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A UE concorda com sanções contra colonos israelenses após o novo governo da Hungria retirar o veto

A União Europeia aprovou sanções contra colonos israelenses envolvidos em ataques contra palestinos na Cisjordânia ocupada. A decisão ocorreu após o novo governo da Hungria retirar o veto mantido por Viktor Orbán em defesa do governo israelense. O pacote foi aprovado em reunião de ministros das Relações Exteriores da UE em 12 de maio de 2026.


Colonos israelenses posam ao lado de soldados israelenses durante uma visita semanal de colonos em Hebron, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 9 de maio de 2026
Colonos israelenses posam ao lado de soldados israelenses durante uma visita semanal de colonos em Hebron, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 9 de maio de 2026

As sanções atingem três colonos israelenses e quatro organizações ligadas à colonização da Cisjordânia ocupada. As identidades dos alvos não foram divulgadas pela União Europeia. O bloqueio político que impedia a adoção das medidas durava meses e era sustentado pelo ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, aliado do governo de Benjamin Netanyahu.


Orbán deixou o cargo em abril de 2026. Seu sucessor, Peter Magyar, autorizou a retirada do veto que travava a ampliação das sanções europeias em meio ao aumento da violência de colonos israelenses desde outubro de 2023, período marcado pelo genocídio contra a população palestina em Gaza e pela expansão da ofensiva colonial israelense na Cisjordânia ocupada.


A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que as sanções têm como alvo “colonos e entidades extremistas israelenses”, além de “figuras importantes do Hamas”. Ela declarou que “já era hora de sairmos do impasse e partirmos para a ação” e acrescentou que “o extremismo e a violência têm consequências”.

Kallas também afirmou que propostas mais amplas, incluindo embargo comercial aos assentamentos israelenses ilegais defendido por França e Suécia, não obtiveram apoio suficiente entre os países do bloco europeu.


O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, declarou nas redes sociais que a União Europeia estava “sancionando as principais organizações israelenses culpadas de apoiar a colonização extremista e violenta da Cisjordânia”. Barrot acrescentou: “Esses atos gravíssimos e intoleráveis devem cessar sem demora”.


O governo israelense reagiu contra as medidas. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, classificou as sanções como “inaceitáveis” e “sem qualquer fundamento”.


O ministro israelense Itamar Ben Gvir, integrante do governo de extrema-direita de Benjamin Netanyahu, acusou a União Europeia de “antissemitismo” e afirmou nas redes sociais: “Esperar que a União Europeia, tão antissemita, tome uma decisão moral é como esperar que o sol nasça no oeste”.


Ben Gvir também declarou: “Enquanto nossos inimigos perpetram ataques e assassinam judeus, a União Europeia tenta amarrar as mãos daqueles que se defendem”. Em seguida, afirmou que “o empreendimento de assentamentos não será detido” e que Israel continuará “a construir, plantar, defender e estabelecer assentamentos em toda a terra de Israel”.


A expansão colonial israelense na Cisjordânia ocupada avançou após outubro de 2023 sob apoio do governo Netanyahu. O gabinete israelense acelerou aprovações de assentamentos e medidas de anexação territorial em meio ao genocídio em Gaza e às operações militares regionais conduzidas por Israel com apoio político, militar e diplomático estadunidense.


Em abril de 2026, meios de comunicação israelenses informaram que o gabinete de Netanyahu aprovou de forma reservada 34 novos assentamentos em decisão única. O número ultrapassa metade do total autorizado em 2025, até então o ano com maior expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada.


Os assentamentos israelenses em territórios palestinos ocupados são considerados ilegais pelo direito internacional e por resoluções das Nações Unidas.

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