenderam completamente as vendas, incapazes de precificar os produtos em um mercado onde os custos mudam diariamente. Um saco de açúcar de 50 kg teve um aumento de milhares de libras em poucos dias, enquanto os materiais de construção subiram mais de 50%. É assim que as crises econômicas se desenrolam em zonas de guerra: não como eventos isolados, mas como uma cascata de fracassos. A inflação no Sudão já era grave. Os números oficiais apontavam para mais de 56% no início de 2026, mesmo antes dos últimos choques. Agora, com o aumento dos preços dos combustíveis e a interrupção das importações, o custo de vida real está subindo muito mais rápido do que as estatísticas oficiais conseguem captar. E o combustível é apenas parte da história. As perturbações globais ligadas à guerra com o Irã também afetaram fertilizantes, transporte marítimo e cadeias de suprimentos. O acesso a medicamentos está cada vez mais difícil, já que as farmácias lutam para reabastecer seus estoques. Para os civis, isso significa que uma simples infecção ou uma doença crônica pode se tornar fatal. Empurrados para as margens Existe um paradoxo no cerne da situação atual do Sudão. O país tornou-se mais relevante geopoliticamente, porém menos visível do ponto de vista humano. A situação é ofuscada por conflitos maiores, particularmente a escalada envolvendo o Irã. Ao mesmo tempo, nas discussões sobre o próprio Sudão, os civis são relegados à margem, substituídos por narrativas sobre segurança, alianças e posicionamento estratégico. Isso não é apenas negligência. É uma forma de distorção. O Sudão está sendo visto, mas não em seus próprios termos. As consequências já são visíveis. As necessidades humanitárias continuam a superar o financiamento. O colapso econômico do país está se aprofundando. Grupos armados estão consolidando o poder na ausência de um processo político credível. No entanto, as respostas internacionais permanecem fragmentadas - reativas em vez de estratégicas, moldadas mais por preocupações externas do que por realidades internas. Quanto mais tempo isso continuar, mais difícil será reverter a situação. Conflitos como o do Sudão não permanecem contidos. Eles remodelam regiões, provocam deslocamentos através das fronteiras e consolidam sistemas de violência que perduram para além de qualquer guerra isolada. Ignorar isso não estabiliza a situação. Apenas adia o momento em que os custos se tornam inevitáveis. A tragédia do Sudão hoje não reside apenas na magnitude do seu sofrimento, mas também na forma como esse sofrimento é interpretado. A guerra já não é compreendida primordialmente como uma crise sudanesa. Ela é filtrada através de conflitos externos, em particular a guerra com o Irã. Nesse processo, a realidade no terreno é distorcida. E esse é o perigo: porque uma crise ignorada ainda pode ser redescoberta, mas uma crise mal compreendida é abordada de forma errada desde o início. O Sudão não precisa ser inserido na guerra de outros para ser relevante. Ele já é. A questão é se o mundo está disposto a enxergar isso - antes que as consequências se estendam muito além do próprio Sudão. Autor da matéria: Osama Abuzaid Fonte: Middle East Eye (middleeasteye.net)

  • Israel avança com plano para confiscar propriedades palestinas perto da Mesquita de Al-Aqsa

