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Al-Jazeera exige punição para autoridades israelenses após o mais recente assassinato de um cinegrafista

A rede Al Jazeera denunciou o assassinato de seu cinegrafista Ahmad Washah por um ataque de drone israelense no campo de refugiados de Al-Bureij, no centro da Faixa de Gaza. Em comunicado divulgado em 20 de junho, a emissora sediada no Catar afirmou que o caso integra uma sequência de ataques contra profissionais da imprensa durante o genocídio contra os palestinos iniciado por Israel em outubro de 2023. A empresa também exigiu que organismos internacionais e instituições jurídicas responsabilizem autoridades israelenses pelos crimes cometidos contra jornalistas.


(Crédito da foto: BBC)
(Crédito da foto: BBC)
Ahmad Washah, integrante da Al Jazeera Mubasher, foi morto em 21 de junho de 2026 quando um drone israelense atingiu uma residência em Al-Bureij. Com sua morte, chega a 12 o número de funcionários da Al Jazeera mortos em Gaza desde o início do genocídio. A emissora classificou o ataque como um “assassinato deliberado” e declarou que recorrerá a todos os mecanismos legais disponíveis para processar os responsáveis. “A comunidade internacional e as instituições jurídicas devem tomar medidas urgentes e práticas para responsabilizar os funcionários israelenses envolvidos nesses crimes terríveis”, afirmou a rede em comunicado.

A morte de Ahmad Washah ocorreu dois meses após o assassinato de seu irmão, Mohammad Washah, também jornalista da Al Jazeera Mubasher. Mohammad foi morto por um ataque israelense em abril de 2026 enquanto atuava como correspondente da emissora. Antes do ataque, os dois trabalhavam em conjunto na cobertura dos acontecimentos em Gaza, com Ahmad operando a câmera e Mohammad realizando as reportagens.


“Juntos, eles formaram uma dupla de mídia que documentou o sofrimento do povo palestino e o desenrolar dos acontecimentos da guerra”, declarou a Al Jazeera. Após a morte de Mohammad, Ahmad passou a cuidar dos filhos do irmão.


No comunicado divulgado após o ataque, a emissora denunciou “a continuação dos crimes cometidos pelas forças de ocupação israelenses contra seus correspondentes e funcionários em Gaza”. A rede reafirmou que continuará cobrindo os crimes cometidos contra os palestinos na Faixa de Gaza, apesar das ações israelenses contra jornalistas presentes no enclave.


Dados do Escritório de Mídia do Governo de Gaza indicam que pelo menos 262 jornalistas e trabalhadores da comunicação foram mortos por Israel desde outubro de 2023. Além das mortes, outros 50 jornalistas foram detidos pelas autoridades israelenses desde o início do genocídio. Segundo informações divulgadas por instituições palestinas, esses profissionais permanecem em centros de detenção e prisões onde foram registradas denúncias de tortura e violência sexual. Outros três jornalistas palestinos continuam desaparecidos.


Em agosto de 2025, a Al Jazeera perdeu outro de seus profissionais de destaque quando o jornalista Anas al-Sharif e quatro colegas foram mortos em um bombardeio israelense em Gaza. Al-Sharif havia se tornado uma das principais vozes da cobertura do norte da Faixa de Gaza. Em dezembro de 2023, seu pai, de 90 anos, foi morto após um ataque aéreo israelense atingir a residência da família em Jabalia. O jornalista declarou que a morte ocorreu depois de autoridades israelenses o ameaçarem por telefone para que interrompesse sua cobertura jornalística.


Desde outubro de 2023, diversos profissionais da imprensa palestina foram mortos durante o genocídio. Entre eles estão o correspondente Ismail al-Ghoul, o cinegrafista Samer Abu Daqqa e o correspondente Hossam Shabat, todos integrantes da Al Jazeera mortos enquanto realizavam cobertura em campo.


O histórico de ataques contra jornalistas palestinos inclui ainda o assassinato da repórter Shireen Abu Akleh, cidadã palestino-estadunidense e correspondente da Al Jazeera. Em maio de 2022, ela foi baleada durante uma operação militar israelense na cidade de Jenin, na Cisjordânia.


Israel alegou inicialmente que a jornalista havia sido atingida por disparos não intencionais de suas forças militares. Investigações independentes conduzidas por diferentes organizações concluíram, porém, que Shireen Abu Akleh foi morta por disparos efetuados por um atirador de elite israelense.


Segundo dados divulgados pelo Escritório de Mídia do Governo de Gaza, mais de 420 jornalistas ficaram feridos durante a cobertura do genocídio. Parte desses profissionais sofreu amputações e lesões permanentes em decorrência dos ataques.


As estimativas mais conservadoras apontam que o genocídio já resultou na morte de 73 mil palestinos. Outras estimativas independentes indicam números superiores, alcançando centenas de milhares de mortos, incluindo vítimas decorrentes da destruição da infraestrutura civil, da fome, da falta de atendimento médico e dos ataques militares israelenses.


A ofensiva israelense ocorre em meio a declarações de dirigentes políticos e religiosos israelenses que defendem a anexação da Faixa de Gaza e a construção de assentamentos judaicos no território palestino após a destruição de cidades e comunidades existentes no enclave.

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