Dois anos e mais de 10 mil ações de cerco ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami
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A operação de desintrusão na Terra Indígena Yanomami ultrapassou, em abril de 2026, a marca de 10.052 ações de combate ao garimpo ilegal e à sua cadeia logística, segundo balanço divulgado pela Agência Gov via Casa Civil em 23 de abril de 2026. As ações, coordenadas pela Casa de Governo desde março de 2024, abrangem repressão direta, bloqueio de rotas, fiscalização de abastecimento e destruição de estruturas usadas por invasores dentro e fora do território indígena. Em pouco mais de dois anos, o Estado brasileiro registrou a destruição de centenas de equipamentos, pistas clandestinas, embarcações e sistemas logísticos usados na extração mineral predatória na Amazônia. As operações também resultaram em prisões, apreensões de armas, combustível e mercúrio, além de prejuízo estimado em R$ 683 milhões às redes de garimpo ilegal. O governo afirma que a estratégia de pressão contínua reduziu em 98% novas áreas de garimpo no território, aprofundando o cerco à atividade.

A operação de desintrusão na Terra Indígena Yanomami se consolidou como uma das mais extensas ações estatais contínuas na Amazônia contemporânea, articulando forças federais em uma política de repressão permanente às redes de mineração ilegal. Entre março de 2024 e 23 de abril de 2026, foram contabilizadas 10.052 ações coordenadas pela Casa de Governo, envolvendo monitoramento de rotas fluviais e terrestres, bloqueio de corredores logísticos e destruição sistemática de infraestrutura usada para sustentar a extração mineral clandestina em área indígena.
No mesmo período, o aparato estatal inutilizou 2.155 motores, 558 geradores, 504 esteiras separadoras de minério, 845 acampamentos, 290 embarcações e 51 aeronaves utilizadas na cadeia do garimpo. Também foram destruídos 250 mil litros de óleo diesel, 194 toneladas de cassiterita, 195 antenas de internet, 29 quadriciclos e 80 pistas de pouso clandestinas, revelando a dimensão industrial da ocupação ilegal sustentada por redes logísticas complexas na floresta.
As forças federais apreenderam ainda 154 armas de fogo, 3.484 munições e realizaram 363 detenções ou prisões, além de intensificar ações de fiscalização: 1.816 inspeções de aeronaves, 582 fiscalizações em pistas de pouso, 218 em postos de abastecimento, 44.462 veículos verificados e mais de 51 mil abordagens em rotas estratégicas usadas para abastecimento e escoamento da produção ilegal.
Entre as operações de maior impacto recente está a quarta fase da Operação Maamaxi Xawara, realizada entre 4 e 12 de abril de 2026, que avançou sobre áreas de pressão garimpeira no Rangel e no Baixo Catrimani. A ofensiva destruiu acampamentos, dragas e estruturas fluviais usadas para transporte de minério, deslocando grupos de garimpeiros para regiões mais profundas da floresta em resposta à pressão contínua das forças federais.
Na mesma região, ações integradas da Força Nacional de Segurança Pública e da Funai concentraram-se na eliminação de bases logísticas e na interrupção de pontos de apoio, aprofundando o bloqueio operacional das redes de invasão mineral. Em paralelo, a Operação Xapiri, conduzida pelo Comando Conjunto Catrimani II entre 1º e 15 de abril, inutilizou cinco pistas clandestinas, destruiu 19 acampamentos, apreendeu 1.570 litros de combustível e resultou na prisão de cinco garimpeiros.
A estratégia também se estendeu ao entorno da Terra Indígena Yanomami, com ações da ANTT e da Força Nacional em Campos Novos e Samaúma, onde foram apreendidos cerca de 3,3 mil litros de combustíveis — entre gasolina, diesel, querosene e combustível de aviação — além de peças aeronáuticas e carotes vazios usados no abastecimento clandestino. As fiscalizações atingiram ainda vicinais, veículos e pontos de apoio logístico em corredores de acesso à região.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ampliou a repressão em unidades de conservação federais, como a Estação Ecológica de Maracá e as Florestas Nacionais de Roraima e Parima, onde estruturas de apoio ao garimpo foram desmontadas para impedir a reorganização de invasores fora da Terra Yanomami, reforçando o bloqueio territorial da atividade extrativa ilegal.
Em Boa Vista, operações da Polícia Rodoviária Federal resultaram na maior apreensão de mercúrio da história da instituição, com cerca de 835 quilos interceptados em menos de 15 dias, somando aproximadamente uma tonelada desde o início da operação. O material, altamente tóxico, é utilizado na separação de ouro e associado à contaminação de rios e cadeias alimentares indígenas.
Em Caracaraí, o monitoramento de rotas fluviais intensificou o controle sobre embarcações carregadas de combustível e insumos destinados ao garimpo, ampliando a pressão sobre os corredores logísticos que partem do Rio Branco. As ações, segundo dados oficiais, resultaram em prejuízo estimado em R$ 683 milhões às redes de garimpo ilegal, decorrente da destruição de equipamentos, bloqueio de abastecimento e apreensão de materiais estratégicos para a atividade.
A estrutura operacional também combina varredura contínua do território e fiscalização permanente de áreas já mapeadas, com o objetivo declarado de impedir reocupações e desarticular completamente a cadeia logística do garimpo.


