    O governo israelense aprovou a criação de um comitê interministerial para executar ordens de desapropriação de imóveis palestinos na Cidade Velha de Jerusalém Oriental ocupada. A medida concentra-se na área do Portão da Corrente, uma das entradas da Mesquita de Al-Aqsa, e atinge entre 15 e 20 casas e estabelecimentos palestinos, segundo a prefeitura de Jerusalém. Lideranças palestinas afirmam que a iniciativa integra uma política de colonização voltada à alteração da composição demográfica e religiosa da cidade sob ocupação desde 1967. Uma grande bandeira israelense na Praça do Muro das Lamentações, o local de oração mais sagrado do judaísmo, durante o Dia de Jerusalém, na Cidade Velha de Jerusalém, em 14 de maio de 2026 (Ronen Zvulun/Reuters). A decisão foi aprovada no domingo, segundo documentos divulgados por autoridades israelenses e reportagens da imprensa hebraica. O novo comitê terá a tarefa de examinar mecanismos jurídicos e administrativos para implementar ordens históricas de confisco emitidas após a ocupação israelense de Jerusalém Oriental durante a guerra de 1967, quando Israel tomou o controle da Cidade Velha e anexou o território, ato não reconhecido pelas Nações Unidas. O governo israelense declarou que a iniciativa busca consolidar a “soberania” israelense na Cidade Velha e criar um “espaço urbano contínuo” ligando o Bairro Judeu ao Muro das Lamentações. As autoridades também afirmam que o plano pretende garantir rotas de circulação entre o Portão de Jaffa, o Bairro Judeu e áreas de acesso ao complexo religioso de Al-Aqsa. A área de Bab al-Silsila, nome árabe do Portão da Corrente, está localizada em um dos setores mais disputados da Cidade Velha. O caminho leva aos portões ocidentais da Mesquita de Al-Aqsa e atravessa regiões compostas por escolas islâmicas, prédios das eras mameluca e otomana, mercados, restaurantes e imóveis ligados ao waqf islâmico, sistema religioso de administração de propriedades muçulmanas em Jerusalém. O imã da Mesquita de Al-Aqsa, xeique Ekrima Sabri, declarou ao Middle East Eye que os imóveis atingidos fazem parte do patrimônio histórico islâmico da cidade. “Cada medida realizada pela ocupação serve ao projeto de mudar a identidade de Jerusalém”, afirmou. Segundo ele, a iniciativa representa “mais uma tentativa de judaizar a cidade”. Documentos analisados pela imprensa israelense indicam que o comitê examinará entraves legais que impediram a execução integral das ordens de desapropriação ao longo de décadas. A prefeitura de Jerusalém informou que o plano poderá atingir imóveis residenciais e comerciais pertencentes a famílias palestinas que permanecem na área desde antes da ocupação israelense. O especialista em assuntos de Jerusalém Khalil Tawfikji afirmou ao Middle East Eye que muitos dos imóveis foram confiscados após 1967 sob o argumento de “benefício público”. Segundo ele, o mecanismo jurídico utilizado pelo Estado israelense foi aplicado para transferir propriedades palestinas para controle estatal. “Essas propriedades foram confiscadas em nome do bem público, mas o público a que se referiam era o público israelense”, declarou. “Não o público palestino, muçulmano ou cristão.” Tawfikji afirmou que parte dos prédios já possui presença de colonos israelenses nos andares superiores, enquanto comerciantes palestinos seguem operando nos pavimentos inferiores. Segundo ele, o objetivo da iniciativa é alterar a estrutura urbana da região próxima à Mesquita de Al-Aqsa e ao Muro das Lamentações. “Trata-se de remodelar a área”, disse. “Quem controla a Cidade Velha controla a narrativa apresentada ao mundo.” A região possui relevância religiosa para muçulmanos, cristãos e judeus. Bab al-Silsila conecta áreas próximas à Via Dolorosa, rota cristã associada à crucificação de Jesus, além do complexo da Mesquita de Al-Aqsa e do Muro das Lamentações. “A Cidade Velha é onde as três religiões se encontram”, afirmou Tawfikji. “Controlar esse espaço significa controlar a imagem de Jerusalém perante o mundo.” A aprovação do comitê ocorre durante o genocídio em Gaza e em meio ao aumento das operações israelenses em Jerusalém Oriental ocupada. Organizações palestinas apontam que a atenção internacional concentrada na ofensiva militar israelense em Gaza reduziu o escrutínio sobre políticas de expansão colonial e deslocamento populacional em Jerusalém. Sabri declarou que autoridades religiosas palestinas e representantes do waqf islâmico mantêm contatos diplomáticos e jurídicos para tentar bloquear a execução das ordens de confisco. Segundo ele, há diálogo com autoridades jordanianas responsáveis pela administração do waqf em Jerusalém. “Há esforços políticos e diplomáticos em curso”, afirmou ao Middle East Eye. O comitê interministerial israelense deverá apresentar nos próximos meses recomendações sobre a implementação das ordens históricas de desapropriação na Cidade Velha de Jerusalém.

