Autoridades israelenses intensificam abusos contra detentas na prisão de Damon
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Autoridades israelenses intensificaram operações repressivas contra mulheres palestinas detidas na prisão de Damon, segundo comunicado divulgado em 10 de maio pela Sociedade dos Prisioneiros Palestinos. A organização afirmou que unidades prisionais israelenses realizaram ao menos dez invasões dentro da prisão entre fevereiro e abril de 2026, com espancamentos, isolamento e revistas íntimas. O caso ocorre em meio à expansão das detenções em massa conduzidas por Israel durante o genocídio contra a população palestina em Gaza e a escalada repressiva na Cisjordânia ocupada.

A Sociedade dos Prisioneiros Palestinos informou que a prisão de Damon concentra atualmente a maioria das 88 mulheres palestinas detidas por Israel. Entre as presas estão duas meninas e três mulheres nos primeiros meses de gravidez, detidas sob acusações de “incitação”, categoria utilizada pelas autoridades israelenses para criminalizar manifestações políticas, publicações em redes sociais e declarações públicas de palestinos sob ocupação militar.
Segundo a organização, testemunhos coletados dentro da prisão e relatos de mulheres libertadas apontam que as chamadas unidades de repressão prisional israelenses realizaram incursões nos dias 28 de fevereiro, 5 de março, 10 de março, 17 de março, 30 de março, 1º de abril, 3 de abril, 17 de abril, 21 de abril e 23 de abril de 2026.
Durante as operações, guardas israelenses obrigaram as detentas a permanecerem deitadas no chão com as mãos amarradas para trás enquanto eram agredidas. A Sociedade dos Prisioneiros Palestinos declarou que os ataques provocaram ferimentos e hematomas em várias mulheres encarceradas.
O comunicado afirma que as autoridades israelenses ampliaram o uso de confinamento solitário contra as detentas. Pelo menos seis mulheres foram submetidas ao isolamento, algumas por períodos superiores a duas semanas. A organização palestina indicou que o isolamento é utilizado como instrumento de punição psicológica dentro do sistema prisional israelense.
A superlotação nas celas também aumentou após as campanhas de detenções realizadas pelas forças israelenses na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental. Segundo os depoimentos reunidos pela organização, algumas celas passaram a abrigar mais de dez mulheres, obrigando parte das detentas a dormir no chão.
A Sociedade dos Prisioneiros Palestinos afirmou que a restrição alimentar tornou-se prática recorrente nas prisões israelenses, sobretudo durante feriados israelenses. A organização relatou que uma das detentas perdeu cerca de 30 quilos após meses de encarceramento.
O comunicado também denunciou a continuidade de revistas íntimas durante transferências para a prisão de Hasharon e na chegada de novas detentas à prisão de Damon. As mulheres descreveram os procedimentos como “degradantes e humilhantes”.
A organização palestina declarou ainda que várias detentas sofrem de doenças crônicas sem acesso ao tratamento médico necessário. Entre elas estão duas mulheres diagnosticadas com câncer. Segundo o comunicado, as autoridades israelenses mantêm as presas sem atendimento médico enquanto o estado de saúde das pacientes se deteriora dentro do sistema penitenciário.
De acordo com a Sociedade dos Prisioneiros Palestinos, parte das mulheres encarceradas está submetida à chamada detenção administrativa, mecanismo utilizado por Israel para manter palestinos presos sem acusação formal ou julgamento. O procedimento baseia-se em supostas “provas secretas”, às quais nem os detidos nem seus advogados têm acesso.
As denúncias foram divulgadas pela agência palestina WAFA em meio ao aumento das operações israelenses na Cisjordânia ocupada. Em 11 de maio, a própria agência registrou ações militares israelenses em Tulkarm, Ramallah, Hebron, Jerusalém e Vale do Jordão, incluindo demolições de casas, ataques de colonos israelenses, detenções e disparos contra civis palestinos.
No mesmo dia, a WAFA também publicou novos relatos de presos políticos palestinos sequestrados na Faixa de Gaza ocupada. Segundo instituições palestinas ligadas aos prisioneiros, os depoimentos descrevem espancamentos, privação alimentar e práticas de tortura dentro de centros de detenção israelenses. A agência informou ainda que o número de mortos na agressão israelense contra o Líbano chegou a 2.869 pessoas até 11 de maio de 2026.



































