Bolsonaristas entram em crise após beijinho de Michelle em xandão
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Michelle Bolsonaro cumprimentou com abraço e beijo no rosto o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes durante a cerimônia de posse de Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, na terça-feira (13). O gesto provocou reação entre apoiadores de Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e mantido sob custódia por decisão do próprio Moraes.

O encontro ocorreu durante a solenidade de posse de Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro em 2020 e agora conduzido à presidência do TSE em meio ao avanço de disputas institucionais envolvendo a extrema direita brasileira. Imagens registradas pela reportagem do portal Metrópoles mostraram Michelle Bolsonaro aproximando-se de Alexandre de Moraes, trocando cumprimento, abraço e um beijo no rosto diante de autoridades presentes no evento.
A repercussão entre apoiadores bolsonaristas foi imediata nas redes sociais. Alexandre de Moraes é tratado por setores da extrema direita como responsável pelas investigações sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, pelos inquéritos relacionados às milícias digitais e pelas decisões que atingiram aliados de Jair Bolsonaro. O ministro também determinou medidas cautelares contra integrantes do entorno político do ex-presidente e conduziu processos ligados aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A ex-juíza Ludmila Lins Grilo criticou publicamente o cumprimento entre Michelle Bolsonaro e Moraes. Conhecida por campanhas contra medidas sanitárias durante a pandemia de COVID-19 e por ataques aos tribunais superiores, Ludmila deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos sem comunicar oficialmente sua saída ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Ela foi aposentada compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em duas ocasiões.
Em publicação na rede X, Ludmila afirmou que, em “casos extremos”, a recusa de cumprimento “é recomendada”. A ex-juíza escreveu que negar um aperto de mão pode funcionar como forma de demonstrar que o outro “não é reconhecido nem sequer no plano da cortesia elementar”.
Outros influenciadores ligados à extrema direita reagiram de maneira semelhante. Julio Schneider, administrador de uma conta bolsonarista com alcance nas redes sociais, afirmou: “Cumprimentar o sujeito que mandou prender injustamente o próprio marido. Desculpem, eu não tenho estômago pra entender isso. Antes que venham falar de etiqueta. Enfiem essa mesma etiqueta no rabo”.
Perfis menores também atacaram Michelle Bolsonaro. Uma usuária do X escreveu que “nunca cumprimentaria, tampouco abraçaria, um dos maiores algozes da minha família”. Em outra publicação, afirmou: “Não tem regra ou etiqueta de educação que me faça ser educada com alguém que odeia os meus”.
Parte dos apoiadores tentou minimizar o episódio lembrando encontros anteriores entre Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes. Um usuário recuperou imagens do depoimento prestado por Bolsonaro ao STF em junho de 2025, quando o ex-presidente brincou com Moraes e sugeriu o nome do ministro como possível candidato a vice-presidente em 2026. “Quando Bolsonaro ficou de frente com Moraes... Convidou até para vice…”, publicou.
Defensores de Michelle Bolsonaro também reagiram às críticas. Um apoiador escreveu que “o pessoal tá exagerando” e lembrou que “o próprio Bolsonaro cumprimentava o carrasco”. Na mesma publicação, acrescentou: “Essa mulher tá lá cuidando do marido nos piores momentos. Pessoal pegar um cumprimento forçado pra desmerecer ela é muito infantilidade”.
A cerimônia de posse de Kassio Nunes Marques ocorreu em meio à reorganização política do bolsonarismo após a condenação de Jair Bolsonaro. Moraes permanece como relator dos processos ligados à tentativa de ruptura institucional e às articulações golpistas que buscavam impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022. Desde então, o STF consolidou papel central na contenção das ofensivas da extrema direita contra o sistema eleitoral e contra instituições civis brasileiras.
O gesto protocolar de Michelle Bolsonaro acabou transformado em novo foco de tensão entre setores bolsonaristas, cuja estratégia política passou anos baseada na mobilização permanente contra o STF, contra o TSE e contra Alexandre de Moraes, tratado por esses grupos como símbolo da repressão judicial às redes de desinformação e às articulações golpistas no país.



