  • Juiz francês investigará denúncias contra príncipe herdeiro saudita pelo assassinato de Khashoggi

    A Justiça francesa abriu uma investigação sobre o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi após denúncias apresentadas contra Mohammed bin Salman. O caso será conduzido por um juiz de instrução especializado em crimes contra a humanidade. As denúncias acusam o príncipe herdeiro saudita de ordenar o assassinato ocorrido em outubro de 2018 no consulado saudita em Istambul. Um manifestante usa uma máscara representando o príncipe herdeiro saudita Mohammad bin Salman ao lado de pessoas segurando cartazes do jornalista saudita Jamal Khashoggi durante uma manifestação em frente ao consulado saudita em Istambul, em 25 de outubro de 2018 (Yasin Akgul/AFP). A decisão foi confirmada após o Tribunal de Apelação de Paris considerar admissíveis as denúncias apresentadas pelas organizações Trial International, Democracy for the Arab World Now (Dawn) e Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O tribunal francês declarou que “a possibilidade de o caso ser classificado como crime contra a humanidade não podia ser descartada” antes do avanço das investigações. Khashoggi, jornalista ligado ao Middle East Eye e ao Washington Post, foi morto dentro do consulado saudita em Istambul em outubro de 2018. Segundo investigações turcas e relatórios internacionais, agentes sauditas executaram o jornalista por asfixia. O corpo foi esquartejado e nunca foi localizado. A denúncia apresentada pelas organizações afirma que Mohammed bin Salman ordenou o assassinato e participou de um esquema de desaparecimento forçado e tortura. As entidades sustentam que a operação foi organizada por integrantes do aparato estatal saudita contra opositores políticos do reino. O processo na França teve início em julho de 2022, durante visita oficial de Mohammed bin Salman ao território francês. As organizações utilizaram o princípio da jurisdição universal previsto na legislação francesa para solicitar abertura de investigação criminal contra o dirigente saudita. A investigação ficará sob responsabilidade de um magistrado especializado em crimes contra a humanidade. O juiz deverá analisar se o assassinato de Khashoggi ocorreu dentro de um “plano concertado” promovido pelo Estado saudita contra opositores políticos e se a operação pode ser enquadrada como “ataque generalizado ou sistemático” contra civis. O Ministério Público francês havia tentado bloquear o avanço do caso durante anos. Os procuradores alegavam que as denúncias apresentadas pelas ONGs eram inadmissíveis perante a Justiça francesa. A decisão do Tribunal de Apelação alterou esse entendimento ao reconhecer possibilidade de enquadramento criminal internacional. A organização Dawn, fundada por Khashoggi antes do assassinato, classificou a abertura da investigação como “um passo importante rumo à justiça”. A entidade acabou excluída da participação formal como parte civil no processo, mas continuou apoiando a iniciativa judicial. O advogado da Repórteres Sem Fronteiras, Emmanuel Daoud, declarou que “o crime cometido contra Jamal Khashoggi é um crime abominável, decidido e planejado nos mais altos escalões do Estado saudita, que executou um jornalista que era uma voz dissidente e independente”. Henri Thulliez, advogado da Trial International, afirmou que “a França é obrigada a abrir uma investigação contra qualquer pessoa em território nacional suspeita de tortura ou desaparecimento forçado”. O advogado acrescentou que “não deve haver mais nenhum obstáculo para a abertura de um inquérito judicial sobre o crime atroz contra Jamal Khashoggi”. Em 2021, o governo estadunidense divulgou relatório de inteligência afirmando que Mohammed bin Salman aprovou a operação que resultou no assassinato do jornalista. O documento foi publicado durante o governo de Joe Biden e reforçou acusações levantadas por autoridades turcas após o crime. Mohammed bin Salman negou ordenar o assassinato, mas reconheceu que o crime ocorreu “sob sua supervisão”. Em 2025, durante encontro com o presidente estadunidense Donald Trump na Casa Branca, o dirigente saudita classificou o assassinato como “um grande erro”. Após o assassinato, a Arábia Saudita realizou julgamento fechado contra envolvidos na operação. Cinco pessoas foram condenadas à morte pelo tribunal saudita, enquanto Mohammed bin Salman foi inocentado. Organizações de direitos humanos classificaram o julgamento promovido pelo reino saudita como “uma zombaria” e “antítese da justiça”.

