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Violência sexual a crianças em conflitos atinge pior patamar em 30 anos

  • há 8 horas
  • 2 min de leitura

A Organização das Nações Unidas registrou 38.558 violações de gênero em um ano em 22 situações de conflito. Entre os casos verificados, 24.174 envolvem crianças expostas a violência sexual em contextos de guerra. O Dia Internacional para a Eliminação da Violência Sexual em Conflitos, em 19 de junho, foi marcado por novos dados apresentados pela ONU.


Foto: Elise Blanchard/Getty Images
Foto: Elise Blanchard/Getty Images

A representante especial para Crianças e Conflitos Armados, Vanessa Frazier, informou que os números representam registros verificados pela ONU em diferentes países sob conflito armado. A lista de monitoramento da organização inclui 77 atores armados estatais e não estatais associados a padrões de violência sexual em cenários de guerra. Segundo os dados apresentados, mais de 65% desses atores repetem práticas já registradas em relatórios anteriores.


As Nações Unidas indicam que a violência sexual passou a integrar dinâmicas de guerra em diferentes regiões, com uso contra crianças, com impacto direto em meninas e meninos expostos a ataques, recrutamento forçado e coerção em contextos de conflito armado. Vanessa Frazier afirmou que estupro coletivo e abuso sexual aparecem associados a práticas de controle territorial, intimidação de populações e deslocamento forçado de comunidades.


O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que a intensificação de conflitos amplia casos de violência sexual, escravidão sexual, casamento forçado e tráfico de crianças em zonas de guerra. Ele afirmou que menores são atingidos em residências ou durante tentativas de fuga de áreas de combate. Também relatou situações em que crianças são levadas para grupos armados e submetidas a coerção para participação em atos de violência.


O Escritório da Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência Sexual em Conflitos, liderado por Pramila Patten, apontou fatores associados ao avanço desses crimes, incluindo estruturas de poder em contextos de guerra, gastos militares e narrativas políticas em países envolvidos em conflitos armados. O relatório relaciona esses elementos à expansão de casos registrados em áreas de combate.


A ONU apresentou proposta de resposta em três eixos: proteção de populações civis em áreas de conflito, responsabilização de autores de crimes e fortalecimento institucional para resposta a vítimas. O secretário-geral afirmou que crianças não devem ser alvo em contextos de guerra e que a proteção de menores integra obrigações legais de Estados e combatentes.


A lista de monitoramento da ONU reúne 77 atores armados associados a padrões de violência sexual em conflitos, com registros de reincidência em mais de 65% dos casos documentados.

 
 

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