Ataques israelenses atingem usina de dessalinização em Gaza e deixam dois mortos
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Ataques israelenses atingiram uma usina de dessalinização em Shujaeyya, na Faixa de Gaza, matando dois civis em 17 de abril de 2026. A ofensiva ocorreu apesar do cessar-fogo firmado em outubro e ampliou o colapso da infraestrutura básica no enclave. Autoridades locais denunciam mais de 2.400 violações do acordo desde sua implementação. A destruição da unidade agravou a crise de resíduos e saúde pública já instalada. O bloqueio e os bombardeios contínuos intensificam o cenário de genocídio contra a população palestina.

O ataque à usina de dessalinização, localizada a leste da Cidade de Gaza, interrompeu ainda mais o acesso à água potável em um território submetido a restrições sistemáticas e destruição de infraestrutura civil. As duas vítimas fatais foram registradas imediatamente após o bombardeio, segundo informações divulgadas em 17 de abril de 2026. A instalação era considerada estratégica para mitigar a escassez hídrica no enclave, que depende de sistemas precários diante do cerco prolongado imposto por Israel.
O Conselho Conjunto de Serviços para Gestão de Resíduos Sólidos alertou que o impacto do ataque ultrapassa a perda imediata de vidas, aprofundando uma crise ambiental já crítica. A entidade informou que grandes volumes de lixo estão se acumulando em ruas e áreas residenciais, resultado direto do fechamento de aterros sanitários causado pela ofensiva militar. A ausência de gestão adequada de resíduos tem provocado a proliferação de insetos e roedores, elevando o risco de surtos epidêmicos.
Em coletiva realizada em Deir al-Balah, o presidente do conselho, Ahmed al-Sufi, afirmou que Gaza enfrenta “um momento crítico que já não se limita à crise humanitária, mas se tornou uma ameaça direta ao meio ambiente e à saúde pública”. Ele acrescentou que a situação atual representa uma “realidade grave”, marcada pela disseminação de vetores de doenças em meio à destruição dos serviços básicos.
A deterioração das condições sanitárias ocorre paralelamente à continuidade dos ataques israelenses e à entrada restrita de ajuda humanitária, em violação direta aos termos do cessar-fogo estabelecido em outubro. Autoridades palestinas relatam pelo menos 2.400 violações do acordo desde então, incluindo assassinatos, detenções, cerco e imposição deliberada de fome. Desde o início da trégua, 765 palestinos foram mortos e outros 2.140 ficaram feridos.
Os números foram atualizados um dia após a morte de Saleh Badawi, criança de nove anos, atingida por disparos israelenses no bairro de Zaytoun, na Cidade de Gaza, na noite de quinta-feira. O menino morreu instantaneamente e foi levado ao Hospital Al-Shifa. No mesmo dia, dois irmãos foram mortos em um ataque nas proximidades da escola Abu Tammam, em Beit Lahia. Um terceiro homem morreu após não resistir aos ferimentos provocados por um bombardeio anterior contra um veículo na rua al-Nafaq.
Enquanto os ataques prosseguem, autoridades israelenses discutem internamente o futuro do cessar-fogo sob pressão do governo estadunidense. Apesar das negociações, representantes palestinos afirmam que Israel não cumpriu as obrigações previstas na primeira fase do acordo, especialmente no que diz respeito à cessação das hostilidades e à garantia de acesso humanitário.
No mesmo contexto, representantes do governo estadunidense e do Hamas realizaram, na quinta-feira, em Cairo, as primeiras conversas diretas desde o início do cessar-fogo. A delegação estadunidense foi liderada por Aryeh Lightstone, enquanto o Hamas foi representado por Khalil al-Hayya. Um porta-voz do Departamento de Estado estadunidense recusou-se a comentar o conteúdo das negociações, e o Hamas também não divulgou informações oficiais sobre o encontro.
Em meio à escalada de violência, dezenas de palestinos realizaram uma vigília à luz de velas na Cidade de Gaza para marcar o Dia do Prisioneiro Palestino. O ato ocorreu no cruzamento Saraya e reuniu civis que exibiam bandeiras palestinas e imagens de detidos. Manifestantes denunciaram uma lei aprovada pelo Knesset que autoriza a execução de prisioneiros palestinos acusados de ataques, legislação criticada por organizações de direitos humanos por não se aplicar a cidadãos israelenses.
Durante a vigília, participantes também exigiram proteção para os detidos nas prisões israelenses, onde, segundo organizações de direitos humanos, a prática de tortura é recorrente. Dados citados por meios de comunicação locais, com base em entidades de direitos humanos, indicam que mais de 9.600 palestinos estão atualmente encarcerados por Israel.
O Dia do Prisioneiro Palestino foi marcado por mobilizações internacionais, com cerca de 144 eventos realizados em pelo menos 19 países sob a campanha denominada “Fitas Vermelhas”. A iniciativa reivindica a libertação dos palestinos mantidos em detenções consideradas ilegais e denuncia o sistema carcerário israelense como instrumento de repressão política sistemática.



