  • Israel amplia regime de pena de morte na Cisjordânia ocupada

    Israel colocou em vigor uma lei que autoriza tribunais militares a condenarem palestinos à pena de morte na Cisjordânia ocupada. A medida foi implementada no domingo após assinatura da ordem militar pelo comando israelense responsável pelo território ocupado. Organizações palestinas e grupos de direitos humanos classificaram a legislação como consolidação de um sistema jurídico segregado aplicado sob ocupação militar. ARQUIVO A nova legislação estabelece que tribunais militares israelenses podem impor pena capital a palestinos acusados de matar israelenses. A lei determina que a prisão perpétua só poderá ser aplicada em “circunstâncias excepcionais”, transformando a execução na sentença prevista para a maioria dos casos julgados sob a nova norma. A medida foi aprovada pelo Knesset em março de 2026 e entrou em vigor após a assinatura da ordem operacional pelo comando militar israelense na Cisjordânia ocupada. A legislação vale apenas para palestinos submetidos à jurisdição militar israelense. Colonos israelenses instalados nos mesmos territórios ocupados seguem submetidos ao sistema civil israelense e não podem ser julgados pelos tribunais militares previstos na lei. O texto legal estabelece que um dos critérios para aplicação da pena de morte é a acusação de tentativa de “negar a existência do Estado de Israel ou a autoridade do comandante militar na área”. Na prática, a formulação atinge palestinos acusados de resistência à ocupação israelense da Cisjordânia. O ministro da Segurança israelense, Israel Katz, e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, defenderam publicamente a medida. Ben Gvir afirmou que a aprovação representava uma vitória política do partido Poder Judaico. “Prometemos e cumprimos”, declarou. O ministro também afirmou que “não capitulamos nem toleramos o terrorismo assassino, nós o derrotamos”. A legislação amplia o funcionamento de um sistema de tribunais militares aplicado exclusivamente contra palestinos nos territórios ocupados desde 1967. Organizações palestinas denunciaram que a norma institucionaliza diferenças legais entre palestinos e israelenses que vivem sob a mesma ocupação militar. Os tribunais militares israelenses apresentam índices de condenação próximos da totalidade dos casos julgados, segundo dados históricos divulgados por entidades jurídicas israelenses e palestinas. Grupos palestinos de defesa de prisioneiros afirmaram que a medida transforma a execução estatal em política oficial contra detidos palestinos. As organizações classificaram a lei como “ato de selvageria sem precedentes” e denunciaram aumento das prisões, relatos de tortura e mortes sob custódia israelense desde o início do genocídio contra a população palestina em Gaza após 7 de outubro de 2023. A organização Adalah, o Comitê Público Contra a Tortura em Israel, o grupo HaMoked e a entidade Médicos pelos Direitos Humanos - Israel divulgaram críticas à legislação. As organizações afirmaram que a medida cria uma “estrutura punitiva discriminatória” e retira dos palestinos garantias jurídicas reconhecidas no direito internacional. As críticas também apontam que a lei aprofunda um modelo jurídico dual instalado nos territórios ocupados, onde colonos israelenses recebem proteção do direito civil israelense enquanto palestinos permanecem submetidos à legislação militar imposta pela ocupação. O sistema é apontado por organizações palestinas e entidades internacionais como mecanismo de segregação institucionalizado. A implementação da lei ocorre em meio à expansão das operações militares israelenses na Cisjordânia ocupada e ao aumento das detenções de palestinos desde o início do genocídio em Gaza. Organizações de direitos humanos registraram crescimento de denúncias envolvendo tortura, detenções sem acusação formal e mortes em prisões israelenses durante o período.

