Bispos católicos do Líbano expressam 'preocupação' com demolições israelenses no sul do país
- www.jornalclandestino.org

- 5 de mai.
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O Conselho de Bispos Católicos Grecos Melquitas acusou forças israelenses de demolirem um convento na vila de Yaroun, no sul do Líbano. A denúncia ocorre após relatos de destruição de edifícios civis e religiosos em áreas sob controle militar israelense. O episódio se insere na ofensiva iniciada em março de 2026, que já deixou milhares de mortos no país.

Em comunicado divulgado em 5 de maio de 2026, os bispos melquitas afirmaram que tropas israelenses utilizaram tratores para demolir um convento pertencente à comunidade local em Yaroun, após a evacuação dos moradores. A instituição classificou a ação como uma “profunda ferida na consciência nacional e humana” e solicitou ao governo libanês e às Nações Unidas medidas para proteger propriedades civis e religiosas na região.
A denúncia se soma a um histórico de ataques israelenses contra locais religiosos no Líbano, na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, segundo registros citados na reportagem. O avanço militar israelense no sul do Líbano ocorreu antes do cessar-fogo de 17 de abril de 2026, sob a justificativa de desmantelar estruturas do Hezbollah, grupo que atua no país.
Em resposta, o exército israelense declarou em 3 de maio que não tem como alvo instituições religiosas. Segundo a nota, durante uma operação em Yaroun para destruir infraestrutura do Hezbollah, uma casa foi danificada, mas os militares afirmaram ter interrompido a ação ao identificar ligação com uma igreja. A versão oficial sustenta que o edifício atingido não apresentava símbolos religiosos.
A versão foi contestada por Adib Ajaka, liderança cristã local em Yaroun, que afirmou à Associated Press que as imagens divulgadas por Israel mostram um prédio distinto do convento destruído. Segundo ele, o edifício fotografado abrigava uma clínica e a sede do arcebispado, enquanto o convento teria sido reduzido a escombros por tratores militares. Ajaka apresentou uma fotografia com destroços ao lado da clínica, que identificou como os restos da estrutura religiosa demolida.
Relatos semelhantes foram apresentados por um funcionário municipal de Yaroun, que falou sob condição de anonimato, e por Gladys Sabbagh, superiora geral das Irmãs Basilianas Salvatorianas, ordem que utilizava o convento. Ambos confirmaram à Associated Press que receberam informações sobre a demolição após a retirada forçada da população local.
A organização católica francesa L’Oeuvre d’Orient condenou o episódio e declarou que se trata de um “ato deliberado de destruição de um local de culto e destruição sistemática de casas no sul do Líbano, com o objetivo de impedir o retorno da população civil”.
O contexto militar remonta a 2 de março de 2026, quando o Hezbollah lançou foguetes em resposta a um ataque em larga escala conduzido por Washington e Tel Aviv contra o Irã. A partir dessa data, Israel intensificou operações no território libanês, com centenas de ataques aéreos e uma incursão terrestre que resultou na ocupação de dezenas de cidades e vilarejos na faixa de fronteira.
Um cessar-fogo de 10 dias entrou em vigor em 17 de abril após anúncio em Washington, sendo posteriormente estendido por três semanas. Apesar disso, operações militares e denúncias de destruição de infraestrutura civil continuaram a ser registradas.
No campo diplomático, o embaixador dos Estados Unidos no Líbano, Michel Issa, declarou em 5 de maio que um eventual encontro entre o presidente libanês Joseph Aoun e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, proposto por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, não deve ser interpretado como concessão do Líbano. A proposta de reunião em Washington ainda não possui data confirmada, e não houve confirmação oficial de participação por parte do governo libanês.
Aoun enfrenta críticas internas de setores ligados ao Hezbollah, que rejeitam negociações diretas com Israel em meio à continuidade das operações militares no território libanês.
De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, os ataques israelenses desde o início da ofensiva deixaram 2.696 mortos e 8.264 feridos até 5 de maio de 2026.



































