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Ramagem é solto nos EUA após dois dias detido pelo ICE

O ex-deputado bolsonarista Alexandre Ramagem foi liberado após dois dias detido por autoridades de imigração dos Estados Unidos. A soltura ocorreu na quarta-feira, 15 de abril de 2026, sem que os motivos tenham sido oficialmente divulgados. Ele havia sido preso na segunda-feira, 13 de abril, em Orlando, na Flórida, onde se encontrava foragido da Justiça brasileira. A detenção ocorreu no âmbito de cooperação entre a Polícia Federal brasileira e autoridades estadunidenses. O governo brasileiro aguarda definição sobre o pedido formal de extradição, ainda sem resposta.


A informação da soltura foi confirmada após o nome de Ramagem desaparecer tanto da lista de detidos do centro de detenção do Condado de Orange quanto do sistema do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE). A Polícia Federal declarou que ainda não recebeu detalhes oficiais sobre as circunstâncias da liberação, mantendo interlocução com autoridades estadunidenses para esclarecimentos.


Segundo nota da Polícia Federal divulgada na terça-feira, 13 de abril, “a prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e as autoridades policiais dos EUA”. A operação se insere no contexto da inclusão de Ramagem na lista de difusão vermelha da Interpol, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, o que autoriza sua detenção em território estrangeiro.

Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro, Ramagem foi condenado pela Justiça brasileira a mais de 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito. A condenação ocorreu no mesmo processo que envolveu o ex-presidente e outros aliados políticos.


Além da pena de prisão, Ramagem teve o mandato parlamentar cassado em dezembro de 2025, perdeu o passaporte diplomático e teve os vencimentos suspensos pela Câmara dos Deputados. Mesmo assim, deixou o Brasil e passou a residir nos Estados Unidos, onde buscava evitar o cumprimento da pena.


No início de 2026, o governo brasileiro formalizou o pedido de extradição às autoridades estadunidenses. Até o momento, não houve resposta oficial de Washington, o que mantém o processo em aberto e expõe a dependência do sistema judicial brasileiro diante da decisão política de outro Estado.


A defesa de Ramagem tenta sustentar que ele seria alvo de “perseguição política”, estratégia voltada a obter asilo nos Estados Unidos e bloquear a extradição. A narrativa, no entanto, foi rebatida pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que afirmou: “Não há perseguição política. Há condenação por crimes graves contra a democracia”.


A prisão do ex-deputado em território estadunidense ocorreu sob legislação migratória, evidenciando que, mesmo em um país historicamente alinhado a setores da extrema direita latino-americana, a condição de foragido internacional impôs limites à permanência irregular. Ainda assim, a rápida soltura, sem transparência sobre os critérios adotados, levanta questionamentos sobre o tratamento dado por autoridades estadunidenses a indivíduos condenados por ataques institucionais em seus países de origem.


O caso se insere em um contexto mais amplo de articulação internacional envolvendo crimes políticos e tentativas de ruptura institucional no Brasil, ao mesmo tempo em que evidencia as contradições da política externa estadunidense, frequentemente seletiva na aplicação de mecanismos de cooperação judicial conforme seus interesses estratégicos.


Até o momento, não há confirmação sobre eventuais restrições impostas a Ramagem após sua soltura, nem sobre prazos para análise do pedido de extradição encaminhado pelo governo brasileiro.

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