  • A Polícia Federal investiga o financiamento de Eduardo Bolsonaro nos EUA

    A Polícia Federal investiga uma estrutura financeira montada no Texas para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão patrimonial ligadas ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O foco da investigação é a compra de uma residência em Arlington, avaliada em 3,6 milhões de reais, realizada por meio de um fundo privado administrado por aliados do filho de Jair Bolsonaro. Segundo documentos analisados pela PF e informações publicadas pelo Brasil de Fato e reproduzidas pela teleSUR em 17 de maio de 2026, os recursos podem ter sido desviados de uma produção cinematográfica usada como fachada para sustentar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e contornar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Eduardo Bolsonaro - Arquivo A investigação concentra-se na aquisição do imóvel feita em fevereiro de 2025 pela Mercury Legacy Trust, entidade privada controlada por Paulo Calixto, advogado de imigração e parceiro de negócios de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde o ex-deputado reside desde que passou a ser alvo de investigações no Brasil. A PF busca determinar se o imóvel foi comprado com recursos desviados de operações financeiras vinculadas ao Fundo de Desenvolvimento Havengate. Segundo os investigadores, o Havengate recebeu parte dos 61 milhões de reais transferidos entre fevereiro e maio de 2025 pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As transferências ocorreram por meio da empresa Entre Investimentos e Participações. O senador Flávio Bolsonaro admitiu ter atuado na intermediação junto a Vorcaro para viabilizar os repasses financeiros. De acordo com os depoimentos reunidos pela PF, a justificativa apresentada para a movimentação milionária foi o financiamento de uma produção cinematográfica concebida por Mario Frias, ex-secretário especial da Cultura do governo Jair Bolsonaro. A polícia apura se o projeto audiovisual serviu para mascarar o desvio de recursos destinados à manutenção patrimonial e logística de Eduardo Bolsonaro em território estadunidense. A investigação aponta que parte do dinheiro teria sido usada para evitar o alcance de medidas judiciais impostas pelo STF. A suspeita dos investigadores é de que a estrutura financeira foi organizada para manter ativos fora do alcance das autoridades brasileiras enquanto Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos. Os documentos de compra do imóvel em Arlington também registram o nome de André Porciúncula, ex-oficial da Polícia Militar e ex-assessor de Mario Frias no antigo Ministério da Cultura. Segundo aliados políticos do grupo bolsonarista ouvidos pelos investigadores, Porciúncula coordena atividades operacionais e logísticas relacionadas à permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Em depoimento, Flávio Bolsonaro confirmou que solicitou os recursos ao proprietário do Banco Master, mas negou que o dinheiro tenha sido usado para sustentar seu irmão fora do Brasil. O senador afirmou que os repasses estavam vinculados ao projeto cinematográfico ligado a Mario Frias. Eduardo Bolsonaro classificou a investigação como uma “farsa” e declarou que as regras de seu visto e de sua situação migratória impediriam o recebimento de recursos de investimento. O ex-deputado também afirmou que a produção audiovisual foi registrada como projeto estadunidense para evitar, segundo suas palavras, “perseguição política no Brasil”. Paulo Calixto foi citado pela defesa de Eduardo Bolsonaro como responsável pela administração jurídica e empresarial das operações realizadas nos Estados Unidos. A PF analisa contratos, registros de transferência bancária e documentos imobiliários relacionados ao Mercury Legacy Trust e ao Fundo de Desenvolvimento Havengate. André Porciúncula negou ligação entre a casa em Arlington, Eduardo Bolsonaro e o Banco Master. Em declaração reproduzida pelo Brasil de Fato, afirmou que informações sobre o verdadeiro beneficiário do imóvel “não são de interesse público”. A investigação ocorre em meio ao aprofundamento das disputas entre setores do bolsonarismo e o STF, após anos de operações financeiras, articulações internacionais e campanhas políticas construídas em torno da aproximação com redes da extrema direita estadunidense. O caso amplia a pressão sobre o núcleo político ligado a Jair Bolsonaro e adiciona novos elementos às apurações sobre circulação internacional de recursos, uso de estruturas privadas no exterior e tentativa de blindagem patrimonial fora da jurisdição brasileira.

