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Exportações do Brasil para a China batem recorde impulsionadas pelo petróleo

As exportações brasileiras de petróleo para a China atingiram recorde no primeiro trimestre de 2026. O avanço ocorreu em meio à crise no Estreito de Ormuz, agravada por ações militares dos Estados Unidos e seus aliados. O volume exportado pelo Brasil cresceu 122% no período, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O aumento impulsionou o total das exportações brasileiras para o país asiático, que chegaram a US$ 23,9 bilhões. O movimento revela como tensões geopolíticas alimentadas por intervenções externas reorganizam fluxos globais de energia.


20As exportações brasileiras de petróleo para a China atingiram recorde no primeiro trimestre de 2026
20As exportações brasileiras de petróleo para a China atingiram recorde no primeiro trimestre de 2026

Dados divulgados pelo CEBC indicam que o valor das exportações brasileiras de petróleo para a China saltou de US$ 3,7 bilhões no primeiro trimestre de 2025 para US$ 7,19 bilhões no mesmo período de 2026, praticamente dobrando em um ano. Em termos de volume, o crescimento foi ainda mais expressivo, passando de 7,4 mil toneladas para 16,5 mil toneladas, um aumento de 122%. Esse desempenho elevou a participação do petróleo para 30,1% da pauta exportadora brasileira ao mercado chinês, um avanço de 11,2 pontos percentuais em relação ao ano anterior.


O impacto direto desse aumento foi sentido no comércio bilateral. As exportações totais do Brasil para a China cresceram 21,7% entre janeiro e março de 2026, atingindo US$ 23,9 bilhões, o maior valor já registrado para o período. A corrente de comércio entre os dois países chegou a US$ 41,8 bilhões, alta de 8,1%, com saldo positivo de US$ 6 bilhões para o Brasil.


O principal fator por trás desse salto foi a reconfiguração do mercado global de energia após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota estratégica por onde transita cerca de 40% do petróleo consumido pela China. A interrupção foi resultado direto da escalada militar no Golfo, impulsionada pela política externa estadunidense em conjunto com Israel, que intensificou a instabilidade regional e pressionou cadeias globais de abastecimento.


Diante da restrição no fornecimento tradicional do Golfo, a China ampliou a busca por fornecedores alternativos. O Brasil emergiu como um dos principais beneficiários dessa mudança, consolidando-se como fonte estratégica para suprir a demanda energética chinesa em meio à crise. Dados do CEBC mostram que 57% de todo o petróleo exportado pelo Brasil no início de 2026 teve como destino a China, percentual que chegou a 65% apenas no mês de março, quando os efeitos da escalada militar se intensificaram após 28 de fevereiro.


Aldren Vernersbach, economista-chefe do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), afirmou em relatório citado pelo CEBC que “esse movimento está relacionado à busca por maior segurança energética por parte da China”. Ele acrescentou que “o cenário atual de conflito no Oriente Médio e instabilidade no Estreito de Ormuz torna a implementação dessa estratégia ainda mais relevante e urgente”.

O aumento das exportações não se limitou ao mercado chinês. Globalmente, as vendas brasileiras de petróleo atingiram US$ 12,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 31% em relação ao mesmo período de 2025, com aumento de 50% no volume exportado. A Índia também ampliou suas compras, importando US$ 1 bilhão em petróleo brasileiro, com crescimento de 78% no volume.


Além do petróleo, outros produtos brasileiros registraram expansão nas exportações para a China entre janeiro e março de 2026. A carne bovina teve aumento de 16% no volume exportado, enquanto a celulose para dissolução cresceu 29,3%. As vendas de ferroligas avançaram 94% e o algodão apresentou alta de 163%. Em contrapartida, houve queda de 45% nas exportações de minério de cobre no período.


Os dados constam no relatório CEBC Alerta, divulgado em abril de 2026, e evidenciam como a dinâmica do comércio internacional segue diretamente condicionada por crises geopolíticas, especialmente aquelas desencadeadas por intervenções militares e disputas estratégicas em regiões-chave para o abastecimento energético global.

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