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Dezenas de milhares retornam ao sul do Líbano após cessar-fogo

Dezenas de milhares de deslocados começaram a retornar ao sul do Líbano em 17 de abril de 2026, horas após a entrada em vigor de um cessar-fogo de 10 dias. O acordo foi anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na tarde do dia anterior. Mesmo após o início da trégua à meia-noite, ataques israelenses continuaram sendo registrados nas primeiras horas da sexta-feira. Autoridades israelenses haviam alertado a população a não retornar às áreas ao sul do rio Litani. Ainda assim, civis atravessaram estradas destruídas e zonas de risco para tentar recuperar suas casas após semanas de ofensiva.


Dezenas de milhares de deslocados retornam ao sul do Líbano
Dezenas de milhares de deslocados retornam ao sul do Líbano

O fluxo de retorno começou ainda durante a madrugada, com longas filas de veículos lotados de famílias e pertences avançando em direção ao sul, especialmente pela rodovia que conecta Saida a Sour. Imagens registraram carros carregando colchões e objetos básicos, evidenciando o deslocamento massivo de civis que haviam sido forçados a abandonar suas casas durante seis semanas de bombardeios intensivos e incursões terrestres israelenses.


A movimentação ocorreu apesar dos avisos israelenses de que suas forças “permanecem posicionadas no sul do Líbano para monitorar a atividade do Hezbollah”. O exército libanês e o Hezbollah também recomendaram cautela, pedindo que moradores de regiões como Dahyeh, subúrbio ao sul de Beirute, e do Vale do Bekaa adiassem o retorno por razões de segurança. Ainda assim, o anúncio do cessar-fogo por Donald Trump foi suficiente para desencadear um retorno em massa, refletindo tanto o esgotamento da população quanto a ausência de alternativas para milhões de deslocados.

A infraestrutura devastada tornou o deslocamento ainda mais precário. Em Qasmiyeh, uma passagem improvisada foi construída às pressas para substituir a ponte destruída por ataques israelenses no dia anterior. O exército libanês coordenou operações com escavadeiras desde o amanhecer para preencher crateras deixadas por bombardeios, permitindo que veículos e motocicletas cruzassem em fila única. Outras pontes danificadas foram parcialmente reabertas, enquanto rotas secundárias, como a estrada entre Zrarieh e Tayr Filsey, foram utilizadas para aliviar o congestionamento.


Durante a ofensiva, todas as pontes sobre o rio Litani foram destruídas, incluindo a estratégica ponte de Qasmiyeh, cortando a principal ligação entre o sul do país e o restante do território. A destruição sistemática da infraestrutura civil intensificou o isolamento das regiões mais atingidas, replicando padrões já observados em outras operações militares israelenses na região.


Apesar do início do cessar-fogo, relatos indicam que bombardeios continuaram por várias horas após a meia-noite. O Hezbollah declarou estar em “alerta máximo” diante de possíveis violações israelenses da trégua, sinalizando a fragilidade do acordo.


Momentos antes da entrada em vigor do cessar-fogo, um ataque israelense atingiu um complexo residencial na cidade de Sour, matando pelo menos 11 pessoas e ferindo 35, segundo a Defesa Civil libanesa. Equipes de resgate continuavam as buscas por desaparecidos sob os escombros ao longo do dia 17 de abril.


Dados do Ministério da Saúde do Líbano indicam que, desde 2 de março de 2026, ao menos 2.294 pessoas foram mortas em ataques israelenses no país, incluindo 100 socorristas e profissionais de saúde. O número de feridos chegou a 7.544, enquanto cerca de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas em todo o território libanês.


Em Beirute, o clima entre os deslocados que permaneceram na capital era de exaustão e incerteza. No bairro de Tayouneh, ao sul da cidade, muitas tendas continuavam montadas, mesmo após o início do retorno. Algumas foram desmontadas, enquanto outras permaneciam vazias, indicando que famílias optaram por verificar suas casas antes de abandonar completamente os abrigos improvisados.


“Pessoas voltaram para Dahyeh para ver suas casas, mas não se sentem seguras”, afirmou um comerciante local ao Middle East Eye. “Então mantiveram suas tendas aqui, caso precisem voltar.”


Entre os deslocados, o cansaço era evidente. “As pessoas estão exaustas”, disseram moradores que preferiram não se identificar. O sentimento era compartilhado por Zainab, uma mulher idosa que vive em uma tenda com o marido. “Claro que queremos voltar para nossa aldeia no sul. Quem quer viver assim?”, questionou, apontando para dois colchões finos empilhados em seu abrigo improvisado.


Ela afirmou que aguarda a diminuição do trânsito para tentar retornar, explicando que o marido não suportaria uma longa viagem nas atuais condições. “Minha aldeia não fica na fronteira, mas ainda é arriscado. Mal posso esperar para voltar”, disse. Após uma pausa, completou: “Nossa alma está no sul.”

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