  • Ataque israelense a Baalbek mata oficial da Jihad Islâmica e sua filha adolescente

    Um ataque aéreo israelense matou o dirigente da Jihad Islâmica Wael Abdel Halim e sua filha Rama Abdel Halim, de 17 anos, na cidade de Baalbek, no leste do Líbano. O bombardeio ocorreu durante a madrugada enquanto Israel mantinha ataques aéreos e de artilharia em diferentes regiões libanesas apesar do cessar-fogo prorrogado em 15 de maio por mais 45 dias. Dados do Ministério da Saúde do Líbano apontam que os ataques israelenses mataram 2.988 pessoas e feriram 9.210 desde 2 de março. Wael Abdel Halim e sua filha, Rama Abdel Halim, foram mortos em um ataque aéreo israelense no sul do Líbano. (Foto: redes sociais, via QNN) Segundo veículos de imprensa libaneses, aeronaves israelenses lançaram um míssil guiado contra um apartamento residencial localizado no bairro de Al-Basatin, próximo à entrada sul de Baalbek, pouco depois da meia-noite de segunda-feira. O imóvel atingido era ocupado por uma família palestina. Wael Abdel Halim foi identificado como integrante da Jihad Islâmica Palestina. Sua filha Rama Abdel Halim, de 17 anos, também morreu no bombardeio. Equipes de resgate e ambulâncias permaneceram no local após o ataque realizando buscas entre os escombros em busca de sobreviventes. Até o momento do ataque, a Jihad Islâmica não havia divulgado comunicado oficial sobre o assassinato de Abdel Halim. O bombardeio em Baalbek ocorreu paralelamente à continuidade dos ataques israelenses no sul do Líbano. Segundo relatos vindos da região, aviões israelenses realizaram ataques aéreos contra a cidade de Shaqra e áreas próximas de Rashaya al-Fakhar. Bombardeios de artilharia israelenses também atingiram as cidades de Jebchit e Kfar Rumman. Os ataques ocorreram mesmo após o anúncio do cessar-fogo firmado em abril e prorrogado em 15 de maio. As operações militares israelenses no território libanês provocaram acusações contínuas de violação do acordo de cessar-fogo. Autoridades libanesas afirmam que os ataques prosseguiram sem interrupção após a extensão do acordo. O Ministério da Saúde do Líbano informou que ataques israelenses realizados no domingo mataram ao menos nove pessoas e deixaram mais de 18 feridos em diferentes regiões do país. Os dados oficiais divulgados pelas autoridades libanesas apontam que, entre 2 de março e 17 de maio, os ataques israelenses deixaram 2.988 mortos e 9.210 feridos no Líbano. Os bombardeios também provocaram deslocamento interno em larga escala. Números divulgados anteriormente pelas autoridades libanesas indicam que mais de um milhão de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas durante os ataques israelenses contra o território libanês. A continuidade dos ataques ocorre em meio à ampliação das operações militares israelenses na região desde o início do genocídio conduzido por Israel contra a população palestina em Gaza após outubro de 2023. O avanço das ofensivas israelenses no Líbano também elevou a tensão regional envolvendo grupos armados libaneses e organizações palestinas presentes no país. O ataque em Baalbek atingiu uma área residencial distante da fronteira sul libanesa, ampliando o alcance geográfico das operações militares israelenses dentro do território do Líbano.

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