A UE concorda com sanções contra colonos israelenses após o novo governo da Hungria retirar o veto
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A União Europeia aprovou sanções contra colonos israelenses envolvidos em ataques contra palestinos na Cisjordânia ocupada. A decisão ocorreu após o novo governo da Hungria retirar o veto mantido por Viktor Orbán em defesa do governo israelense. O pacote foi aprovado em reunião de ministros das Relações Exteriores da UE em 12 de maio de 2026.

As sanções atingem três colonos israelenses e quatro organizações ligadas à colonização da Cisjordânia ocupada. As identidades dos alvos não foram divulgadas pela União Europeia. O bloqueio político que impedia a adoção das medidas durava meses e era sustentado pelo ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, aliado do governo de Benjamin Netanyahu.
Orbán deixou o cargo em abril de 2026. Seu sucessor, Peter Magyar, autorizou a retirada do veto que travava a ampliação das sanções europeias em meio ao aumento da violência de colonos israelenses desde outubro de 2023, período marcado pelo genocídio contra a população palestina em Gaza e pela expansão da ofensiva colonial israelense na Cisjordânia ocupada.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que as sanções têm como alvo “colonos e entidades extremistas israelenses”, além de “figuras importantes do Hamas”. Ela declarou que “já era hora de sairmos do impasse e partirmos para a ação” e acrescentou que “o extremismo e a violência têm consequências”.
Kallas também afirmou que propostas mais amplas, incluindo embargo comercial aos assentamentos israelenses ilegais defendido por França e Suécia, não obtiveram apoio suficiente entre os países do bloco europeu.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, declarou nas redes sociais que a União Europeia estava “sancionando as principais organizações israelenses culpadas de apoiar a colonização extremista e violenta da Cisjordânia”. Barrot acrescentou: “Esses atos gravíssimos e intoleráveis devem cessar sem demora”.
O governo israelense reagiu contra as medidas. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, classificou as sanções como “inaceitáveis” e “sem qualquer fundamento”.
O ministro israelense Itamar Ben Gvir, integrante do governo de extrema-direita de Benjamin Netanyahu, acusou a União Europeia de “antissemitismo” e afirmou nas redes sociais: “Esperar que a União Europeia, tão antissemita, tome uma decisão moral é como esperar que o sol nasça no oeste”.
Ben Gvir também declarou: “Enquanto nossos inimigos perpetram ataques e assassinam judeus, a União Europeia tenta amarrar as mãos daqueles que se defendem”. Em seguida, afirmou que “o empreendimento de assentamentos não será detido” e que Israel continuará “a construir, plantar, defender e estabelecer assentamentos em toda a terra de Israel”.
A expansão colonial israelense na Cisjordânia ocupada avançou após outubro de 2023 sob apoio do governo Netanyahu. O gabinete israelense acelerou aprovações de assentamentos e medidas de anexação territorial em meio ao genocídio em Gaza e às operações militares regionais conduzidas por Israel com apoio político, militar e diplomático estadunidense.
Em abril de 2026, meios de comunicação israelenses informaram que o gabinete de Netanyahu aprovou de forma reservada 34 novos assentamentos em decisão única. O número ultrapassa metade do total autorizado em 2025, até então o ano com maior expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada.
Os assentamentos israelenses em territórios palestinos ocupados são considerados ilegais pelo direito internacional e por resoluções das Nações Unidas.



































