PM de Tarcísio invade USP com bombas e gás contra estudantes
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A Polícia Militar de São Paulo retirou estudantes da reitoria da Universidade de São Paulo na madrugada de 10 de maio durante operação com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. A ocupação ocorria desde 7 de maio como parte da greve estudantil iniciada em abril nas universidades estaduais paulistas contra cortes, falta de moradia estudantil e deterioração estrutural dos campus. O movimento acusa o governo de Tarcísio de Freitas de responder às reivindicações educacionais com repressão policial dentro da maior universidade pública do país.

Segundo relatos do Diretório Central dos Estudantes da USP, a operação começou por volta das 4h15 da manhã. Estudantes afirmaram que policiais militares entraram no prédio da reitoria utilizando escudos, bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes contra os manifestantes que permaneciam na ocupação.
O DCE declarou que policiais organizaram um “corredor polonês” durante a retirada dos estudantes. Segundo os relatos, agentes da PM agrediram fisicamente manifestantes enquanto eles deixavam o prédio da administração central da universidade.
Quatro estudantes foram detidos e encaminhados ao 7º Distrito Policial, na Lapa, zona oeste da capital paulista. O movimento estudantil afirmou que diversos alunos ficaram feridos durante a ação policial.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram policiais militares avançando contra estudantes dentro da reitoria. As imagens registram correria, gritos e o uso de armamentos químicos dentro do prédio universitário.
Em nota, o Diretório Central dos Estudantes afirmou que a operação ocorreu sem apresentação de ordem judicial de reintegração de posse. A entidade declarou que a desocupação ocorreu “fora dos parâmetros normalmente adotados pelos tribunais” em operações desse tipo.
A ocupação fazia parte da greve estudantil iniciada em abril na Universidade de São Paulo, na Universidade Estadual Paulista e na Universidade Estadual de Campinas. Segundo os organizadores do movimento, ao menos 104 cursos aderiram à paralisação nas três universidades estaduais paulistas.
Entre as reivindicações apresentadas pelos estudantes estão reajuste das bolsas permanência, contratação de professores e servidores, ampliação da assistência estudantil e reformas estruturais em prédios universitários e moradias estudantis.
Na USP, os estudantes criticam a proposta da reitoria de reajustar bolsas apenas pelo IPC-Fipe. O movimento reivindica equiparação dos valores ao salário mínimo paulista diante do custo de vida na capital.
Os estudantes também denunciaram condições estruturais do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo, o Crusp. Segundo os relatos apresentados pelo movimento, os prédios possuem infiltrações, vazamentos, mofo, falhas de iluminação e presença de ninhos de pombo em cozinhas coletivas.
A operação policial ocorreu após semanas de impasse entre estudantes e a gestão do reitor Aluísio Segurado. A reitoria afirmou ter mantido negociações com os grevistas, mas declarou que as conversas chegaram “a um limite”.
A administração da USP informou que comunicou a ocupação à Secretaria de Segurança Pública em 7 de maio. A universidade declarou, porém, que não recebeu aviso prévio sobre a operação da Polícia Militar realizada na madrugada de domingo.
A crise também atinge a Universidade Estadual Paulista e a Universidade Estadual de Campinas. Na Unesp, estudantes preparam nova rodada de mobilizações após a morte da professora Sandra Regina Campos em abril durante atividade noturna no campus da Barra Funda.
Entidades estudantis denunciaram ausência de atendimento médico e falta de segurança no período noturno no campus da Unesp. Assembleias e paralisações foram convocadas para 11 de maio nas universidades estaduais paulistas.
As mobilizações passaram a relacionar o sucateamento das universidades públicas à política orçamentária do governo estadual paulista. Organizações estudantis e sindicais afirmam que o modelo de financiamento das universidades estaduais enfrenta congelamento de recursos enquanto aumentam terceirizações, cortes administrativos e redução de investimentos em permanência estudantil.
Entidades como UNE, UEE-SP e diretórios centrais estudantis classificaram a operação policial na USP como escalada repressiva contra o movimento estudantil paulista. Os grupos anunciaram novos atos e mobilizações unificadas entre USP, Unesp e Unicamp ao longo da semana seguinte.



































