China cria simulação digital detalhada da evolução do universo
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Pesquisadores chineses e cientistas internacionais desenvolveram uma simulação digital da evolução do universo utilizando um supercomputador capaz de reconstruir 13,8 bilhões de anos de história cósmica. O projeto recriou a formação de galáxias, estruturas gravitacionais e distribuição de matéria escura em um espaço virtual de 12 bilhões de anos-luz de extensão, segundo informações divulgadas em 9 de maio pela TV BRICS com base em reportagem do China Daily. A iniciativa integra a expansão dos investimentos chineses em infraestrutura científica e computacional em meio à disputa tecnológica entre China e Estados Unidos pelo controle de setores ligados à inteligência artificial, processamento de dados e pesquisa espacial.

O estudo utilizou cerca de 4,2 trilhões de partículas virtuais de matéria escura para reproduzir digitalmente a evolução do cosmos desde o Big Bang até os dias atuais. A matéria escura corresponde a uma forma invisível de matéria que não emite nem absorve luz, mas que, segundo modelos cosmológicos utilizados pela comunidade científica, representa aproximadamente 85% de toda a matéria existente no universo.
A simulação cobriu um volume cúbico de espaço equivalente a 12 bilhões de anos-luz de lado. Segundo os pesquisadores citados pelo China Daily, isso representa uma escala comparável ao alinhamento de aproximadamente 120 mil galáxias do tamanho da Via Láctea posicionadas lado a lado.
O projeto gerou cerca de 13 petabytes de dados digitais. O volume equivale a aproximadamente 13 milhões de filmes em alta definição armazenados simultaneamente. Para processar a simulação, foram utilizadas cerca de 16 mil unidades de processamento de alto desempenho operando de forma contínua durante 18 dias.
A pesquisa busca superar limites existentes nas observações astronômicas tradicionais. Devido à distância entre galáxias e ao tempo necessário para que a luz alcance os telescópios instalados na Terra, observações astronômicas registram imagens de diferentes períodos do passado do universo, impossibilitando o acompanhamento direto das transformações cósmicas ao longo do tempo.
As reconstruções digitais permitem modelar processos de formação de galáxias, interação gravitacional e distribuição de matéria em escalas impossíveis de serem observadas em tempo real. Segundo o China Daily, os cientistas afirmaram que a simulação apresentou compatibilidade com observações realizadas por telescópios e levantamentos astronômicos internacionais.
Uma primeira análise dos dados foi publicada em revista científica internacional. Segundo a reportagem reproduzida pela TV BRICS, os pesquisadores apontaram que o modelo alcançou nível de precisão e escala superior aos experimentos anteriores utilizados para estudar a formação do universo.
Os cientistas também afirmaram que a simulação permite realizar previsões detalhadas sobre a distribuição de galáxias e matéria escura em diferentes regiões do cosmos. Parte dos dados produzidos será disponibilizada posteriormente para pesquisadores de outros países.
O avanço científico ocorre em meio à ampliação dos investimentos chineses em supercomputação, tecnologia espacial e inteligência artificial. Nos últimos anos, a China expandiu programas de pesquisa ligados a satélites, observatórios astronômicos, física quântica e sistemas computacionais de alto desempenho, setores atingidos por sanções, restrições tecnológicas e bloqueios comerciais impostos pelos Estados Unidos contra empresas e instituições chinesas.
A disputa tecnológica entre Pequim e Washington envolve restrições estadunidenses à exportação de semicondutores avançados, equipamentos para fabricação de chips e sistemas de inteligência artificial. Em resposta, o governo chinês ampliou investimentos públicos em infraestrutura científica e programas de autonomia tecnológica.
A TV BRICS destacou que o projeto foi desenvolvido em cooperação entre cientistas chineses e pesquisadores internacionais. A rede afirmou que a primeira etapa dos dados produzidos pela simulação será compartilhada globalmente em fase posterior do programa científico.



































