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Justiça italiana autoriza extradição de Carla Zambelli ao Brasil, condenada a 15 anos

A Corte de Apelação de Roma autorizou em 16 de abril de 2026 um segundo pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli ao Brasil. A decisão reforça a base jurídica para sua transferência, somando-se a condenações que ultrapassam 15 anos de prisão. O novo aval refere-se à sentença do Supremo Tribunal Federal por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. Zambelli está presa desde julho de 2025 na penitenciária de Rebibbia, em Roma. A defesa afirma que recorrerá à Corte de Cassação italiana em até 15 dias.


Carla Zambelli
Carla Zambelli

A decisão da justiça italiana, divulgada na quinta-feira (16), amplia o cerco judicial contra a ex-parlamentar brasileira ao reconhecer a gravidade de crimes comuns atribuídos a ela no Brasil. O novo pedido de extradição está relacionado ao episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, em São Paulo, quando Zambelli perseguiu um homem em via pública portando uma pistola. Pelo caso, o Supremo Tribunal Federal fixou pena de 5 anos e 3 meses de reclusão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.


Esse aval se soma à decisão anterior da mesma Corte de Apelação, proferida em 26 de março de 2026, que já havia autorizado a extradição no âmbito do processo envolvendo a invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Nesse caso, Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão em regime fechado por participação, junto ao hacker Walter Delgatti, em crimes de invasão de sistemas e falsidade ideológica. Com a soma das penas, a ex-deputada enfrenta condenações que superam 15 anos de reclusão no Brasil.


Detida na prisão de Rebibbia desde julho de 2025, Zambelli tenta evitar a extradição com base em sua dupla cidadania. No entanto, o tratado bilateral entre Brasil e Itália estabelece que crimes comuns — como os que lhe são imputados — não impedem a extradição, afastando a tese de motivação política defendida por sua equipe jurídica. Esse entendimento tem sido reiteradamente confirmado pelas instâncias judiciais italianas.


O advogado de defesa, Fábio Pagnozzi, declarou que recorrerá à Corte de Cassação, instância máxima do Judiciário italiano, dentro do prazo legal de 15 dias. A estratégia da defesa sustenta a alegação de “perseguição política” e questiona a equivalência dos crimes na legislação italiana, argumento que até o momento não foi acolhido pelas cortes locais.

Com duas decisões favoráveis à extradição, a posição da defesa se fragiliza diante do sistema judicial italiano, enquanto o processo avança para sua etapa final. Caso a Corte de Cassação confirme os entendimentos anteriores, caberá ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, a decisão definitiva sobre a entrega da ex-deputada às autoridades brasileiras.


O governo brasileiro, por meio do Itamaraty e do Ministério da Justiça, acompanha formalmente o caso. Se a extradição for confirmada, Carla Zambelli deverá ser transferida ao Brasil para cumprimento inicial das penas em regime fechado, conforme determinado pelo Supremo Tribunal Federal.

 
 

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