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Marcha das Bandeiras: Jerusalém Oriental vira palco de marcha ultranacionalista israelense

Israel realizará entre 14 e 15 de maio o chamado "Dia de Jerusalém", data criada para celebrar a ocupação de Jerusalém Oriental após a guerra de 1967. O evento ocorre um dia antes da Nakba, lembrada pelos palestinos como a expulsão de cerca de 750 mil pessoas durante a criação de Israel. A Marcha das Bandeiras, principal ato da programação, reúne colonos e grupos ultranacionalistas israelenses em trajetos marcados por ataques contra palestinos na Cidade Velha.


Marcha das Bandeiras
Marcha das Bandeiras

Segundo o parlamento israelense, a data marca a ocupação de Jerusalém Oriental pelas forças israelenses na guerra de 1967, quando Israel anexou bairros palestinos da cidade após a ofensiva militar contra países árabes.


Após a anexação, Israel concedeu residência aos palestinos de Jerusalém Oriental, permitindo participação apenas nas eleições municipais. A população palestina da cidade, estimada em cerca de 350 mil pessoas, segue sem direito de votar para o Knesset, o parlamento israelense.


A Prefeitura de Jerusalém convocou participantes para “marcharem com coragem e bravura, com bandeiras israelenses hasteadas”, em defesa daquilo que chamou de “eternidade de Jerusalém”. O ponto central do evento será a Marcha das Bandeiras, mobilização que leva dezenas de milhares de colonos e israelenses ultranacionalistas pelas ruas da Cidade Velha. Segundo o site do Knesset, a marcha sai do centro da cidade, atravessa bairros palestinos e termina no Muro das Lamentações com uma oração coletiva.


Nos últimos anos, o evento tornou-se espaço para manifestações de supremacismo judaico e discursos contra palestinos. Durante as marchas, grupos israelenses entoaram palavras de ordem racistas, atacaram moradores palestinos, jornalistas e comerciantes, além de depredarem propriedades no bairro muçulmano da Cidade Velha.


Em 2024, o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, utilizou a marcha para defender a expansão da ocupação israelense em Gaza. “Temos medo da vitória? Temos medo da palavra ‘ocupação’?”, afirmou diante de apoiadores próximos ao Muro das Lamentações, meses antes da entrada em vigor do cessar-fogo em Gaza, em outubro de 2025. “Estamos conquistando a Terra de Israel. Estamos libertando Gaza. Estamos repovoando Gaza. Estamos derrotando o inimigo”, declarou o ministro.


As marchas também passaram a ser acompanhadas por incursões de colonos israelenses na Mesquita de Al-Aqsa, conduzidas sob proteção policial e incentivadas por integrantes do governo israelense. Desde 2022, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, lidera visitas ao complexo religioso localizado em Jerusalém Oriental ocupada.


ministro da Segurança Nacional israelense, Itamar Ben-Gvir
ministro da Segurança Nacional israelense, Itamar Ben-Gvir

Durante a marcha de 2024, Ben Gvir declarou: “Jerusalém é nossa. O Portão de Damasco é nosso. O Monte do Templo é nosso”. O ministro acrescentou: “Os judeus entravam livremente na Cidade Velha e oravam livremente no Monte do Templo. Estamos dizendo da maneira mais clara e simples: ele é nosso”.


No ano passado, mais de 3 mil policiais israelenses foram mobilizados para garantir a realização da marcha pelas ruas da Cidade Velha. O grupo israelense de direitos humanos B’Tselem afirmou que os participantes “provocam e até atacam moradores palestinos” enquanto atravessam o bairro muçulmano.


O veículo israelense Local Call descreveu o ato como “uma demonstração de racismo e violência sob proteção policial”. Em reportagem publicada em 2024, o meio de comunicação afirmou que os cânticos racistas deixaram de ser restritos a grupos marginais e passaram a aparecer “em quase todos os grupos” durante a mobilização, em meio ao genocídio israelense em Gaza.


A B’Tselem classificou a Marcha das Bandeiras como “um exemplo de supremacia judaica”. Segundo a organização, moradores palestinos são obrigados a fechar lojas e permanecer dentro de casa por receio de ataques.

A entidade também documentou agressões contra jornalistas palestinos durante edições anteriores do evento. Um repórter afirmou à organização que grupos israelenses atiraram pedras, garrafas plásticas e mastros de bandeira contra jornalistas em 2023. Outro relatou ter sido atingido na cabeça por um objeto durante a marcha. “Eu tinha medo de que, se me afastasse, os manifestantes me atacassem novamente”, declarou.


Uri Erlich, porta-voz da ONG israelense Emek Shaveh, afirmou que houve mudança no comportamento da sociedade israelense nos últimos anos. “Não foi a marcha que se tornou mais extrema, mas sim a sociedade”, disse.


A edição de 2026 da Marcha das Bandeiras ocorre em meio a informações publicadas pelo jornal israelense Haaretz sobre planos do governo israelense para alterar os limites de Jerusalém pela primeira vez desde 1967. Segundo o jornal, o objetivo é expandir os limites municipais para áreas palestinas da Cisjordânia ocupada.


O Haaretz também informou que o governo israelense destinará mais de 1 milhão de shekels, cerca de 344 mil dólares, para financiar marchas com bandeiras israelenses em outras cidades do país. O programa busca reforçar “um sentimento de conexão e identificação com Jerusalém”.


Estão previstas marchas em Lod, Ramla e Haifa, cidades com população palestina. Também foram anunciados atos em Yavne, Ashdod, Beersheba, Herzliya, Petah Tikva e Raanana.


Nos últimos anos, marchas semelhantes ocorreram em cidades como Lod e Jaffa, provocando confrontos e tensão entre colonos israelenses e comunidades palestinas.

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