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Xi Jinping e Trump discutirão relações bilaterais, paz mundial e desenvolvimento


O governo chinês confirmou nesta segunda-feira, 11 de maio, que Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutirão relações bilaterais, comércio, segurança internacional e desenvolvimento durante a visita oficial de Trump à China entre 13 e 15 de maio. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, em entrevista coletiva em Pequim, segundo a agência estatal Xinhua. A viagem marca a primeira visita de um presidente estadunidense à China em nove anos, em um cenário de confrontos comerciais, militarização do Indo-Pacífico e expansão da presença militar estadunidense na Ásia.


Xi Jinping
Xi Jinping

De acordo com Guo Jiakun, Xi Jinping e Donald Trump terão “uma troca de opiniões aprofundada sobre questões importantes relativas às relações China-EUA e à paz e desenvolvimento mundiais”. O porta-voz afirmou que os dois governos buscarão administrar divergências e ampliar áreas de cooperação em meio ao agravamento das tensões entre Pequim e Washington.


A visita ocorrerá menos de sete meses após o último encontro presencial entre Xi e Trump, realizado em outubro de 2025, em Busan, na República da Coreia. Na ocasião, os dois chefes de Estado discutiram tarifas comerciais, cadeias de suprimentos, semicondutores, Taiwan e operações militares estadunidenses no Mar do Sul da China. O encontro ocorreu durante uma etapa de ampliação da pressão econômica de Washington contra empresas chinesas ligadas aos setores de inteligência artificial, telecomunicações e tecnologia militar.


Segundo Guo Jiakun, “a diplomacia entre chefes de Estado desempenha um papel estratégico insubstituível nas relações China-EUA”. A declaração reflete a tentativa de Pequim de estabilizar canais diplomáticos após anos de escalada militar e econômica conduzida por sucessivos governos estadunidenses contra a China, incluindo sanções comerciais, bloqueios tecnológicos e fortalecimento de alianças militares na região do Pacífico.


A visita de Trump acontece em um momento de reorganização da política externa estadunidense na Ásia. Desde 2024, Washington ampliou exercícios militares conjuntos com Japão, Filipinas e Austrália, além de expandir operações navais próximas ao estreito de Taiwan. Pequim acusa os Estados Unidos de utilizarem o tema de Taiwan como instrumento de pressão estratégica e de promoverem políticas de contenção contra a China sob o discurso de “segurança regional”.


O governo chinês voltou a defender o princípio de “igualdade, respeito e benefício mútuo” nas relações bilaterais. Guo Jiakun declarou que Pequim está disposta “a trabalhar com os Estados Unidos em um espírito de igualdade, respeito e benefício mútuo para expandir a cooperação, administrar as diferenças e injetar mais estabilidade e segurança em um mundo turbulento e em constante mudança”.

A retomada do diálogo ocorre após anos de deterioração das relações entre as duas maiores economias do planeta. Desde a administração Trump iniciada em 2017, os Estados Unidos impuseram sucessivas rodadas de tarifas sobre produtos chineses, restrições a empresas como Huawei e SMIC, além de sanções contra setores ligados à produção de chips e inteligência artificial. As medidas foram mantidas e ampliadas ao longo dos anos seguintes sob justificativas ligadas à “segurança nacional”, fórmula utilizada por Washington para legitimar barreiras econômicas e ações de contenção geopolítica contra adversários estratégicos.


Nos últimos anos, a China também denunciou a ampliação da presença militar estadunidense na região asiática, incluindo o envio de sistemas de mísseis, submarinos nucleares e acordos militares com governos aliados. Pequim afirma que os Estados Unidos transformaram o Indo-Pacífico em eixo central de sua estratégia de cerco militar, enquanto Washington acusa a China de expandir sua influência regional e aumentar pressão sobre Taiwan.


A agência Xinhua informou que a visita de Donald Trump será realizada entre os dias 13 e 15 de maio e terá reuniões bilaterais em Pequim. O governo chinês não divulgou detalhes sobre acordos previstos, agenda econômica ou possíveis anúncios conjuntos.

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