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Riscos do ebola em maternidades, fronteiras e zonas de conflito

O surto de ebola na República Democrática do Congo atingiu 896 casos confirmados e 232 mortes até 19 de junho, segundo dados apresentados por agências das Nações Unidas. A doença já se espalhou por 33 zonas de saúde distribuídas em três províncias do país africano, enquanto operações humanitárias enfrentam limitações provocadas por confrontos armados e deslocamentos populacionais. Organizações internacionais ampliam ações em maternidades, postos de fronteira e áreas de deslocamento forçado para tentar conter a disseminação da epidemia.


Uma epidemia de ebola está ativa na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto como uma emergência de saúde pública
Uma epidemia de ebola está ativa na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto como uma emergência de saúde pública

Durante sessão informativa realizada pelas Nações Unidas em 19 de junho, representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), da Organização Internacional para as Migrações (OIM) e da Agência da ONU para Refugiados (Acnur) apresentaram um panorama da evolução do surto no leste da República Democrática do Congo.


Falando a partir de Bunia, uma das cidades afetadas pela epidemia, a diretora de emergências da OMS para a África, Marie-Roseline Belizaire, afirmou que a situação permanece em desenvolvimento. Segundo ela, equipes da organização realizaram visitas a comunidades afetadas, centros de tratamento e estruturas operacionais mobilizadas para responder ao avanço da doença.


A OMS informou que mais de 115 especialistas foram enviados para as províncias e zonas de saúde atingidas. A organização também declarou ter entregue mais de 110 toneladas de suprimentos destinados às operações de resposta ao surto.


Belizaire afirmou que a prioridade da agência é garantir atendimento às comunidades afetadas e acelerar o acesso da população aos serviços de saúde. A representante destacou que restrições de acesso em áreas onde ocorrem confrontos armados continuam limitando a atuação das equipes médicas.


A expansão da epidemia tem produzido impactos sobre os serviços de saúde materna. Em declaração feita a partir de Kinshasa, a representante adjunta do UNFPA na República Democrática do Congo, Noemi Dalmonte, relatou que mulheres ocupam posição central nos cuidados prestados a familiares infectados e também compõem parcela significativa da força de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo Dalmonte, parteiras, enfermeiras e outras profissionais atuam em maternidades e unidades médicas onde existe exposição ao vírus. Dados apresentados pelo UNFPA indicam que a taxa de mortalidade entre gestantes infectadas chegou a 90%. Em algumas localidades, a mortalidade perinatal atingiu 100%, afetando recém-nascidos durante o período imediatamente anterior ou posterior ao parto.


A agência informou que mantém programas voltados para prevenção e controle de infecções em maternidades. As ações incluem treinamento de profissionais de saúde, fortalecimento de procedimentos de higiene, gestão de resíduos hospitalares e fornecimento de equipamentos de proteção individual destinados à realização de partos.


O avanço da doença também preocupa organizações que monitoram os fluxos migratórios na região dos Grandes Lagos africanos. A representante da Organização Internacional para as Migrações, Zoe Brennan, declarou que o surto se propaga ao longo de um dos corredores de mobilidade transfronteiriça mais movimentados do continente africano.


Segundo Brennan, milhares de pessoas atravessam diariamente fronteiras em busca de segurança, emprego, atendimento médico e reencontro familiar. A representante afirmou que o monitoramento dos padrões de deslocamento humano constitui instrumento para identificar rotas de propagação do vírus e direcionar medidas de contenção.


A OIM informou ter realizado mais de um milhão de triagens sanitárias em fronteiras internacionais e corredores de deslocamento localizados em países afetados ou expostos ao risco de transmissão. As operações abrangem mais de 110 pontos de entrada monitorados pela organização.


Em 19 de junho, a agência anunciou a ampliação das operações na República Democrática do Congo e em Uganda. O objetivo é reforçar mecanismos de vigilância sanitária em postos fronteiriços e em áreas utilizadas por populações em deslocamento.


A combinação entre epidemia e instabilidade armada representa outro elemento da crise. O chefe de Saúde Pública do Acnur, Allen Maina, informou que mais de dois milhões de pessoas deslocadas internamente e mais de 320 mil refugiados vivem em áreas classificadas como zonas de risco para o ebola na República Democrática do Congo.


De acordo com Maina, essas populações convivem simultaneamente com a circulação do vírus e com operações de grupos armados presentes em diferentes regiões do país. Em 7 de junho, o Acnur registrou a chegada de aproximadamente 2.250 pessoas provenientes de Mbau, localidade situada a cerca de 20 quilômetros de Beni, uma das áreas associadas ao surto.


O deslocamento ocorreu após movimentações de grupos armados que provocaram fuga da população para uma região onde o ebola já estava presente. Segundo dados apresentados pelo Acnur, a área de destino já abrigava mais de 14,3 mil pessoas deslocadas antes da chegada do novo grupo.


Maina afirmou que refugiados e deslocados enfrentam insegurança, perda de meios de subsistência e limitações no acesso à assistência humanitária. Segundo ele, a expansão do surto tem alimentado a circulação de informações falsas e aumentado a desconfiança em relação às equipes encarregadas da resposta sanitária.


“O surto alimenta o medo e a desinformação, corroendo a confiança nas equipes de resposta e atrasando o acesso a cuidados vitais”, declarou o representante do Acnur.

Os dados apresentados pelas agências das Nações Unidas indicam que a epidemia permanece em expansão em três províncias da República Democrática do Congo, alcançando 896 casos confirmados e 232 mortes registradas até 19 de junho de 2026.

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